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Prática do zelo

Estudo de Célula

Referência bíblica: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2Timóteo 1.7).

Exposição do texto: Paulo deixou Timóteo como líder na igreja de Éfeso. Paulo estava preso, provavelmente já condenado à morte e mesmo assim não deixou de orientar o jovem e tímido pastor que tinha um desafio enorme em uma das igrejas mais atacadas pelos falsos mestres.

Discussão:

1- Você já teve uma responsabilidade que pensou ser maior do que poderia se responsabilizar?

2- Sua timidez (ou sua ousadia excessiva) já te deixou em situações constrangedoras?

Objetivo: perceber o equilíbrio emocional em situações de responsabilidade, especialmente na proclamação do Evangelho de Jesus Cristo.

Contexto: Timóteo era um jovem pastor, não se sabe sua idade ao certo. É provável que tivesse menos de 30 anos, e isso diante da sociedade pesava demais. Além de sua pouca idade, ele era tímido. Talvez, quando afrontado de alguma forma, ele recuasse e se fechasse. Some isso aos frequentes ataques dos falsos mestres à sã doutrina e também à perseguição romana que estava iniciando contra os cristãos, sendo Paulo prisioneiro por causa desta última.

O desafio estava lançado. Timóteo fora consagrado pastor de Éfeso (1Tm 1.3; 4.14). Seu mentor estava preso, e agora a responsabilidade de conduzir a igreja efésia em meio à perseguição e contra as heresias era dele. Então, ele lê na carta de seu mentor, amigo e pai na fé: “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. Em situações de responsabilidade, a covardia pode se manifestar. E essa covardia começa em uma forma mais branda chamada timidez. Porém, a timidez não deixa de ser igualmente perniciosa. O tímido recua com os desafios, com a exposição, com o confronto. Ele se encolhe, não se manifesta, não participa, e de tímido passa para covarde. Aquele que não faz o que deveria fazer não se mantém em sua posição, não persevera e não tem paciência. Em casos críticos, paralisa ou foge. Como, então, abandonar a covardia?

Primeiro: coragem é dom de Deus. Quando Paulo fala que Deus nos deu espírito de poder, a palavra que ele usa é a mesma de quando Jesus fala que os discípulos receberiam poder quando o Espírito viesse no Pentecostes. A palavra grega ‘dunamiv’ (‘dunamis’, de onde vem ‘dinamite’) tinha um propósito quando Jesus a disse: para ser testemunha ou mártir (martuv; martus). Ou seja, isso significa que só é possível sermos testemunhas de Jesus pelo poder do Espírito Santo atuando em nós. E mais: devemos buscar esse poder apenas para esse fim. Devemos buscar o Espírito Santo com o interesse de sermos testemunhas de Jesus. E, buscando o Espírito Santo dessa forma e para esse propósito, Ele nos encherá com a virtude da coragem. Essa coragem é o remédio contra toda timidez e covardia, que nos dá paciência, perseverança e firmeza não apenas para suportar as circunstâncias, mas especialmente para auxiliar outros na jornada cristã. Então, mais do que uma virtude para nós, é uma virtude para os outros.

Segundo: coragem com moderação. A moderação ou domínio próprio é também uma virtude dada pelo mesmo Espírito de Deus. Ela é quem regula um possível excesso de ousadia ou coragem. Na verdade, é essa virtude do domínio próprio que impede a coragem de virar temeridade e imprudência. É a moderação que assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade, ou seja, é o controle sobre nossos impulsos, apetites e desejos, sendo, portanto, a principal virtude que impede um prazer de se transformar em um vício (pecado). É a moderação que funciona como uma espécie de disciplina na vida, um equilíbrio emocional e espiritual, em que a pessoa tem a capacidade de reagir corretamente e, principalmente, de se manter controlada.

Terceiro: amor. Nenhuma dessas virtudes funciona sem o amor, a maior de todas as virtudes. O amor se traduz no serviço afetuoso e com abnegação, prestado aos irmãos. Nem tanto carinho, nem palavras, “mas de fato e de verdade” (1Jo 3.18). Amor é uma escolha e também um mandamento. Não temos opção: ou servimos abnegadamente a nossos irmãos, tanto no fazer quanto no que pensamos dos irmão, ou então não conhecemos Deus (1Jo 4.20). Amar é não pensar em si em primeiro lugar, mas pensar nos outros prioritariamente (Jo 15.13). “No entanto, seria um erro pensar que o caminho para se obter o amor consiste em sentar-se e tentar fabricar bons sentimentos. Certas pessoas são “frias” por temperamento; isso pode ser um azar para elas, mas é tão pecaminoso quanto ter problemas de digestão, ou seja, não é pecado. Isso não lhes tira a oportunidade nem as exime do dever de aprender o amor. A regra comum a todos nós é perfeitamente simples. Não perca tempo se perguntando se você ama o próximo ou não; aja como se amasse. Assim que colocamos isso em prática, descobrimos um dos maiores segredos. Quando você se comporta como se tivesse amor por alguém, logo começa a gostar dessa pessoa. Quando faz mal a alguém de quem não gosta, passa a desgostar ainda mais dessa pessoa. Já se, por outro lado, lhe fizer um bem, verá que a aversão diminui” (C. S. Lewis, Cristianismo Puros e Simples).

Conclusão: o objetivo de Paulo escrever a Timóteo era que ele não se intimidasse em proclamar o Evangelho (2Tm 1.8). E Timóteo não se intimidou. Antes, permaneceu firme, inclusive, indo parar na prisão por causa do Evangelho (Hb 13.23). E você? Será que você tem sido testemunha de Jesus até as últimas consequências ou recua para ser aceito ou para não zombarem de você? Você tem usado sua ousadia de qualquer maneira ou tem sido moderado e sábio? Será que você tem amado o irmão de fato e de verdade, ou seu amor é apenas para parecer superior a ele?

Aplicação: se você chegou à conclusão de que a timidez e a covardia têm ganhado força em sua vida, ore a Deus neste momento e peça ajuda para ter coragem, tendo convicção de que o amor Dele invadirá sua vida, expulsando todo o medo (1Jo 4.18).

:: Bruno e Renata Arruda

Se você deseja mais informações a respeito do estudo de células, ligue para o pastor Flavinho (31) 98793-77.