Presidente da Igreja Batista da Lagoinha, pastor Márcio Valadão, conta de forma surpreendente a história da igreja. Como tudo começou…
 

Em outubro de 2001, a equipe do Lagoinha.com teve o privilégio de participar de um momento ímpar: ouvir o pastor Márcio Valadão contar a história da Igreja Batista da Lagoinha – a trajetória de uma igreja que hoje tem mais de 30 mil membros sendo referencial no Brasil e no mundo.

Com a humildade de um servo de Deus, o pastor Márcio não só contou, mas a impressão que se tinha era de que ele revivia cada detalhe, cada momento que envolveu a fundação da Igreja.

Nessa entrevista que, aliás, está sob a forma de texto, visto que a riqueza de detalhes não merecia ser interrompida, o pastor Márcio deixa transparecer a paixão que ele tem por Deus e pela obra. Aqui ele se revela como um homem visionário e que procura sempre estar na direção de Deus.

Em entrevista exclusiva ao portal Lagoinha.com o pastor Márcio Valadão revela fatos intrigantes da história da igreja. Por exemplo, o fato de ela ter sido excluída da Convenção Batista Nacional no ano de 1964. Ele cita, ainda, as pessoas que marcaram a história da igreja como Dona Rosalee, pastor Aquiles Barbosa e tantos outros.

Conheça mais sobre a história da Lagoinha lendo esta entrevista surpreendente. Saiba como tudo começou. E assim como o próprio pastor Márcio diz: “A história da Lagoinha é assim… Há muitos detalhes… Às vezes dores, lágrimas, sofrimento, mas, por outro lado, muitas vitórias alcançadas pelo poder do Senhor!”

“Falar da Igreja Batista Lagoinha é falar do amor, do carinho de Deus e, acima de tudo, da Sua graça de um modo real sobre as nossas vidas”.
(Márcio Valadão, pastor e presidente da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte. Outubro de 2001)
 
O início de tudo…

A Igreja Batista da Lagoinha nasceu do coração de Deus. E Ele fez nascer, também, no coração das pessoas os Seus sonhos. Assim, exatamente no dia 20 de dezembro de 1957, aqui, bem próximo de onde estamos, na rua Formiga em Belo Horizonte, cujo número, se não me engano hoje é o 320, foi organizada a Igreja Batista da Lagoinha pelos membros vindos da Igreja Batista do Barro Preto. Esses irmãos – um grupo relativamente pequeno, cerca de 20 pessoas – convidaram José Rego do Nascimento para pastorear a nova igreja. Até então, ele era pastor da igreja em Vitória da Conquista, na Bahia. Naquela época, sua igreja já era conhecida em todo o Brasil. Ela nasceu do próprio sonho de Deus, o Pai.

Com a chegada do pastor José Rego em BH, houve um grande impacto, pois naquela época as pessoas começaram a compará-lo com o Pelé, o jogador de futebol. Pelé era novo e tinha um talento enorme. Os irmãos, então, começaram a considerar o pastor José Rego como se fosse um Pelé também, no sentindo de uma unção gloriosa. O pastor José é um homem precioso de Deus, um erudito e que tem um coração de misericórdia, apaixonado pelo Senhor!

Naquele tempo a igreja reunia-se em um galpão alugado, já que ela não era uma instituição jurídica e legalizada. O galpão foi alugado no nome de alguns membros da igreja. Com o passar dos meses, algo diferente aconteceu. José Rego era um pastor batista. Ele pregava de modo diferente, pregava com unção, com muita graça. As pessoas choravam, havia arrependimento e clamor, porém, aos olhos de algumas pessoas, isso não “soava bem” para uma estrutura batista. Foi então que o grupo que fundou a igreja e, principalmente, algumas famílias se levantaram contra o pastor dizendo que ele não era um pastor batista, e sim pentecostal.

Essa foi a primeira crise da igreja. Ela surgiu exatamente na virada do ano de 1958 para 1959. Alguns membros começaram a questionar o por quê do pastor José Rego, não ter preparado um conferencista para o primeiro aniversário da igreja. Coisa sem importância… mas que se transformou em algo de grandes proporções. Sabemos que esses atritos tinham um objetivo: atingir o pastor. Ele era batista, com convicções batistas, só que ele havia experimentado antes de vir para Belo Horizonte, o batismo com o Espírito Santo, havia recebido também a capacitação espiritual e o dom de falar em línguas.

