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Beto Andrade: talentos múltiplos honrando ao Senhor

Mineiro, casado, 29 anos, Beto Andrade dispõe de vários talentos: toca violão, compõe, canta e dá aulas de música na igreja. Por ser barítono, possui um timbre de voz marcante que o caracteriza como um cantor de estilos bossa-nova e regional. Beto Andrade emociona a todos que o ouvem, tanto por sua voz como pela intimidade com o violão e pelas composições e arranjos que lhe foram concedidos por Deus. É autor de mais de 100 composições incluindo arranjos para outros grupos. Nesta entrevista Beto Andrade fala sobre sua vida, suas experiências com Deus e seu ministério.

Lagoinha.com: Sei que você teve grandes experiências com Deus. Compartilhe algumas delas.

Beto: Minhas experiências com Deus foram marcantes, entre elas a minha conversão. Nasci em Belo Horizonte, mas houve uma época em que eu e toda a minha família fomos morar em Belém do Pará. Por motivo de trabalho, meu pai foi transferido para esta cidade. Até então eu não conhecia Jesus. Foi difícil tanto espiritual como psicologicamente, pois, assim como em todo lugar diferente, existe dificuldade de adaptação. Mas após algum tempo, retornamos a BH. Minha mãe passou a freqüentar uma igreja evangélica chamada Bete Shalom. Foi exatamente nesta época que eu conheci o Amado da minha alma, Jesus. A primeira igreja que eu freqüentei e fui membro juntamente com minha mãe, foi a Igreja Batista Nacional Ágape, cujo pastor é o Pedro Augusto Balbino. Aos 10 anos de idade fui me familiarizando com os adolescentes e depois com a mocidade onde comecei a cantar e a participar de várias atividades da igreja.

Lagoinha.com: Beto Andrade: antes e depois de Jesus.

Beto: Quando estamos na fase da adolescência, não temos muita percepção dos perigos da vida. Eu sempre vivia de uma maneira que para mim tudo estava bom, tudo estava legal. Mas depois que conheci a Jesus e experimentei do próprio Jesus, passei a compreender que existe uma real diferença em tê-Lo ou não. E foi maravilhoso, pois O tenho!

Lagoinha.com: O que mais te marcou nesta época?

Beto Andrade: Aos 11 anos de idade comecei a me envolver com a música, não totalmente. Antes de cantar e tocar, eu sempre gostei de desenhar. Tinha muita inspiração para fazer desenhos do corpo humano. Entretanto quando me deparei não estava só fazendo o corpo humano, mas também uma forma demoníaca. Desenhava várias caricaturas de criaturas monstruosas. Esses desenhos me deixavam confuso, pois ao mesmo tempo em que eu sentia prazer em desenhá-los, também sentia vontade de jogá-los fora. Só que, infelizmente, durante algum tempo, boa parte desses desenhos ficaram guardados comigo. Nessa época fui muito perturbado pelo inimigo. Creio que esses desenhos influenciaram, inclusive, no meu comportamento dentro de casa, visto que me tornei um jovem extremamente rebelde com os meus pais. E mesmo estando dentro da igreja, em um grupo de louvor, eu vivenciava o pecado, pois não havia compromisso em mim.

Lagoinha.com: Como você conseguiu se livrar desses desenhos demoníacos?

Beto: Foi logo após ter passado por uma horrível experiência. Um dos monstros que eu desenhava apareceu diante de mim. Estava em uma discoteca e me senti incomodado naquele lugar. Sendo assim, voltei para a minha casa. Quando estava a caminho fui tomado por um medo muito grande aponto de sentir plenamente a presença de dois demônios, um à minha esquerda e outra à minha direita. Estando fraco espiritualmente, não encontrei forças para clamar pelo nome de Jesus, mas a minha mãe, já clamava em meu favor. Naquele instante ela sentiu que havia algo errado comigo. Ao chegar me deparei com algo horrível. Na laje da minha casa estava um demônio. O formato dele era o mesmo dos desenhos: musculoso, cabeça pequena – como o de uma criança, tinha voz de criança e me perguntava o que estava acontecendo comigo e se eu já havia chegado. Era como se fosse uma pessoa me recepcionando. Foi pior, foi o próprio demônio!

