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Boa intenção com maus resultados

Foto: pixabay.com

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Versículo: “O ensopado foi servido aos homens, mas, logo que o provaram, eles gritaram: ‘Homem de Deus, há morte na panela!’. E não puderam mais tomá-lo” (2Rs 4.40).

Exposição do texto: Em uma época de crise, talvez a única refeição do dia estava contaminada de modo que nada poderia ser aproveitado.

Discussão:

1- Você já tomou uma decisão aparentemente boa, mas que, sem todas as informações, acabou sendo uma péssima escolha?

2- Você já esteve em uma situação em que se confundiu ou se enganou sobre algo e isso te trouxe muitos problemas?

Objetivo: Perceber como a prudência deve ser desenvolvida como hábito (virtude) em nossas vidas, para que possamos tomar as devidas decisões com sabedoria.

Contexto: Este trecho faz parte de uma coletânea dos feitos do profeta Eliseu. A intenção do autor bíblico parece mostrar o que aconteceu na época em que o povo de Israel abandonou a Deus e se voltou à idolatria. O fato de o homem de Deus andar por todo o país fazendo milagres pelo poder de Deus era uma espécie de chamada aos israelitas a se voltarem para os caminhos do Senhor. O cenário era quase caótico. A fome era muito intensa e dura. Eliseu estava com seus discípulos e, provavelmente após um dia de ensino, decidiu fazer uma refeição comunitária, coisa rara naquela época de escassez. Um dos discípulos colheu alguns legumes para o ensopado, e, no meio deles, por engano ou por ignorância, colheu o que provavelmente é chamado de colocíntidas, que se parece com uma pequena laranja e é facilmente confundida com outros legumes da região. Seu gosto era extremamente amargo e era um forte laxante, que em altas doses poderia romper os intestinos e levar à morte. O aviso dos discípulos a Eliseu fez o profeta colocar farinha no ensopado e, pelo favor de Deus, purificar a comida. É bem provável que já houvesse farinha para engrossar o alimento. Então, não era a farinha a causa do milagre, como se fosse um componente que anulasse os efeitos do veneno. Aquele discípulo que colheu as colocíntidas, certamente, não tinha más intenções. Ou ele não sabia o que era e mesmo assim colheu por ter boa aparência, ou ele confundiu com algo proveitoso. Seja qual for a situação, ele foi imprudente. Sem malícia, mas sem sabedoria.

O que é ser prudente?

Primeiro: É a sabedoria na prática. É a capacidade de tomar a decisão certa no momento certo, onde a pessoa se torna cuidadosa, procura prever e evitar as inconveniências e os perigos com cautela, precaução. E também toma uma atitude positiva, cirúrgica, de algo que deve ser feito. É a chamada sabedoria na prática ou discernimento.

Três condições necessárias para o agir prudente:

1 – Levar em conta o passado, o presente, o futuro e também a possibilidade de consulta a pessoas mais experimentadas na ação específica;

2 – Deixar de lado as paixões, as imprecisões e os possíveis prejuízos como elementos perturbadores, examinando a fundo as razões que nos inclinam a uma ou outra parte, decidindo por fim, sem vacilações excessivas;

3 – Não retardar o que foi decidido e ter em conta os elementos de previsão para por o esforço proporcional à ação, considerando as pessoas e coisas que serão afetadas pela ação e tomando as devidas precauções para as possíveis falhas.

Biblicamente, o homem prudente é chamado de sábio. Sábio é aquele que tem paciência nas situações e inteligência para executar da melhor forma, decidindo corretamente, sempre respeitando a moral, a ética e os costumes. Mas veja que sabedoria é diferente de inteligência. Inteligência é a capacidade de raciocínio e entendimento. A inteligência pode ser desenvolvida, assim como o conhecimento pode ser adquirido. Por isso não devemos estagnar no conhecimento nem na maturidade. Devemos também amadurecer na razão e nas emoções, pois parar de desenvolver é tanto preguiça quanto orgulho. E o cristianismo não é uma religião para quem não quer estudar, amadurecer e obter mais conhecimento.“Deus quer de nós um coração de criança, mas uma cabeça de adulto e cada fração da inteligência que possuímos esteja alerta e afiada para a batalha” (Cristianismo Puro e Simples, C.S. Lewis). Como a gente adquire prudência e sabedoria? Pv. 9.10 “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” e Tg. 1.5 “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”.

Segundo: Uma virtude necessariamente tem que ser um hábito. Virtude é o conjunto de boas qualidades morais, austeridade no viver, que produz resultados louváveis. A virtude caracteriza-se pela héxis ou habitus, que significa disposição obstinada e que leva o indivíduo a uma prática constante (disciplina) até que ele assimile completamente aquela qualidade. A virtude só será héxis ou habitus se desenvolver um caráter de disposição permanente e costumeira, mecânica, automática. É igual a aprender a dirigir. A pessoa treina, treina, treina; pratica, pratica, pratica; até passar a fazer os movimentos para a condução do veículo sem necessariamente pensar neles. Ela apenas os faz.

Conclusão: A prudência deve ser desenvolvida como virtude (hábito) em nossas vidas. Devemos aprender e praticar constantemente a sabedoria. Esta virtude nos auxilia nas tomadas de decisões e regula nossas ações, além de produzir bons frutos em nossas vidas: calma, ponderação, sensatez, paciência e frieza no sentido positivo.

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4.8).

Aplicação: Procure três versículos bíblicos que falem sobre a sabedoria/prudência. Cole estes versículos em um lugar que você olhe todos os dias (espelho do banheiro ou geladeira). Lembre-se que uma qualidade só é uma virtude se ela for um hábito, ou seja, se você a praticar todos os dias.Ore a Deus para que Ele consolide em você a sabedoria, conforme lemos no versículo de Tiago citado neste estudo.

:: Renata Arruda