A coisa se tornou tão forte, que foi realizada uma assembléia para resolver o assunto. A votação foi secreta e em papeizinhos para saber se ele era batista ou pentecostal. Os que achassem que ele era pentecostal, iriam escrever pentecostal. Os que achassem ser ele batista, iriam escrever batista. No qual não foi a surpresa. A maioria achou que ele era batista! Contudo, como o grupo que estava insatisfeito era justamente o grupo cujo salão estava no nome deles, a igreja foi fechada.

Recomeços…

Os membros da igreja tinham o costume de orar todos os dias pela manhã. Quando esses irmãos chegaram para orar, encontraram a porta da igreja fechada com um cadeado. Eles haviam trocado o cadeado. Aqueles irmãos ficaram do lado de fora. Porém, como um homem espiritual, o pastor Rego não entrou em conflito com o grupo. Ele procurou, junto a aqueles irmãozinhos que ficaram, um outro caminho. Eles foram para a Terceira Igreja Batista, localizada no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, que na época tinha como líder o saudoso pastor Aquiles Barbosa.

Durante alguns dias, o pastor Aquiles abrigou aqueles membros em sua igreja. Era uma igreja bem pequena, com cultos pela manhã e à noite. A Igreja da Lagoinha passou a se reunir no período da tarde. Depois a igreja veio para o bairro da Floresta, enquanto buscavam um outro local para se reunir. Esta peregrinação durou exatamente 40 dias. Interessante… Esse foi o mesmo número do Êxodo, 40 dias. Nesse tempo os irmãos encontraram o salão a qual estamos hoje, na rua Manoel Macedo 360, bairro Lagoinha. Duas lojas foram alugadas, e os irmãos com a maior alegria organizaram tudo. A partir daí, a igreja teve um novo recomeço. É muito forte falar e lembrar dessa história. Ela meche com a gente!

Naquele tempo, os móveis, o piano, o púlpito… tudo ficou com aquele grupo que fechou as portas da igreja. Estes irmãos tomaram esses móveis e mandaram para um colégio batista. Não me recordo se foi na cidade de Itajubá ou Varginha, mas sabe o que aconteceu? Dentro de pouco tempo houve um incêndio no colégio e tudo foi queimado. Tudo, tudo, tudo… Enquanto isso o pastor Rego pregava e anunciava a Palavra de Deus com toda a graça e unção.

Renovação Espiritual

Nessa época havia uma missionária americana, chamada Rosalee Apleby. Dona Rosalee fez parte da história do Movimento de Renovação Espiritual no Brasil. Quando ela e seu esposo vieram para o País, logo no primeiro ano ela engravidou. Entretanto, um triste fato aconteceu. No dia em que ela estava dando a luz a seu filho, o marido estava morrendo. No dia que estavam sepultando o seu marido, o filho dela estava nascendo. Os líderes da denominação quiseram que ela voltasse para o país de origem, os Estados Unidos, porém Dona Rosalee colocou em seu coração a convicção do chamamento dela para o Brasil.

Ela orava por um avivamento espiritual. Havia dentro do coração da Dona Rosalee este sonho, de um avivamento espiritual. E ela era uma mulher cheia de Deus, contagiante! A influência dela era tão grande na igreja que, no início dos anos 60, muitas mães, ao conceberem, davam o nome às suas filhas também de Rosalee. Se você conhecer alguém chamada Rosalee, pode saber que foi da época (risos).

Certo dia o pastor Rego pediu a ela uma sugestão para um programa de rádio. Ele desejava abrir um programa de rádio. Naquela época a televisão estava nascendo, mas havia aqui em Belo Horizonte uma emissora que, aliás, existe até hoje: a Rádio Guarani. Essa rádio alcançava todo o País. Ele pediu, então, uma sugestão para o nome do programa. Dona Rosalee sugeriu: “Renovação Espiritual”. Esse passou a ser o nome do programa – um programa semanal e da Igreja da Lagoinha. É interessante ressaltar aqui, que várias mensagens pregadas pelo pastor Rego nesse programa, estão em um livro chamado Renovação Espiritual.

 Em todo o Brasil as pessoas ouviam a emissora e percebiam uma grande diferença na mensagem do pastor Rego, havia unção, quebrantamento, autoridade, graça. Muitas pessoas começaram a se identificar com o pastor. Ele passou a ser convidado para pregar em muitos lugares, em muitas igrejas pelo País a fora, principalmente para outros pastores. Este foi um tempo de clamor. Nesse período, no início dos anos 60, o pastor Rego viajava por todo o Brasil. Ele passou a escrever para o jornal denominado Jornal Batista. Vários de seus artigos estão acessíveis até hoje nos livros da Renovação Espiritual. E ao lerem esses artigos, tenho certeza que as pessoas ficarão impactadas com a unção que havia na vida dele. Era um diferencial tremendo!

