Nossa equipe esteve na Toca da Raposa, local de treinamento do Cruzeiro Esporte Clube, e bateu um papo com o goleiro Fábio. Confira essa entrevista exclusiva!
Ele nasceu em Nobres, no estado do Mato Grosso, em 30 de setembro de 1980. Mas foi em Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul, que ele viu o seu sonho – como quase todo sonho de menino, o de ser um jogador de futebol – começar a se tornar realidade. Lá, no que parecia apenas mais um campeonato, ele foi visto e seu talento reconhecido. E mais uma viagem se deu. De Aparecida do Taboado direto para Bandeirantes, no Paraná.
Ainda um adolescente não imaginava que o União Bandeirante, um time do sul do Brasil, seria o ponto de partida para a carreira que havia de percorrer. Hoje, no Cruzeiro Esporte Clube, é reconhecido em todo o Brasil por sua atuação e por seu excelente profissionalismo. Este é Fábio Deivson Lopes Maciel, Goleiro, 1,90 m de altura, 93kg, também conhecido como, “A Muralha Azul”, nome dado pela torcida azul celeste.
Em entrevista exclusiva ao Portal Lagoinha.com, diferentemente das muitas que já concedeu, Fábio revela o seu lado espiritual. Ele que poderia se envaidecer por um currículo recheado de títulos, se revelou uma pessoa que acima de qualquer coisa reconhece que a glória de tudo o que faz é de Deus.
Nesse bate-papo, Fábio revelou-se o homem de Deus, o pai de família – sempre ao lado de sua esposa, Sandra, e do filho, Pablo – e ainda, o servo dedicado a Cristo. Ele falou sobre sua carreira, suas convicções, sua conversão, e sobre o desejo de estar cada vez mais no centro da vontade de Deus. E a partida começa…
Lagoinha.com: Fábio, você já passou pelo União Bandeirante (PR – 1995), Atlético Paranaense(PR – 1998), Cruzeiro (MG – 1999-2000), Vasco (RJ – 2000-2004) e finalmente voltou ao Cruzeiro, onde está desde 2005. Fale um pouco sobre sua trajetória no futebol.
Fábio: Meu primeiro time profissional foi o União Bandeirante, onde iniciei em 1995 e permaneci até 1998. Época em que cheguei ao Cruzeiro pela primeira vez, sendo emprestado e onde fiquei por um ano. Quando acabou o empréstimo, voltei ao União, e logo fui emprestado para o Vasco, onde permaneci por quatro anos, até o meu retorno, o definitivo, ao Cruzeiro em 2005.
Lagoinha.com: Como foi o início de sua carreira?
Fábio: Sou nascido no Mato Grosso, na cidade de Nobres, a 140 km da cidade de Cuiabá, onde vivi até os 12 anos. De Nobres, eu e minha família seguimos para Aparecida do Taboado – Mato Grosso do Sul, devido a uma transferência de trabalho do meu pai. Lá tive a oportunidade de disputar um campeonato, onde fui observado pelo time do União Bandeirante. Foi então que recebi um convite para atuar no Paraná, e graças a Deus eu aceitei. Ali começou a minha carreira, meus primeiros passos num time profissional. Eles me deram toda estrutura, alojamento, assistência médica, e isso foi fundamental para que eu desse sequência na minha vida profissional, no futebol.
Lagoinha.com: A imprensa divulgou alguns dos momentos considerados difíceis ao longo de sua carreira. Talvez o mais difícil deles, a lesão com o joelho. Diante destes momentos é que se deu o seu encontro com Cristo, a sua conversão? Fale um pouco sobre isso.
Fábio: Foi o momento mais difícil da minha carreira, pela contusão, mas ao mesmo tempo o mais feliz, pois foi quando conheci verdadeiramente a Jesus, assim como os caminhos e os mandamentos dele, e principalmente, comecei a segui-lo não só da boca para fora. Tenho só que agradecer a Deus. Foi na dor, mas foi no momento em que eu precisava, e todo o processo foi só aumentando a minha convivência com Deus. Hoje eu só agradeço por aquela contusão, pois reafirmo que por meio dessa experiência pude conhecer a Jesus verdadeiramente. Hoje, minha mãe, minha “irmã do meio” e eu somos os cristãos de nossa família, e esperamos que toda a nossa família seja tocada pelo Espírito Santo e que juntos sigamos no mesmo caminho, que é Jesus.
