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Abe Huber: um pastor de células

Em entrevista, o pastor fala a respeito de células e ministérios de maneira clara e prática

Abe huberEntre os dias 20 e 23 de março, nossa igreja recebeu o pastor Abe Huber como preletor do Congresso de Células. Seus sermões simples e recheados de experiências fortes indiscutivelmente impactaram toda a igreja. O pastor Abe é líder de uma das maiores igrejas do Brasil, a Igreja da Paz, em Santarém, Pará, e que também está com igreja em Fortaleza. Em Santarém, já são quase 70 mil membros e, em Fortaleza, perto de 9 mil. Para nossa feliz coincidência, o pastor Abe Huber é nascido em Belo Horizonte (MG), filho dos missionários norte-americanos, Melvin e Catarina Huber. Ele cursou o Columbia Bible College, na Carolina do Sul, EUA, onde se formou em Teologia com especialização em missiologia.

Em 1982, Abe iniciou o pastoreio da Igreja da Paz Central em Santarém (PA). No período de 1993 a 2000, a Igreja da Paz de Santarém saltou de 400 para aproximadamente 8.000 membros, de 12 para mais de 800 células. Em 2004, já eram 2.000 células e, hoje, mais de 6.000 células. Como especialista em células e discipulado, o pastor Abe já viajou vários estados do Brasil e países como Estados Unidos, Argentina, Chile, Japão, Mongólia, Mianmar e continente europeu. O pastor Abe Huber, 54 anos, é casado com a pastora Andréa Huber, com quem tem três filhos, Priscilla, David e Daniel. Em entrevista exclusiva ao Atos Hoje, ele responde questões fundamentais relacionadas a células e ministérios.

Atos Hoje – Sabe-se que a Igreja da Paz, hoje, tem quase 70 mil membros em células. Em que local vocês acomodam todas essas pessoas para os cultos de celebração?

Pr. Abe – Nosso prédio antigo não cabia mais do que 1.500 pessoas, mas temos muitos outros prédios. No domingo fazemos sete cultos no prédio antigo, só nesse dia temos 61 cultos de celebração distribuídos em 29 auditórios, e em todos eles é a mesma pregação. Pastores diferentes, mas pregando a mesma mensagem. Todavia, estamos construindo um prédio que terá um auditório para 12 mil e outro para 9 mil pessoas sentadas. Cremos, no entanto, que, devido ao crescimento da igreja, quando esses prédios forem concluídos os outros também continuarão a ser utilizados para cultos.

Atos Hoje – Na visão celular existe lugar para existência e atuação dos ministérios?

Pr. Abe – Com certeza, existe lugar para os ministérios. A nossa igreja em Fortaleza tem 986 células e também ministérios. Paralelamente, temos vários ministérios: com empresários, surfistas, presidiários, de jovens, adolescentes, de crianças, um instituto social para crianças carentes, etc. Em Santarém a mesma coisa. Não vejo o trabalho em células como algo que prejudique os ministérios ou os ministérios como algo que possa prejudicar as células. Temos que andar de mãos dadas e um cooperar com o outro. Eu encorajo as pessoas a dedicarem uma noite por semana para a célula e as outras noites para outras coisas, inclusive, os ministérios.

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Atos Hoje – Todos que participam de ministérios também participam de células?

Pr. Abe – Sim, mas lembrando que eles fazem isso sem ninguém forçar. Participam porque foram contagiados pela visão de que também precisam ganhar vidas para Jesus e cuidar bem delas. É por meio das células que eles têm essa plataforma para fazer isso. Os irmãos que têm o ministério de trabalhar com presidiárias, por exemplo, abrem células dentro da penitenciária. Eles ganham as presas para Jesus, batizam e cuidam delas. Hoje, estamos com 10 células fortes numa penitenciária em Fortaleza, com 30 mulheres sendo discipuladas. Todos os ministérios, seja com casais, com crianças, não possuem razão para não terem pessoas envolvidas em células. O segredo é ter sabedoria.

Atos Hoje – Como trabalhar com pessoas que não têm um chamado específico para ganhar almas, que gostam apenas de cuidar de vidas dentro da igreja?

Pr. Abe – A dificuldade de trabalhar em células é quando começamos a enxergá- la apenas como mais um ministério da igreja quando, na verdade, ela é a própria igreja. Se precisar, fazemos células até de madrugada para acomodar alguma pessoa. Nós temos células para universitários que funcionam às 23 horas. No fundo, todo cristão tem o desejo de ganhar vidas e cuidar bem delas. A grande comissão “Ide e fazei discípulos” é para toda a Igreja e não somente para alguns. Não temos que ter um chamado específico para isso. Portanto, uma vez que o cristão terá essa oportunidade sem atrapalhar o ministério específico dele, ele deve se envolver também com o ganhar vidas. Todo cristão autêntico quer ganhar e cuidar de vidas. Se o irmão no seu ministério ganha alguém para Jesus, ele deve levar essa pessoa para alguma célula, para que ela possa ser cuidada.

Atos Hoje – Todas as células da sua igreja são por afinidade? (crianças, casais novos, solteiros, etc)

Pr. Abe – Sim e não. Não há problema quando surgem células por afinidade. O surgimento de células é muito natural. Vou dar um exemplo com as células novas que temos, que são as dos lutadores de artes marciais. Eles se reúnem por afinidade, mas quando começam a ganhar os seus vizinhos e amigos, as células que formam não são mais apenas de lutadores; mas células mistas.

Atos Hoje – No sistema celular, o que fazemos com aqueles que já são pessoas antigas na igreja, que já sabem bastante da Bíblia e do Evangelho? Existe um material de estudo específico para essa classe da igreja?

Pr. Abe – Tendo em vista que os antigos de igreja estão no paradigma anterior, eles sempre desejam ir à célula para aprender algo novo. A célula não é lugar apenas para ouvirmos. No culto de celebração a gente vem para ouvir, enquanto na célula crescemos ouvindo e falando, compartilhando. É quando falo que cresço. Para crescer, todo cristão tem que ouvir e também falar. Quando o cristão começa a trazer seus amigos não evangélicos para a célula é que ele começa a se realizar como crente. Quando começa a ganhar e discipular pessoas, o cristão velho de igreja fica empolgado não por que está aprendendo algo profundo, mas por que está frutificando.

Foto: Atilano Muradas

:: Atilano Muradas