Divergências Teológicas

Mas, por outro lado, a denominação começou a se levantar contra, porque achavam que havia excessos. Certa vez, o pastor Rego foi pregar no Rio de Janeiro, na cidade da Ilha do Governador. Ele se encontrava hospedado no Seminário Batista. Após pregar na cidade, ele chegou tarde no seminário, e vários alunos estavam na biblioteca o esperando porque queriam orar com ele. Chamaram, então, o pastor Rego para ir orar com eles. E algo maravilhoso aconteceu naquela noite na biblioteca. Houve um derramar da graça de Deus tão forte, que os alunos começaram a chorar arrependidos, outros foram batizados com o Espírito Santo, alguns oravam alto e isso, no meio batista, transformou-se numa situação muito ruim. O diretor do seminário ouviu tudo aquilo e logo alguns começaram a se levantar contra, falando que aquilo era algazarra, emocionalismo.

 Alguns seminaristas estavam arrependidos, chorando, gritando… Isso era algo inusitado naquela época. Uma situação delicada começou a acontecer. As pessoas começaram a questionar por que o pastor Rego pregava que o batismo com o Espírito Santo era uma experiência distinta da regeneração espiritual – uma experiência não cumulativa na conversão, mas diferente da conversão, e que os dons espirituais não terminaram quando o Novo Testamento ficou pronto, os dons eram para a atualidade também. Essas eram as duas doutrinas básicas dos batistas: a doutrina em que o batismo do Espírito Santo era uma experiência diferente da regeneração, e a doutrina dos dons espirituais como realidade para os dias de hoje. A denominação batista separou um grupo de 13 homens. Fizeram uma comissão chamada “Comissão dos 13”, esta comissão era formada por quatro pastores totalmente contra a renovação espiritual, quatro a favor, e cinco não tinham uma posição definida.

 A denominação pediu a eles um estudo teológico como um parecer aos batistas. Eles queriam encontrar uma resposta, se o que estava acontecendo era realmente batista ou não. Após muitos encontros, alguns deixaram de participar, e o parecer final da “Comissão dos 13”, foi que esta doutrina não era batista, e sim pentecostal. Eles não aceitaram.

Ano de mudanças

O ano de 1964 foi marcado por vários acontecimentos tanto no mundo espiritual como também no natural. Foi um ano de situações muito delicadas, entre elas a “Revolução de 1964”. E foi exatamente na Convenção Batista deste ano, na cidade de Niterói – RJ, na Primeira Igreja Batista que acorreu um fato que marcou nossas vidas. Nessa época a Igreja da Lagoinha foi excluída da Convenção Batista Brasileira. E quando os irmãos estavam votando a exclusão da igreja, a luz apagou. A votação então, foi feita à luz de velas. Interessante isso… Excluíram a Igreja da Lagoinha! Contudo, sete igrejas daqui de Minas Gerais ficaram solidárias à Lagoinha.

Naquele ano a igreja teve um outro recomeço, mas um recomeço diferente, pois a igreja não era mais reconhecida pelos batistas brasileiros. Porém, havia uma convicção muito grande no coração de cada membro da Lagoinha, e nesta época o pastor Rego já vivia uma batalha espiritual muito forte, muito forte…

Começar… Mais uma vez

No ano de 1965 foi programado um encontro de renovação espiritual aqui em Belo Horizonte onde vários pastores participaram. É relevante dizer que este encontro seria somente para os pastores, mas o povo veio também, gente de todo o Brasil estava presente. No ano de 1966 marcaram um outro encontro de renovação espiritual. Vejam só… eu me converti no dia 19/05/1966! Neste segundo encontro eu estava presente. Glória a Deus! Este encontro aconteceu aqui mesmo na Lagoinha, porém, na época, o salão era alugado pela igreja. Várias denominações vieram participar deste encontro. Estavam presentes membros da Presbiteriana, Metodista, Congregacional, e tantas outras que foram alcançadas com o batismo do Espírito Santo e com a realidade dos dons espirituais.