Lagoinha.com: Ao ler, ver ou ouvir entrevistas concedidas por você a diversos meios de comunicação, é clara a sua postura de sempre entregar as “glórias” de tudo o que faz para Deus. Como é lidar com a vaidade, com o ego, considerando que hoje você pertence a Jesus. É um processo difícil?
Fábio: Para mim é bem tranquilo. Eu sempre fui bastante temente a Deus, só não seguia os seus mandamentos corretamente, e não conhecia o verdadeiro amor que Deus tem por nós, filhos. Não há dificuldade nisso. Agora é só glorificar e exaltar o nome dele, pois hoje vejo tudo o que Ele fez e faz por mim. Isso é o que tento passar para as outras pessoas, para quem está próximo, para quem eu tenho a oportunidade de falar, tanto nas entrevistas, como pessoalmente. É falar do amor de Deus por nós, e declarar toda a honra para Ele que é o único merecedor.
Lagoinha.com: Você é criticado por essa postura?
Fábio: Só tenho recebido elogios, e todos respeitam isso. As pessoas percebem que é de coração, e isso é o importante. Falo de Deus para várias pessoas, diante da televisão, nas entrevistas de rádio, e Ele tem me usado nesses momentos para eu fazer evangelismo, inclusive também nas igrejas, dando meu testemunho, e estou bastante feliz com isso.
Lagoinha.com: Recentemente a Revista Veja divulgou uma matéria a respeito da má conduta de alguns jogadores fora de campo. De certo que a cobrança aos jogadores de futebol é grande, devido à constante exposição inerente a própria profissão. Sem apontamentos, ou qualquer julgamento, mas apenas em análise diante dessas informações, o que você acha que leva essas pessoas a agirem assim?
Fábio: Acho que pela estrutura que alguns jogadores não têm no começo da carreira. Isso atrapalha bastante, sem contar pela facilidade com que alcançamos os bens materiais. Isso gera muitas situações que atrapalham muitos jogadores a terem experiências com o Senhor. O que tento sempre passar para eles, nas reuniões que temos dentro das concentrações, é o amor de Cristo.
Lagoinha.com: Ainda tratando sobre a questão de comportamento, não há como negar, mas infelizmente os jogadores de futebol são conhecidos por se envolverem com várias mulheres. Diante desses fatos, e sabendo que você tem uma família estruturada, que entende o sentido da união entre um homem e uma mulher, fale para nós sobre a responsabilidade em demonstrar a diferença a tantos homens, considerando que o mundo dita que o crente está sempre caminhando na contramão do que é considerado “normal”?
Fábio: Muitas pessoas estão tentando encontrar um meio de viver de forma mais fácil, e muitas vezes não é o meio baseado nos princípios de Deus. Vejo que isso atrapalha o casamento. Infelizmente quem não faz o que Deus nos diz ser correto é tachado como errado. Mas viver sobre os preceitos de Deus é totalmente diferente. Você fica com o coração e mente tranquilos para deitar e orar, falar do amor de Deus que é o importante. Infelizmente as pessoas que agem da maneira que não é a maneira que Deus, não têm essa tranquilidade. Então falo do amor de Deus, principalmente no universo do futebol, pois é claro que há uma facilidade ao pecado, o assédio é muito, e se o jogador não estiver firme na Rocha, será difícil caminhar. Graças a Deus tenho uma família abençoada. As pessoas me admiram e me respeitam, por conhecerem minha postura. A postura de ter carinho com quem me admira, mas sempre tendo uma relação de respeito mútuo.
Lagoinha.com: O futebol, infelizmente, tem perdido a característica de esporte arte, e tem sido conhecido como o esporte violento. E isso se estende além campo. No último jogo entre Cruzeiro e Atlético, segundo o site Gazeta do povo, torcedores protagonizaram cenas de violência em BH, tendo como ocorrência mais grave, a morte de Lucas Batista, de 20 anos, ao ser atingido por um tiro no pescoço. Há sempre muitas brigas, uma rivalidade que nem mesmo há entre os próprios jogadores fora de campo. Você acha que há a necessidade de um maior incentivo por parte dos clubes, em geral, promovendo a paz, por meio de campanhas institucionais?
