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A música é seu estilo de vida

Conheça Patrícia Valadão, pianista consagrada dentro e fora da igreja. O seu amor à música inspira e contagia

PATRICIA 1Nossa igreja é um celeiro de músicos. Patrícia Valadão Almeida de Oliveira é um desses. Em novembro, ela teve rápida participação no congresso dos Gideões. Como um cometa, louvou, encantou a plateia e voltou para os bastidores. Vimo-la voltar à cena no Natal, quando se apresentou regendo o coro infanto-juvenil da nossa igreja. Patrícia Valadão é filha de Flausino de Almeida e Vera Lúcia Valadão de Almeida, esta, irmã do pastor Márcio, e é casada com Juraci Gonçalves de Oliveira. Patrícia é bacharel e mestre em piano, cravista e, atualmente, professora efetiva da Escola de Música da UFMG. Ela já se apresentou em praticamente todos os estados brasileiros, bem como, nos Estados Unidos, Argentina e Portugal, trabalhando com renomados maestros, cantores e instrumentistas nacionais e internacionais, e tocando como convidada em orquestras de diferentes lugares. Em entrevista exclusiva, Patrícia conta de seus primeiros anos na carreira, a chegada a Belo Horizonte e opina a respeito de música instrumental na igreja.

AH – Desde quando você está envolvida com o piano e com música? 

PATRÍCIA – Meu pai iniciou seus estudos de piano e logo comprou o instrumento para quando seu primogênito nascesse o incentivasse ao estudo da música. Então, aos três anos de idade, minha curiosidade fez com que ele me levasse à sua classe de música, que era apenas para adultos. Ele assentava comigo nos últimos bancos da sala de aula para prevenir qualquer reação normal de criança, mas eu ficava quietinha prestando atenção em tudo. A professora de música, Márcia Fagioli, vendo meu interesse, começou a passar atividades para mim. Aos quatro anos, minha mãe me alfabetizou, pois eu queria muito aprender a ler a Bíblia e também entrar para a escola de música. Minha casa sempre foi musical. Lembro-me de acordar ao som de discos de quartetos vocais tradicionais, tais como, Voz da Profecia, Arautos do Rei, e de sinfonias, concertos, além de minha mãe cantando hinos. Desde criança sempre fui envolvida nos trabalhos da igreja. Na primeira infância participei da bandinha na Igreja Presbiteriana do Bairro Bom Retiro de Ipatinga, minha terra Natal. Quando tinha nove anos de idade, nosso pastor foi transferido para outra igreja. Como a esposa do novo pastor não tocava piano, recebi o convite para assumir o órgão, acompanhando os cânticos durante os cultos, casamentos, velórios e o coral que meu pai regia. Foi uma tarefa muito árdua para uma criança, pois tinha que estudar muito para aprender as músicas. Mas não me importei em trocar as bonecas
pelas teclas. Aos 18 anos de idade, minha família se mudou para Belo Horizonte. Passada a fase de adaptação à cidade grande, recebi o convite do maestro Robinho para integrar o Coro e Orquestra El-Shamah. Tanto Robinho quanto o maestro Sérgio Gomes foram importantes para o meu crescimento musical e técnico.

AH – Atualmente, qual sua função na igreja?

PATRÍCIA – Atualmente lidero o Coro Infanto-Juvenil da IBL e também o quinteto vocal da melhor idade, ao qual meu pai faz parte, e ajudo minha tia Ângela Valadão no Ministério Gideões 24 Horas, na parte musical. Também estou iniciando um projeto que visa incentivar nossa geração ao aprimoramento técnico musical e gosto pela música instrumental. Sei que o primeiro instrumento musical do homem é a voz, mas nosso Deus gosta da diversidade nas atividades musicais, por isso, capacitou o homem a criar os mais diferentes instrumentos musicais. Em locais onde a Palavra, muitas vezes, não entra, a ministração por meio do som instrumental pode se fazer presente. É a oportunidade que cada um de nós tem para colocar a nossa própria letra, nosso pedido, nosso louvor, nosso agradecimento e nossa súplica. Esse projeto terá o suporte de um site (www.patriciavaladao.com.br) em que apresento algumas músicas comentando sobre a obra no seu valor espiritual, técnico, musical e composicional. Também haverá um novo quadro dentro do programa “Os Gideões”, a partir do mês de fevereiro, serão apresentadas obras musicais instrumentais para que possamos adorar ao Senhor.