Naquela época eles formaram uma Associação Missionária Evangélica – AME, que funcionava como uma cooperativa das igrejas. Havia ainda em Belo Horizonte, o Seminário Teológico Evangélico do Brasil – STEB. O diretor era o pastor chamado Wilson Reges, um homem visionário, um pregador abençoado.

Propósitos…

Um fato mexeu conosco no ano de 1966. E até hoje não conseguimos explicá-lo. Neste ano o pastor José Rego adoeceu, mas não de uma doença física, e sim emocional, inexplicável. Após adoecer ele foi para o Rio de Janeiro, não me recordo bem, mas acho que foi para Duque de Caxias. Na ocasião tive a oportunidade de visitá-lo no período de exílio pelo qual ele passou devido à sua saúde.

Nesta época a Igreja da Lagoinha tinha, além do pastor Rego, o pastor Airton dos Santos Sales, do Rio de Janeiro. Quando o pastor Rego saiu, o pastor Airton ficou em seu lugar como o pastor da igreja. Tudo aconteceu de forma incompreensível para nós.

Em 1967, o pastor Rego retornou totalmente recuperado. A igreja havia passado um ano com o pastor Airton, porém a diretoria da igreja tinha um relacionamento muito significativo com o pastor Rego. Então, o pastor Airton convidou o pastor Rego para assumir novamente o pastorado da igreja. Ele veio. Mas nesse tempo em que o pastor Rego esteve fora, aconteceram algumas situações distintas.

O pastor Airton é uma pessoa muito preciosa, mas naquela época da renovação espiritual não havia um referencial, tudo era novo. De pentecostal só existia a Igreja Assembléia de Deus com os seus próprios costumes e doutrinas. A Igreja da Lagoinha tinha ênfase também assembleiana em função do pastor Airton, já a mensagem do pastor Rego sempre foi de cunho espiritual, com mais liberdade.

Em 1967 os dois pastoreavam a Lagoinha, e nós estávamos construindo o templo novo da igreja, onde hoje é o Tabernáculo. A conclusão deste templo veio a acontecer somente no ano de 1970. Foi aí que algo aconteceu…

Os dois pastores já não falavam a mesma ‘língua’, por isso nenhum deles permaneceu na igreja. Isso foi muito triste! E 1968, ocorreu essa crise. A igreja ficou sem pastoreio. Nesse interim convidaram o pastor Reuel Feitosa, que é filho do pastor Renê – diretor do Seminário. Neste ano o pastor Reuel assumiu o pastorado da igreja, permanecendo de 1968 a 1971. Em 1971 houve uma outra crise na igreja, e isso fez com que no dia 31 de dezembro de 71 o pastor Reuel deixasse a Lagoinha. Em seu lugar ficou o pastor Hilton Quadros, que era o Secretário Executivo da Convenção Batista, ele ficou como pastor interino da igreja. O pastor interino é aquele que faz os atos pastorais quando a igreja se encontra sem pastor. Eles começaram a orar e a buscar em Deus um pastor para a Lagoinha.


Como tudo aconteceu…

Nesta época eu estava pastoreando em Ponta Grossa, Paraná. Deixei o pastorado da igreja no Paraná e retornei a Belo Horizonte. Eu cheguei aqui numa sexta-feira (chamada pelos católicos de “Sexta-feira da Paixão”) de 1972. Mesmo pastoreando no Paraná, eu continuei como membro da Lagoinha. O pastor Hilton Quadros fez uma viagem para Brasília, com o objetivo de fazer contato com um pastor de lá, convidando-o para pastorear a igreja. Só que, infelizmente, no caminho acontece um terrível acidente.

O carro do pastor Quadros capota e ele fica muito machucado. Após o acidente, fui visitá-lo. Ele estava engessado na sua casa. Então ele me disse: “Márcio, ficarei aqui durante algum tempo, você podia fazer o seguinte… pregar no meu lugar”. Na mesma hora eu disse: “Pois não pastor!”

Comecei a pregar e a dirigir os cultos. Aos poucos o pastor se recuperava, e enquanto isso a comissão da igreja buscava um pastor. O pastor Quadros chamou novamente a comissão para reiniciar o processo de busca por um pastor. Ele disse: “Vamos recomeçar…” Os irmãos da igreja falaram: “Olha pastor, o Marcinho!” Naquela época os irmãos me chamavam de Marcinho, porque eu já estava ali há muito tempo. Eles continuaram: “O Marcinho está aqui, está indo bem, o povo está gostando dele (risos), não precisa mais procurar…”

No dia 30/07/72 eu tomei posse do pastorado da Igreja da Lagoinha. Eu era bem jovem, tinha 23 anos, era solteiro, e uma série de coisas que não eram bem aceitas pela prática dos batistas. Na época, a igreja da Lagoinha era uma igreja grande com cerca de 300 pessoas. Quando comecei a pastoreá-la, ela de encontrava dividida. Porque existia o grupo do pastor Rego, o grupo a favor do pastor Airton… Mas em tudo eu reconheço o cuidado de Deus para com a minha vida. Ele me preservou!

