“A história da Lagoinha é assim… Há muitos detalhes… Às vezes dores, lágrimas, sofrimento, mas, por outro lado, muitas vitórias alcançadas pelo poder do Senhor!”, diz o pastor Márcio Valadão

A Igreja Batista da Lagoinha nasceu no dia 20 de dezembro de 1957, bem próximo (à rua Formiga) de onde está localizada hoje (à rua Manoel Macedo, 360, São Cristóvão, BH/MG). Ela foi organizada pelos membros vindos da Igreja Batista do Barro Preto (Belo Horizonte). Esses membros – cerca de 20 pessoas – convidaram o pastor José Rego do Nascimento para pastorear a igreja. Até então, ele era pastor da igreja em Vitória da Conquista (BA). Sua igreja já era conhecida em todo o Brasil.

Naquele tempo a igreja reunia-se em um galpão alugado, já que ela não era uma instituição jurídica e legalizada. O galpão foi alugado no nome de alguns membros da igreja, porém, com o passar dos meses, algo aconteceu! O pastor José Rego pregava de modo diferente, pregava com unção, com muita graça. As pessoas choravam, havia arrependimento e clamor, mas, aos olhos de alguns, isso não era bem aceito para uma estrutura batista. Foi então que o grupo que fundou a igreja e, principalmente, algumas famílias, se levantaram contra o pastor dizendo que ele não era um pastor batista e sim pentecostal. Essa foi a primeira crise da igreja. Ela surgiu exatamente na virada do ano de 1958 para 1959. Em seguida, foi realizada uma assembléia para resolver o assunto. A votação foi secreta e em “papeizinhos” para saber se ele era batista ou pentecostal. Para surpresa, a maioria achou que ele era batista! Contudo, como o grupo que estava insatisfeito era justamente o grupo cujo salão estava no nome deles, a igreja foi fechada…

Os membros da igreja tinham o costume de orar todos os dias pela manhã. Quando esses irmãos chegaram para orar, encontraram a porta da igreja fechada com um cadeado. Aqueles irmãos ficaram do lado de fora. Porém, como um homem espiritual, o pastor Rego não entrou em conflito com o grupo. Ele procurou, junto àqueles que ficaram, uma solução. Eles foram para a Terceira Igreja Batista, localizada até hoje no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte que, na época, tinha como líder o saudoso pastor Aquiles Barbosa.

Durante alguns dias, o pastor Aquiles abrigou aqueles membros em sua igreja. A Igreja da Lagoinha passou a se reunir no período da tarde. Depois a igreja veio para o bairro Floresta (BH), enquanto buscavam um outro local para se reunir. Segundo relato dos membros, essa peregrinação durou exatamente 40 dias. Nesse tempo, os irmãos encontraram o salão onde a igreja está localizada hoje. Duas lojas foram alugadas e os irmãos organizaram tudo. A partir daí, a igreja teve um novo recomeço…

Renovação Espiritual
Nessa época, havia uma missionária americana, chamada Rosalee Apleby. Dona Rosalee fez parte da história do Movimento de Renovação Espiritual no Brasil. Quando ela e seu esposo vieram ao País, logo no primeiro ano, ela engravidou. Entretanto, um triste fato aconteceu. No dia em que ela estava dando a luz a seu filho, o seu marido estava morrendo. Os líderes da denominação quiseram que ela voltasse para o país de origem, os Estados Unidos, porém, Dona Rosalee, colocou em seu coração a convicção do chamado dela para o Brasil. Ela orava por um avivamento espiritual. Havia dentro do coração de Dona Rosalee este sonho, de um avivamento espiritual.

No ano de 1965 foi programado um encontro de renovação espiritual em Belo Horizonte no qual vários pastores marcaram presença. É relevante dizer que este encontro seria somente para os pastores, mas o povo participou também, evangélicos de todo o Brasil estavam presentes entre eles presbiterianos, metodistas, congregacionais e tantos outros. No ano de 1966, marcaram outro encontro de renovação espiritual. Neste segundo encontro o pastor Márcio Valadão estava presente. Este encontro aconteceu na Igreja Batista da Lagoinha, porém, na época, o salão ainda era alugado pela igreja.

O cuidado de Deus
Em 1971, o pastor Márcio Valadão estava pastoreando em Ponta Grossa, Paraná. Um tempo depois, ele deixou o pastorado da igreja no Paraná e retornou a Belo Horizonte. Ele chegou em BH numa sexta-feira (“Sexta-feira da Paixão”), no ano de 1972. Mesmo pastoreando no Paraná, o pastor Márcio continuou membro da Igreja da Lagoinha. Na época, um pastor chamado Hilton Quadros fez uma viagem a Brasília, com o objetivo de contatar um pastor de lá e convidá-lo para assumir a Igreja da Lagoinha. No entanto, no caminho, aconteceu um terrível acidente. O carro do pastor Quadros capotou e ele ficou muito machucado. Após o acidente, o pastor Márcio foi visitá-lo. Naquele momento, o pastor Quadros lhe disse: “Márcio, ficarei aqui durante algum tempo, você podia fazer o seguinte… pregar no meu lugar”. No mesmo instante o pastor Márcio respondeu: “Claro, pastor!”

Foi assim… O pastor Márcio começou a pregar e a dirigir os cultos da Lagoinha. Enquanto o pastor Quadros se recuperava, a igreja buscava um pastor. Um tempo depois o pastor Quadros chamou novamente a comissão para reiniciar o processo de busca por um pastor. Ele disse: “Vamos recomeçar…”. Os irmãos da igreja falaram: “Olha o ‘Marcinho’, pastor!”. Eles continuaram: “O ‘Marcinho’ está aqui, está indo bem, o povo está gostando dele, não precisa mais procurar…”

Então, no dia 30/07/72 o nosso pastor Márcio tomou posse do pastorado da igreja. “Eu era bem jovem, tinha 23 anos, era solteiro e uma série de coisas que não eram bem aceitas pela prática dos batistas. Na época, a igreja da Lagoinha era uma igreja grande, com cerca de 300 pessoas. Quando comecei a pastoreá-la, ela se encontrava dividida. Mas em tudo eu reconheço o cuidado de Deus para com a minha vida. Ele me preservou”, relembra o pastor Márcio.

No dia 21 de abril de 1987 todas as congregações da Lagoinha foram emancipadas se tornando independentes. Antes da emancipação, a igreja contava com, aproximadamente, 5 mil membros. Durante este tempo, a igreja se baseou em uma visão: investir nos membros. Iniciaram um trabalho chamado “Grupos de Crescimento” – hoje denominado “Células” (pequenos grupos de pessoas). Os grupos foram crescendo até que no ano de 1999, eram 6 mil membros. “As pessoas olhavam e achavam tudo muito interessante. Contudo, havia, principalmente, dentro de mim, uma inquietação muito grande, pois era pouco diante do desafio de evangelizar uma cidade inteira (Belo Horizonte)”, conta o pastor que ainda acrescenta: “Isso é fruto de um trabalho que começou há muito tempo. E a Igreja Batista da Lagoinha teve a oportunidade de ser uma semente dentro de todo esse processo. Essa é a nossa história. E continua…”

:: Por Ana Paula Costa