Lagoinha.com: E depois dessa experiência?

Beto: Assim como Jó, passei por várias provações. Muita coisa me aconteceu. Um fato que gostaria de ressaltar foi quando a minha mãe teve uma visão comigo. Nesta visão Deus havia dito a ela que se eu não mudasse o meu comportamento, a minha conduta e a minha vida, Ele iria tirar de mim o que eu mais amava fazer: cantar. Muita coisa iria acontecer comigo. Tudo por conseqüência da vida inútil que eu levava. Cristo foi o maior responsável pela transformação de minha vida!

Lagoinha.com: Como começou o seu ministério de louvor?

Beto: Desde a minha adolescência foi crescendo em mim o desejo de cantar e tocar. Um dia peguei um violão emprestado, entrei no quarto dos meus pais, olhei para o alto e disse: "Senhor me ensina a compor, a tocar, me ensina a Te agradar e a Te louvar…" Foi algo tremendo e com o passar do tempo Deus foi me aperfeiçoando, eu não sabia nenhum acorde e para quem crê em Deus sabe que foi um milagre. Veio os meus primeiros acordes e junto com eles o dom de compor. Foi, então, que o Senhor Jesus me deu a primeira música: "Eu sei que Ele virá" (1984). O Espírito Santo me levou a produzir algo que eu nunca tinha feito antes! Bênção pura!

Lagoinha.com: Você é autor de mais de 100 composições. Fale da inspiração no momento em que você compõe.

Beto: Todo o músico cristão precisa buscar a inspiração que vem direto do Trono do Pai. Precisa ser sensível a voz do Espírito Santo. O músico insensível à voz de Deus encontra dificuldades na hora de compor uma canção. A sensibilidade é um sentimento maravilhoso e edificante. O músico adquire, em Deus, a liberdade para falar do amor, pois ele passa a vivê-lo. Tudo fica mais transparente, mais claro.

Lagoinha.com: Por que você não gravou ainda o seu CD solo?

Beto: Eu até tive um convite para gravar um CD. Mas como é Deus quem dirige todos os meus passos e toda a minha vida, Ele ainda não permitiu. Creio que vou estar gravando um CD em breve, mas tudo está na direção de Deus.

Lagoinha.com: Então como fica a divulgação de suas composições?

Beto: Divulgar nosso trabalho é muito importante. É necessário. Pode até acontecer de alguém te descobrir, te lançar no mercado. Mesmo tocando e cantando as músicas que “tocam” o coração de Deus, é preciso ter patrocínio para que toda a divulgação aconteça de uma maneira bem sólida. Até nisso espero em Deus.

Lagoinha.com: Fale de sua vinda para a Igreja Batista da Lagoinha.

Beto: Foi uma mudança bem radical. Fui membro da Igreja Batista Nacional Ágape por 18 anos. Sempre amei todos os irmãos daquela igreja e continuo amando, parece que agora até os amo mais! Sinto muitas saudades do Pr. Pedro Balbino e do Pr. João Biagini são irmãos que eu aprendi a respeitar, a admirar e a amar. Só que Deus já tinha um propósito para mim. Em alguns períodos da minha vida comecei a me sentir “incomodado”. Só que eu não estava entendendo. Passado algum tempo achei melhor sair. Todos compreenderam. Gosto de enfatizar que o ministério do Senhor não se limita a quatro paredes. O meu ministério não era somente para a Ágape. Deus tinha algo mais!

Lagoinha.com: Conte-nos como aconteceu sua integração no El Shamah.