1 - PV_MAOSAH – A música instrumental é conhecida nas igrejas? Se não, por quê?

PATRÍCIA – Tive uma experiência incrível nos dias 2 e 3 de novembro passado, em nossa igreja, tocando piano durante o congresso dos Gideões. Já tive o privilégio de tocar em tantas salas de concerto maravilhosas, mas essa experiência me fez refletir a respeito do que posso fazer para incentivar esta geração cristã ao aprimoramento musical, a fim de adorarmos com excelência ao Senhor. Há seis meses comecei a fazer arranjos para piano de hinos que marcaram minha vida. Então, a tia Ângela concordou em levarmos para a igreja um piano de concerto cedido pela Vianna Pianos, e realizarmos música instrumental de adoração. Naquela noite de sábado, e durante todo o domingo, cerca de 14.000 pessoas, fora as que viram pela TV e Internet, tiveram as mais diversificadas experiências com a música instrumental ao vivo. Foi nítido que todos fomos abençoados e tocados nesses momentos especiais. Creio que a música instrumental com excelência é automaticamente valorizada e absorvida.

AH – Quais suas sugestões para o emprego da música instrumental na igreja?

PATRÍCIA – Ela pode ser empregada em momentos diversos da celebração: antes do início e ao final do culto, nos momentos de oração, dízimos, apelo, durante a pregação e em um momento em que as pessoas estarão apenas ouvindo. Ou seja, ela pode ser tanto um pano de fundo das palavras ou mesmo a protagonista. Deus habita no meio dos louvores, então, quando produzimos um som e este se propaga por meio de ondas sonoras, sabemos que Deus está presente e vai atingir a mim e a você.

AH – Como é para você trabalhar com música dentro e fora da igreja? 

PATRÍCIA – Desde pequena ouço a mamãe dizer: “Deixe a luz do Senhor brilhar. Lembre-se que você está fazendo para Ele”. E meu tio, pastor Márcio, sempre diz: “Floresça onde estiver plantado”. Por causa disso, sempre reverti as palmas e os elogios que recebo para Deus, pois tenho certeza que é somente por intermédio da Sua misericórdia que cada dedo se movimenta no momento e na força correta.

AH – O nível musical do brasileiro caiu bastante nos últimos anos, sobretudo, pela popularização de músicas excessivamente simples, sem qualquer desafio para os músicos. Como você vê isso? 

PATRÍCIA – Tem um ditado antigo que diz: “para cada panela existe uma tampa”. Normalmente, ele é empregado para casais, mas podemos relacioná-lo também à música. Nossa ligação a um determinado gênero musical está atrelada ao nosso conhecimento musical, cultura, limitações técnicas e ao que costumamos absorver no dia a dia. Dessa forma, existirá um público específico, ouvinte e executante, que se sentirá confortável para cada manifestação musical. Nosso Brasil, que nos seus primórdios sofreu grande influência musical europeia, africana e, logo depois, norte-americana, possui um vasto território que permite rica exploração rítmica, melódica, instrumental e de manifestações musicais. Por isso, é uma nação rica de possibilidades musicais. Temos obras e músicos de grande valor, que são exportados para o mundo. Junto a toda essa riqueza encontramos também obras sem o menor cuidado e requinte musical, bem como, músicos que estagnaram. O cuidado necessário é o do não conformismo e da acomodação. O músico tem que se aprimorar, crescer e gerar frutos. Deus, por meio da Sua Palavra, nos mostra o quão detalhista é e o quanto trabalha na excelência. A função do músico na igreja é a de se preparar também com excelência dentro do seu estilo próprio, seja ele popular ou erudito. Este resultado pode ser alcançado via ensaios, preparo técnico individual, domínio da voz ou do instrumento, trabalho de equilíbrio sonoro individual ou em grupo, entendendo cada um a sua função. Assim, poderemos escolher um estilo musical não pela limitação, mas por opção. A igreja, como nossa casa e verdadeiro celeiro musical, desempenha um papel muito importante para esse crescimento ao oferecer incentivo para que o músico desenvolva e aplique suas habilidades.

Para contatar Patrícia, e-mail: valadão.patricia@gmail.com

Fotos: Jean Assis

:: Atilano Muradas