Quando os pastores – Rego e Airton – saíram da igreja, eu ainda não estava lá. Eu trabalhava numa cidade chamada Martinho Campos, não havia vivido a realidade. Na saída do pastor Reuel, eu também não estava presente, porque eu estava pastoreando no Paraná. Quando vim para a igreja como pastor, eu era uma pessoa isenta, amigo de todos. Deus me resguardou, foi interessante isso!

Voltando há 33 anos, vejo que foi um grande desafio! Mas, já naquela época, havia no meu coração uma grande convicção de que Deus iria realizar algo em minha vida.

Sempre na dependência do Senhor, comecei a trabalhar com todo afinco e com toda à disposição, e a visão de crescimento da igreja por meio da abertura de novas congregações. Contudo, atualmente, as coisas são bem diferentes. Hoje, por exemplo, o pastor fica o dia inteiro na igreja. Antes, não tínhamos nem gabinete pastoral, era só o templo. Os cultos aconteciam aos domingos pela manhã e à noite.

Na segunda-feira e na quinta-feira, aconteciam as reuniões. Era assim… Os membros ficavam felizes, e nós também, porém existia uma inquietação. Queríamos mais de Deus. Durante algum tempo caminhamos abrindo novas igrejas. Chegamos a abrir 100 delas. Algumas são um referencial de Deus em todo o Brasil, como a Igreja Batista Getsêmani – cujo presidente é o pastor Jorge Linhares. A Getsêmani é uma igreja muito amada, pois ela é ‘filha’ da Igreja da Lagoinha!

Crescimento

No dia 21 de abril de 1987, fizemos algo inédito no Brasil: emancipamos todas as igrejas. Elas se tornaram independentes, e a cada uma foi dado o patrimônio…

Nesse dia, a Igreja da Lagoinha deixou de ter todos os seus membros, isto é, para se tornar membro da igreja, a pessoa teria que fazer um novo pedido, um recadastramento. Nessa época, ficaram cerca de 1.200 pessoas na igreja. Antes da emancipação, contávamos com aproximadamente 5 mil membros. E, durante este tempo, recomeçamos baseados em uma visão: investir nos membros. Para isso, precisávamos de uma casa pastoral e pastores em tempo integral. O nosso desejo era investir nos membros para que através deles mais vidas se rendessem aos pés de Jesus. Iniciamos um trabalho chamado “Grupo de Crescimento” – hoje denominado como “Célula” (pequeno grupo de pessoas).

Na época, pedi a um pastor amigo nosso, também da Lagoinha – pastor Jonas Neves (atualmente líder da Igreja Batista do Povo, em São Paulo) –, para que percorresse o Brasil e verificasse como eram desenvolvidos os grupos de crescimento. E onde existisse um, ele fosse conhecer como era feito o trabalho. Neves foi em Goiânia, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Argentina, Coréia… Até que no ano de 1999, éramos cerca de 6 mil membros. As pessoas olhavam e achavam tudo muito interessante. Contudo, havia, principalmente dentro de mim, uma inquietação muito grande, pois era pouco diante do desafio de evangelizar uma cidade inteira (Belo Horizonte), que cremos ser algo que vem do coração de Deus.


Um voto ao Senhor

No dia 30 de julho de 1999, quando eu estava em Manaus para participar de um encontro, eu fiz um voto a Deus. Precisamente naquele dia eu celebrava mais um ano de pastorado. Firmei um voto com o Senhor dizendo que a partir daquele dia eu não iria cortar minha barba até que houvesse um avivamento real na vida da nossa igreja. Quando eu retornei à capital mineira, alguns membros me olharam espantados, pois estava há uma semana sem fazer a barba (risos). Foi um impacto para eles, já que se habituaram a me ver barbeado!

