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A alegria do Senhor

Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força. (Neemias 8.10).

Neemias sempre estava presente na reunião de ensino (leitura da lei), realizada em um dia considerado santo (o que é confirmado por Levítico 23.24). Também era igualmente típico que Neemias definisse as situações com soluções imediatas e criativas, insistindo que o povo levasse em conta os fatos elementares da vida: os pequenos luxos que podem transformar uma refeição em festa, e também a solicitude e o amor que transformam uma simples comemoração na alegria que revigora sem ser escapista ou evanescente. A atenção de Neemias para com os que não têm nada preparado para si estava bem arraigada em seu próprio ponto de vista e prática cotidiana.

A Festa dos Tabernáculos (“Hag Hassukkot”), também chamada de “Festa da Sega”, “Festa da Colheita”, ou “Festa da Ceifa” — pois nesta ocasião ocorria a sega do outono, das frutas e azeitonas, com a colheita da eira e a prensa no lagar (Lv 23.39; Dt 16.13) —, a terceira das festas de peregrinação, era celebrada durante sete dias, do dia 15 ao dia 21 de Tisri, o sétimo mês (equivalente a outubro) e era seguida por um oitavo dia de santa convocação com os sacrifícios apropriados.

A Festa dos Tabernáculos era uma festa de alegria, na qual os Israelitas viviam em tendas ou cabanas feitas de ramos em comemoração ao tempo que andaram pelo deserto, quando seus pais habitavam em abrigos temporários. As tendas eram feitas de oliveiras, murta, palmeiras e outros ramos, e eram construídas sobre os telhados das casas, em pátios, no pátio do Templo e nos lugares amplos das ruas da cidade. Os sacrifícios eram mais numerosos do que em qualquer outra festa: 189 animais no período de sete dias. Quando a festa coincidia com um ano sabático, a lei era lida publicamente para toda a congregação no santuário (Dt 31.10-13).

Como o historiador Flávio Josefo e o Talmude indicam, com o passar do tempo, novas cerimônias eram adicionadas à festividade, sendo a principal delas “a Festa de Retirada da Água”. Nela, um jarro de ouro era enchido no tanque de Siloé e entregue ao sacerdote no Templo em meio aos brados de alegria dos celebrantes. Em seguida, a água era derramada em uma pia no altar, lembrando-nos imediatamente de João 7.37,38, que diz: No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha até a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. À noite, as ruas e o pátio do Templo eram iluminados por inúmeras tochas carregadas pelos peregrinos, que cantavam e dançavam.

As tendas eram desmanchadas no último dia, e o oitavo dia que se seguia era observado como um sábado de santa convocação. A festa é mencionada por Zacarias como uma alegre celebração que ocorrerá no Milênio (Zc 14.16).

“Alegrar-se completamente” era a perspectiva oferecida diante dos hóspedes de Deus (Dt 16.15), e as palavras que acompanhavam mais naturalmente a “santidade” não eram somente a “justiça e a retidão”, mas também a “glória,” a “beleza,” a “força,” e a “alegria”.

Precisamos voltar nossa atenção às coisas que nos dão esperança e enchem nossos corações de alegria, celebrando sempre — tomando como exemplo o povo de Israel e a Festa dos Tabernáculos — e mantendo nossos olhos fitos no Senhor. Afinal, é sempre bom repetir: “portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Neemias 8.10b).

::Thales Violante