Beto: Comecei a participar dos cultos da IBL. Alguns de meus amigos sabiam que eu cantava e compunha. Eles me convidaram para cantar em alguns cultos da igreja. No início eu apenas ensaiava com eles. Numa sexta-feira, no culto da pastora Alaélcia, eu estava “passando o som” (termo usado pelos músicos) quando percebi que alguém estava me observando. Eu perguntava para Deus o que estava acontecendo. Senti Deus falar ao meu coração a seguinte frase: "Parte do presente que eu tenho para você começa agora"! Não esperava que fosse fazer parte do El Shamah. Eu não conhecia aquela pessoa que estava me observando e na semana seguinte, ao entrar no culto, essa pessoa se apresentou para mim como sendo "Robinho" – Robson de Oliveira do El Shamah, dizendo que gostaria muito de conversar comigo. Passado uma semana ele me chamou para fazer um teste. Fiquei sem acreditar, foi tudo muito rápido. O teste aconteceu no domingo. Ele me pediu para cantar uma música. Fechei os olhos (pois havia muita gente na sala) e comecei a cantar a música "Em Espírito, em Verdade". Quando terminei o Robinho simplesmente me disse: "Gente, esse aqui é o Beto Andrade! Beto seja bem vindo ao El Shamah, aquele ali é o seu lugar".

Lagoinha.com: Para as gravações ao vivo, o Ministério de Louvor Diante do Trono conta com a participação do El Shamah Coro e Orquestra, Coral Kerygma, de integrantes de vários grupos de louvor da igreja e de outras pessoas que se agregam ao coral para trabalhar. O que significa essa participação para você?

Beto: Ter sido escolhido por Deus é um privilégio para nós. Estar à frente de uma multidão de adoradores que busca o mesmo que eu: estar diante de Deus, é um presente de amor do nosso Pai.

Lagoinha.com: Você já participou de eventos dentro ou fora de Minas?
Beto: Em Minas eu já participei de alguns festivais de músicas e, em 1996, eu fiz uma apresentação com o grupo “Estados D’Alma”, artes cênicas, no Teatro ICBEU, em Belo Horizonte. Foi Roberto Andrade e Amigos. O evento se chamava “Princípio” e contou com a participação dos “meninos” da Banda Filho. A minha participação neste evento foi como um começo, daí o nome “Princípio”. No El Shamah, temos solicitações dentro e fora de Belo Horizonte.

Lagoinha.com: Fale do valor de sua família para o seu ministério.

Beto: Família é um projeto de Deus. Eu sou casado, tenho uma esposa maravilhosa, na verdade ela é uma linda flor chamada Gardênia que Deus colocou no meu jardim! É legal isso, porque família é um momento muito íntimo e de muita harmonia. Deus é tudo para mim e Ele colocou a minha família como chavão do meu ministério. Eu devo muito aos meus pais pelo incentivo deles. O meu pai e os meus irmãos sempre me apoiaram e a minha mãe está sempre intercedendo. É muito bom saber que aqueles que são de casa, valorizam este trabalho.

Lagoinha.com: Você se sente realizado? Qual é o seu maior sonho? O que falta conquistar?

Beto: Eu me sinto realizado, sim e não. Sim porque tenho Jesus, e não, pois nem todos de minha família são convertidos ainda. O meu maior sonho é vê-los se rendendo aos pés do Senhor. O que me falta conquistar é o que Deus sonhou hoje para mim.

Lagoinha.com: Fale de Roberto Andrade e projetos.

Beto: Deus tem me mudado muito, com toda certeza eu não sou mais o Beto que eu era. Falar da gente mesmo é complicado! Às vezes nos acostumamos a falar só das qualidades, mas eu vou dizer uma coisa, sou repleto de defeitos, porém Deus tem tratando com cada um deles. Tenho sido moldado, lapidado. Tive uma vitória muito grande de poder deixar ser ensinável. Magoei muitas pessoas com a minha rigidez e frieza. Era muito fechado, não aceitava que ninguém me ensinasse. Achava-me auto-suficiente. Mas, apesar de todos os meus defeitos, eu me considero uma pessoa muito legal e amiga. As pessoas podem chegar, estou sempre sorrindo, gosto muito de conversar. Quero manter a comunhão. Em relação aos projetos, atualmente trabalho na igreja dando aulas de violão, tocando em casamentos e dando aulas na Escola de Profetas Carisma – aulas sobre louvor e adoração. Pretendo fazer mais uma apresentação, com as músicas que o Senhor tem me concedido, com a participação de vários amigos, entre eles, o El Shamah e o pessoal do Diante do Trono. O que vai acontecer eu não sei, Deus é quem sabe!

Ana Paula Costa.
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