Fábio: A maioria dos jogadores convive super bem. Temos amizade com vários jogadores do Atlético Mineiro, que são os nossos maiores rivais dentro de campo, mas infelizmente o torcedor não vê dessa forma. Creio que as autoridades devem investir mais e fazer algo para conseguir neutralizar as ações de pessoas que vão aos campos no intuito de fazerem o mal, e não para torcerem. Infelizmente já saem de casa com a convicção de que o legal é brigar, atrapalhar a alegria dos outros.
Lagoinha.com: O que você tem feito no sentido de contribuir com essa causa?
Fábio: O que tenho feito é tentado passar que a rivalidade só existe dentro de campo. A minha amizade com outros jogadores do Atlético Mineiro é um exemplo disso. Sempre que tenho a oportunidade estou junto deles dando entrevistas para provar que não há briga, e é isso que queremos que o torcedor observe: temos profissionalismo, mas que podemos ser amigos fora de campo. É assim que tem que ser. É como numa família, onde pessoas diferentes torcem por times diferentes, mas não deixam de ser amigos. Mas infelizmente nem todos pensam assim.
Lagoinha.com: João Leite foi um dos precursores do asteamento da bandeira dos atletas de Cristo no Brasil. Mas temos outros exemplos, o goleiro, Taffarel, os jogadores, Euller, Kleber, Jorginho, Gilmar, e um dos mais recentes, Márcio Araújo, Kaká e por aí vai. Como você se vê contribuindo para levar o nome de Cristo ao universo do futebol?
Fábio: Com minhas atitudes primeiramente. Desde quando me converti venho tentando melhorar naquilo que eu era antes. Nas atitudes que eu tinha dentro de campo, nas palavras que eu lançava dentro da partida. Hoje eu tento incentivar, passar sempre a tranquilidade de estar com Deus aos meus companheiros, mesmo dentro da partida, independentemente da dificuldade, pois Deus sempre irá nos auxiliar. Quando tenho a oportunidade de estar em reuniões, ou sou convidado a dar meu testemunho vou às igrejas, falo do que Deus fez em minha vida, da transformação que passei.
Lagoinha.com: Muitos crentes evangélicos acham que o futebol, ou mesmo o esporte, não são de Deus. Você já passou por alguma situação constrangedora com alguém nesse contexto? Você ouve coisas do tipo: vai fazer outra coisa da vida, Deus não está nisso aí?
Fábio: Não, graças a Deus. Mas já ouvi o próprio João Leite, em oportunidades que tive de estar com ele, contando que no começo de sua vida cristã as dificuldades eram imensas, e o preconceito era muito grande, mas que com Jesus ele conseguiu superar. Foi algo que ele me passou como experiência, pois se um dia vivenciar isso, terei a consciência e a tranquilidade de buscar em Deus as respostas.
Lagoinha.com: O que você diria a essas pessoas?
Fábio: Todo o trabalho que for correto e honesto, e sem prejudicar ao próximo é de Deus. Deus se alegra, ainda mais se você dá toda honra e glória a Ele.
Lagoinha.com: Você já ganhou vários títulos, tais como Campeonato Mineiro, Copa América (Seleção), Campeonato Carioca, Copa do Brasil, Campeão Mineiro de Juniores, Sul-Americano-sub 17, Campeão do Mundo sub-17. Não podemos esquecer o Troféu Tele Santana, duas vezes campeão. São provas da sua competência e reconhecimento do seu trabalho. Mas ainda tem um título que você ainda não conquistou e que é um sonho, o da Libertadores da América, conforme você mesmo declarou em entrevista coletiva recente ao site Uai. Como você encara os seus sonhos? Como você se prepara no intuito de tê-los realizados?
Fábio: Eu almejo ganhar a Taça Libertadores da América para exaltar cada vez mais Deus em tudo o que Ele tem feito em minha vida. O meu sonho, lógico, como o de todos os jogadores do Cruzeiro é ganhar a Libertadores que nos dará a possibilidade de disputar o Mundial, que o Cruzeiro ainda não tem. Quando eu tenho um sonho, tento trabalhar em prol desse sonho “com os pés no chão”, sabendo que cada vez mais é o Senhor que tem que receber toda a honra e toda a glória.
