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Sofrimento que aperfeiçoa a alegria da santidade

Foto: pixabay.com

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Referência bíblica: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”. (Jo 42.5)

Exposição do texto: este é um dos versículos mais famosos do livro de Jó. E é uma afirmação poderosa, dita somente por alguém que teve uma profunda transformação da parte de Deus. E a maioria de nós sabe que a experiência que Jó teve foi de um sofrimento que poucos já experimentaram na vida. De uma vez, ele perde sete filhos e três filhas, sete mil ovelhas, três mil camelos, cerca de mil bois, quinhentas jumentas, além de boa parte dos seus servos. Tudo isso aconteceu em um mesmo dia (Jo 1.13-19). Pouco tempo depois, teve uma doença que lhe feriu todo o corpo (Jo 2.7). Tanto sofrimento e sem uma causa justa, já que Jó tinha testemunho do próprio Deus de que ele era justo, íntegro e reto. Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? O que está por trás do sofrimento? E como devemos nos relacionar com Deus nos momentos de grande sofrimento?

Discussão

1) Você já passou por um grande problema que de fato abalou sua fé em Deus?

2) Você já teve questionamentos a respeito da vida e em especial do sofrimento aos quais não obteve respostas?

Objetivo: perceber que nem todo sofrimento é fruto de pecado e também que Deus usa o sofrimento para nossa santificação.

Contexto: uma coisa é viver uma tragédia repentina. Outra é sofrer a mesma dor por semanas, meses e até anos. Por que a fé e a reverência de Jó não foram recompensadas com uma rápida cura de sua doença? Em Jó 7.2-3 ele diz que isso já tinha meses. Jó não tinha mostrado que Deus era seu tesouro mais precioso, mais precioso do que a própria saúde? Então, por que Deus não restaurou a sorte de Jó? Os meses miseráveis de Jó começam em 2.11, quando Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, três amigos de Jó, ouviram falar de todo esse mal que lhe havia acontecido e foram visitá-lo. Quando eles o avistaram de longe, não o reconheceram. Antes, levantaram suas vozes e choraram, e rasgaram as suas vestes e jogaram pó sobre as suas cabeças clamando aos céus. Ainda, sentaram-se com ele na terra sete dias e sete noites, e ninguém falou uma palavra, pois viram que o seu sofrimento era muito grande.

O primeiro momento de conversa começa por causa do desabafo de Jó no capítulo 3. Após os sete dias de silêncio (provavelmente semanas de sofrimento), ele amaldiçoa seu nascimento. As semanas de dor implacável tinham abalado a serenidade de Jó, e ele agora questiona a Deus. Jó não consegue entender a razão de ter nascido ou por que sua vida foi preservada se ele viria a ter tanta miséria. É claro que isso é um protesto contra Deus, porque ele mesmo disse: “O Senhor dá e o Senhor tira” (1.21). Ao longo de todo o texto do livro, a partir do capítulo 3 até ao final do capítulo 31, se desenvolve uma discussão cada vez mais acalorada entre Jó e seus amigos, na qual Jó tentava justificar sua situação perante eles.

O quadro é claro:

Jó pensava que Deus estava sendo injusto com ele, pois não tinha pecado.

Elifaz, Bildade e Zofar pensavam que Jó tinha pecado. Algum pecado oculto e que Deus, que tudo vê, estava castigando-o por isso.

Mas será que as coisas são tão fechadas assim na vida?

