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Relacionamento com o mundo

Estudo de célula do Jornal Atos Hoje- 14/01/2007

Relacionamento com o mundo

A Bíblia diz em Tiago 4.4: “Infiéis, {Infiéis; no original, adúlteros, isto é, os que são desleais para com Deus} não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” Por isso, o  relacionamento com o mundo é algo muito delicado para nós, os cristãos. Vivemos em uma contra-cultura, remamos contra a correnteza do mundo. Ao mesmo tempo que procuramos evitar o pensamento desse sistema mundano que aí está, que jaz no maligno (1Jo 5.19; Jo 16.11), temos que nos relacionar com as pessoas desse mesmo mundo. Somos “o sal da terra…” (Mt 5.13.) e “a luz do mundo…” (Mt 5.14).

1. Cuidados que devemos tomar nesse relacionamento:

1.a. Deixar bem clara nossa identidade espiritual
Deus não fez de nós agentes secretos, Ele nos fez testemunhas. Se ele tem agentes secretos, essa não é a nossa função. Essa identificação serve tanto para a nossa proteção, como também para facilitar nossa missão. É verdade que existem situações em que o sigilo deve ser mantido por causa da segurança pessoal. Isto deve acontecer num contexto onde o Evangelho é proibido de ser pregado, onde ser crente ou manifestar a fé é um “crime”, ou situações similares. Sendo assim, apesar do sigilo, estaremos sempre procurando uma brecha para compartilhar nossa fé. Graças a Deus não é o nosso caso no Brasil.

1.b. Tomar cuidado com o que falamos na presença do não crente
O Salmista impôs uma disciplina a si: “Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua; porei mordaça à minha boca, enquanto estiver na minha presença o ímpio.” (Salmos 39.1.) Muitas vezes somos descuidados ao falar na presença de não crentes e acabamos comprometendo nosso testemunho e também comprometendo outros irmãos, a Igreja, o Corpo de Cristo, e até o nome do Senhor. Tiago diz: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!  Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.” (Tg 3.2-6.)

1.c. Cuidado no Trabalho
Horário de trabalho não é tempo para se pregar com palavras, é tempo para se pregar com atitudes gentis, disposição no serviço sem reclamação, transmitindo alegria, sendo leal com os colegas, mas, também, com o patrão. Efésios 6.5-8 nos exorta: “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus;  servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada  um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.
Também os patrões devem cuidar para que tratem bem seus empregados conforme Paulo diz no verso 9: “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.

2. Nossa missão para com o mundo

Paulo fala em 2 Timóteo 4.2, o seguinte: […] “prega a palavra, insta, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” Aqui Paulo diz que devemos “instar” que significa: pedir, rogar com insistência, como se aquela fosse a última oportunidade para quem prega ou para quem ouve. Alguém disse: “Pregarei hoje como se fosse a última vez, como moribundo a moribundos”. Precisamos ter restaurada em nós essa consciência da urgência, pois, não nos pertence saber o tempo e as estações em que as coisas vão acontecer (At 1.7). Essa nossa ignorância do tempo deve ser uma fonte de estímulo para essa urgência da pregação. Paulo ainda continua no texto: “quer seja oportuno, quer não”. Algumas vezes, o medo de sermos inoportunos nos impede de pregar a Palavra. Só quem pode nos fazer dosar isso é a sabedoria do Espírito, nunca o medo. A versão Revista e Corrigida traduz que devemos pregar “a tempo e fora de tempo”.
Em 1 Coríntios 9.16, o apóstolo faz uma declaração muito forte sobre nossa missão: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!”. Em Romanos 1.14, Paulo coloca nossa missão como uma dívida que temos “tanto a gregos como a bárbaros tanto a sábios como a ignorantes”.Em nossa relação com o mundo sempre nos equilibraremos em duas verdades contrapostas: ao mesmo tempo, somos separados do mundo e temos que testemunhar a ele.

Por:Pr Paulo Cezar Ferreira
Rede Restauração da Lagoinha