Então eu expliquei a eles o que acontecera, o porquê de estar barbudo, contei-lhes sobre o voto que havia feito ao Senhor. E algumas pessoas, até mesmo alguns colegas de ministério falaram assim para mim: “Ah! A sua barba vai chegar até lá nos pés, e não vai acontecer nada!” Porém, eu continuei firme no propósito daquele voto, e crendo que o Senhor faria alguma coisa. O voto não era para mudar o coração de Deus, isso jamais vai acontecer, pois Deus é imutável. O voto muda o nosso coração, nos faz lembrar de alguma coisa. Voto é algo físico, que você pode ver, está na sua ‘cara’. Quando eu me olhava no espelho e via aquela barba, eu recordava que estava em um propósito com o Deus todo Poderoso.

E uma das coisas interessantes que aconteceu, é que eu não pedi a ninguém para fazer o mesmo, porém para a minha surpresa, muitos irmãos deixaram a barba crescer também. Quase todos os pastores agiram da mesma forma. Foi maravilhoso aquilo, lembro-me como se fosse hoje!

Em novembro de 1999, senti em meu coração uma convicção muito grande de Deus que era o momento de encerrar aquele voto, pois o avivamento já estava estabelecido.


Avivamento estabelecido

Desde então, a Lagoinha tem experimentado um crescimento maravilhoso. Hoje somos mais de 25 mil membros. Glória a Deus!

E esse crescimento não pára, estamos vivendo um tempo de colheita, um tempo de abundância, um tempo de misericórdia, um tempo de multiplicação. Sabemos que existem muitas coisas a serem conquistadas, temos muitas dificuldades na vida da igreja, mas ela tem uma história, tem os seus recomeços… Sempre recomeçando dentro de um propósito, não por doutrinas, mas recomeços na própria vida de Deus.

Para contar a história da igreja, eu ficaria anos falando (risos)! Seria muito emocionante que cada um de vocês lessem os livros das atas da igreja, lendo-os vocês irão compreender tudo o que eu disse, vão conhecer o que era a igreja, o que acontecia, as decisões…

Inspiração

A Igreja da Lagoinha nasceu com um referencial de Deus. Eu percebo que ela tem uma vocação. Falo isso com muita humildade, sem querer ser pretensioso. A vocação de ser modelo, aquilo que nós fazemos dirigidos pelo Senhor, as outras igrejas também querem fazer. Isso é maravilhoso! Certa vez, o pastor Jorge Linhares – presidente da Igreja Batista Getsêmani, em Belo Horizonte – foi à minha casa, e ele me contou que sempre diz no púlpito: “O que a Lagoinha faz, eu faço!” Não como disputa, mas com carinho e amor que ele e seus membros têm pela Lagoinha. Não é só a igreja dele, outras agem da mesma forma para conosco.

Vivemos situações diversas a esse respeito. Pastores e mais pastores vêm aqui com o desejo de saber o que está acontecendo! E acham que vão encontrar uma ‘super máquina’, mas quando chegam encontram gente, pessoas simples, iguais. Eles ficam impactados. Muitos chegam a pensar assim: “Ah! O pastor Márcio não é simples coisa nenhuma!” Mas quando me vêem dizem assim para mim: “Oh! É você?” Eu respondo: “Sim, sou eu!” Isso é tão maravilhoso! E Deus tem levantado hoje, tantos outros colegas apaixonados também para levar a visão adiante.

Creio que estamos vivendo o tempo de ser uma igreja que ajuda outras pessoas, que serve como inspiração, buscando sempre a glória de Deus. E somente Ele pode fazer isso, Só mesmo a bondade do Senhor!

A história da Lagoinha é assim… Há muitos detalhes… Às vezes dores, lágrimas, sofrimento, mas, por outro lado, muitas vitórias alcançadas pelo poder do Senhor. Eu vejo a Igreja da Lagoinha como resposta das orações de dona Rosalee, esta irmã que já está na glória! Ela orava por um avivamento no Brasil. E eu creio que isso está acontecendo, pois só a Convenção Batista Nacional abriga mais de 1.200 igrejas no País. E estas igrejas, por sua vez, alcançam com as congregações mais de 2.500 igrejas.

Isso é fruto de um trabalho que começou lá trás, e a Igreja Batista da Lagoinha teve a oportunidade de ser uma semente dentro de todo esse processo.

Essa é a nossa história. E vai continuar…

Entrevista: Departamento de Comunicação do portal Lagoinha.com.

Revista e Adaptada por Ana Paula Costa – Jornalista responsável pela Redação do portal Lagoinha.com (www.lagoinha.com)