Primeiro: a justa retribuição existe, mas não é uma regra para tudo. A relação de Jó e de seus amigos com Deus era baseada no pensamento da justa retribuição. Basicamente, consistia no pensamento de que Deus abençoa apenas os que são bons e que Ele duramente castiga os pecadores. Esta é chamada de teologia da retribuição. A grande dificuldade e dilema de Jó eram que ele também pensava como seus amigos, e que estava em dificuldades. A sua teologia não respondia coerentemente à sua crise, e Jó se achava injustiçado por Deus. Jó começa a refletir sobre sua condição e conceitos teológicos. Mesmo que, a princípio, de forma arrogante, ele começa a enxergar que Deus também pode abençoar até mesmo aqueles que negam Seus caminhos (Jó 21.7-14). Além do próprio Jó, ao final do livro entra um personagem mais jovem que os demais, Eliú, mostrando uma realidade ainda mais ampla a respeito do retribucionismo: “Se você pecar, em que isso O afetará? Se os seus pecados forem muitos, que é que isso Lhe fará? Se você for justo, o que Lhe dará? Ou o que Ele receberá de sua mão?” (Jó 35.6-7). Leia também Jó 36.22-26. Vemos que Deus em nenhum momento acusa Jó de mentir ou nega que ele seja inocente. Mas Deus mostra que as coisas não são tão reducionistas quanto ele e seus amigos pensam. Para Jó, a lógica era simples: se ele era inocente, então, Deus seria injusto por fazê-lo sofrer tanto e imerecidamente. E é aí que Jó se põe em xeque: ou ele assume o ser igual a Deus ao tentar determinar como vai agir ou não, ou se rende à soberana e livre vontade do Todo-Poderoso. Portanto, tome cuidado ao analisar as causas de uma catástrofe na vida de alguém. Nem sempre a causa é o pecado. Deus pode mexer em coisas que nem nós e nem a própria pessoa conseguimos perceber. Porém, Ele continua sendo bom.

Segundo: aproveite seu sofrimento para ser santo. O sofrimento de Jó não foi apenas uma ocasião para Deus obter glória sobre Satanás (cap. 1 e 2), foi também uma ocasião para Deus aprofundar a visão, a santidade e a confiança de Jó. A principal lição para nós a partir do livro de Jó é que os filhos de Deus podem de fato sofrer. E esse sofrimento não se trata de castigo pelo pecado. Cristo sofreu o castigo por nossos pecados, e não há dupla penalização. O sofrimento dos filhos de Deus não é a aplicação rígida de um princípio de justiça retributiva. É a aplicação livre do princípio da graça soberana. Nosso Pai Celeste nos escolheu livremente desde antes da fundação do mundo, Ele nos regenerou livremente pela obra do Espírito Santo, nos justificou gratuitamente pelo dom da fé salvadora, e Ele está agora santificando-nos livremente pela Sua graça, por meio do sofrimento, de acordo com Sua infinita sabedoria. O sofrimento não é dispensado à toa no meio do povo de Deus. É distribuído para nós individualmente, de forma especial, pela mão amorosa de nosso grande Mestre. E Seu objetivo é que a nossa fé possa ser refinada, a nossa santidade possa resplandecer e nosso Deus seja glorificado.

Conclusão: a santificação vale qualquer dor na Terra. Mas, se isso não parece óbvio, provavelmente, é porque não abominamos o pecado e não apreciamos a santidade como deveríamos. Muitas vezes, o cristão sofre porque Deus está refinando a santidade do Seu povo. Existe sabedoria por trás da aparente arbitrariedade do mundo, mas ela está escondida do homem. Vemos por espelho em enigma, mesmo a partir de uma perspectiva do Novo Testamento (1Co 13.12). Mas a fé sempre afirma que não importa o quão caóticas e absurdas as coisas possam parecer para a nossa visão limitada, elas são, na verdade, táticas de sabedoria divina infinita. Por um lado, não há nenhuma realidade maior do que Deus com a qual podemos julgar as ações de Deus. Mas, por outro lado, quando dizemos a frase: “Deus é bom e sempre faz o que é certo”, Ele quer que isso tenha um significado maior do que simplesmente: “Deus é Deus”.

Ele quer que vejamos que Seu poder não é utilizado de forma caprichosa, arbitrária e irracional. Antes, quer que vejamos que o Seu poder é usado com propósito e para o bem.

Aplicação: identifique em seu GC se alguém tem vivido essa realidade de sofrimento. Estabeleça com seu GC um período de oração por ele. Jó 42.10: “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos”.

:: Renata e Bruno Arruda

Para mais informações a respeito do estudo de células, ligue para o pastor Flavinho (31) 98793-7701.