Lagoinha.com: O Brasil tem uma promessa de que os estádios de futebol serão espaços que ficarão lotados para eventos voltados a adoração, celebração e cultos a Deus. Como você se vê entrando nos campos para adorar?
Fábio: Seria um sonho realizado. Deus certamente se alegraria muito com nossa atitude de adorá-lo verdadeiramente. Encher os estádios para adorar ao Senhor seria algo inesquecível para todos que tiverem a oportunidade de viver isso. Espero que esse dia chegue logo.
Lagoinha.com: Uma pergunta que nunca vai se calar em nossas entrevistas. Qual é o maior desafio da sua vida como cristão e profissional?
Fábio: O Caminho é estreito. O maior desafio é o de nos mantermos firmes e por mais que nos esforcemos, não chegamos nem perto da perfeição, mas temos um Deus de misericórdia. Sabemos que em cada momento que colocamos nosso joelho no chão ele renova nossas forças nos fazendo prosseguir.
E em ser profissional, eu prefiro só agradecer, pois Deus me deu a oportunidade, desde de criança, de fazer o que eu gosto, de estar numa grande equipe, de ser reconhecido, então eu só tenho que agradecer a Ele.
Lagoinha.com: O que é mais difícil no momento da defesa. Pensar no que vai fazer, ou acreditar que a defesa conseguirá realizar o papel que lhe cabe? É uma reação automática?
Fábio: Estamos preparados a todo o momento. Estamos sempre posicionados, tentando facilitar a defesa, simplificando ao máximo. Já estamos com esse momento em mente, às vezes a bola muda um pouco de direção, e é preciso mudar de posicionamento. Nos treinamentos temos a oportunidade de nos aperfeiçoar cada vez mais .
Lagoinha.com: Já finalizando, creio que os nossos internautas gostariam de saber o que o goleiro Fábio faz nos momentos de descanso. Já descobri que você tem uma bateria eletrônica. Como você se diverte?
Fábio: Sou bastante caseiro. Gosto de assistir a filmes. É uma maneira de eu ficar com minha família, minha esposa e filho, conversando, brincando com eles. Assim passo os momentos de descanso.
Lagoinha.com: Fábio, deixe uma mensagem final para os nossos internautas.
Fábio: Quero que todos sigam, cada vez mais, para o alvo que é Jesus, independentemente das dificuldades, das coisas que estão acontecendo, ou as que virão. Persevere em Cristo e as respostas virão, não em nosso momento, mas no momento de Deus, mas com certeza a vitória será certa.
Ping-Pong
Infância: feliz.
Adolescência: momento de aprender.
Juventude: pouco distante.
Futebol: profissionalismo.
Trabalho: amor.
Time do Coração: o time de Deus.
Um time que ainda quer jogar: sou feliz no Cruzeiro.
Um sonho que ainda deseja realizar: Deus coloca tudo no momento exato em minha vida, Ele sabe.
Música: Gospel, escutando muito Gisele Cristina.
Jesus: o caminho, a verdade e a vida – sem ele não há vida.
Deus: Pai soberano.
Espírito Santo: Nos unge e nos capacita em momentos que a gente acha que não vai superar.
Futebol é arte: sob os preceitos de Deus, com certeza.
Um jogador: Taffarel, em quem me espelhei bastante.
Um técnico: Adilson Batista.
Filho: um presente de Deus.
Família: rocha.
Fábio por Fábio: servo.
Trajetória de Fábio
Títulos: Copa do Brasil 2000 (Cruzeiro); Campeonato Brasileiro 2000 (Vasco); Copa Mercosul 2000 (Vasco); Campeonato Carioca 2003 (Vasco); Campeonato Mineiro 2006; Campeonato Mineiro 2008.
Convocações Seleção Brasileira: Sub-17; Sub-20; Sub-23 e Principal.
Títulos com a Seleção Brasileira: Campeonato Sul-Americano Sub-17 (1997); Campeonato Mundial Sub-17 (1997); Copa América 2004 – Peru.
::Por Vanessa Freitas
vanessa.freitas@lagoinha.com
::Foto: Luciano Buchacra.




