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“Chorei tanto que fui parar no ambulatório da igreja”, relembra Bauxita

O Museu Brasileiro do Futebol em BH foi o ponto de encontro com o cantor e comentarista esportista Ronald Messeder, o “Bauxita”. O ambiente foi mais do que oportuno para relembrar os momentos da bancada do Programa TV Alterosa e dos comentários produzidos durante o 98 Futebol Clube. E de esporte o comentarista tinha muito a falar, afinal, esta é a semana de estreia do programa “Super Esporte” na Rede Super de Televisão, o qual apresentará junto ao colega Fred Bolivar.

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Embora o clima de esporte estava no ar, a conversa que o cantor escolheu para prolongar foi sobre a conversão vivida há nove meses. Segundo Bauxita, ele estava prestes a cometer um suicídio quanto foi resgatado por Jesus. “Tinha uma visão ruim dos evangélicos e fazia críticas, até o dia que entrei na Lagoinha e arrepiei todo. Chorava tanto que não conseguia me conter. Derramei tantas lágrimas que fui parar no ambulatório da igreja.

 Você disse que estava com o “ego completamente inflamado” quando conheceu Jesus. Comente esse momento.

Quando digo “ego inflamado”, refiro-me a maneira que vivia. Enfrentava uma ilusão no mundo das drogas. Estava em um estado de muita soberba e me achava “o cara”. Parte deste sentimento é por que vim de um lar em que muito “novo” a minha família dizia: “Esse menino é um artista”, “Ele canta demais”, “Esse cara vai arrebentar”. Então, passei a acreditar em tudo isso. A partir do momento que tive o contato verdadeiro com Jesus, vi que Ele mesmo sendo maior, se fez o menor. Entendi que isso é a base de tudo.

Temos que, ao pé da palavra, se humilhar e ser menor e nunca achar que a gente é “melhor” ou “pior” do que o nosso irmão, mas que somos iguais. Tenho essa consciência hoje e não me vanglorio de nada, porque sei que a glória é de Deus. Hoje vejo que as coisas aconteceram muito rápido na minha vida, como na vida do apóstolo Paulo que um dia estava matando os irmãos e no outro dia pregando o evangelho. Não que me compare a Paulo, mas também vejo a obra do Senhor em mim.

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Mudar os velhos hábitos foi ou ainda está sendo difícil?

O abandono das drogas foi uma libertação muito grande que vivenciei. Logo no momento que conheci Jesus, dois dias depois já não usava mais nenhum tipo de droga. Deus me deu uma libertação instantânea. As pessoas ficaram em dúvida, porque para deixar as drogas geralmente exige um processo árduo e longo. Por isso, muita gente duvidava e achava que eu estava apenas em um processo de abstinência, mas, na verdade, tudo aquilo já não fazia mais parte da minha vida.

Quando me converti, fui muito a fundo em Deus. Mergulhei nas orações, na leitura da Palavra e no jejum. Praticamente perdi 17 quilos, não apenas pelo jejum, mas por que percebi que precisava substituir minha antiga vida por uma totalmente diferente. Substituí o Diabo por Jesus. Deixei as drogas e me envolvi nos esportes. Hoje corro 3 a 4 vezes por semana, 10 km em cada uma das corridas. Nado 1.700 metros duas vezes por semana. Achei que essas novas práticas seriam apenas uma fase, mas continuo no mesmo ritmo desde que me converti.

Você é um músico muito conhecido no cenário do rock mineiro. O que os fãs acharam da sua conversão?

Não dá para agradar a todos. Muitas pessoas do espaço “secular” criticaram, enquanto outros gostaram. Ouvi frases como “O cara converteu, é maluco”, “Agora ele vai ganhar dinheiro como músico”, como se esse fosse o objetivo. A verdade é que eu estava perdido e fui salvo. Jesus me resgatou e é isso. Propus-me a obedecer a Deus. Nada do que tenho feito hoje foi programado por mim. Tinha uma visão ruim dos evangélicos e fazia críticas, até o dia que entrei na Lagoinha e me arrepiei todo. Chorava tanto que não conseguia me conter. Derramei tantas lágrimas que fui parar no ambulatório da igreja. Caí no chão mesmo, desfaleci. Entendo que o que aconteceu comigo foi um “resgate”, pois estava prestes a cometer suicídio.

Abandonar as antigas interpretações para as novas canções é um desafio?

Entendo que Deus não quer 30%, 60% ou 99,9%, ou é 100% ou é nada para Deus. Precisamos ser quente ou frio, morno Ele vomita. Tenho esse entendimento, mas antes não compreendia muito bem. Tocava em várias bandas na noite. Era uma das minhas formas de sobreviver financeiramente. Com o tempo, passei a ficar incomodado em tocar em bares onde as pessoas estavam fumando e bebendo. O Espírito Santo começou a me incomodar. Então, tive que deixar tudo aquilo.

Passei por uma experiência também maravilhosa: a esposa do Thalles Roberto não me conhecia e começou a perguntar às pessoas quem era o Bauxita, e uma delas disse: “Ele é o cara do rock”. Depois ela disse ao Thalles que o “rock havia se convertido”. Quando ele me contou isso, fiquei impressionado e vi que Deus queria fazer algo comigo relacionado à música. Desde então, eu, que era apenas intérprete, passei a compor também.

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E por falar em compor, vem por aí um novo CD. É isso mesmo?

Sim. O CD “Novo de Novo” que pretendemos lançar em novembro no Culto Fé, tem muitas composições minhas. O André Valadão e o cantor Israel Salazar fazem participação neste álbum. Em breve divulgaremos a data oficial de lançamento. O Bruno, que trabalha comigo, tem um chamado lindo para abrir uma clínica de recuperação para dependentes químicos, e o nosso objetivo é que por detrás do CD haja uma clínica. Já temos CNPJ e ganhamos um lote para construir o espaço. O nosso sonho é que seja a primeira clínica terapêutica para mulheres em Contagem.

Sua vida é bastante dividida entre a música e o esporte, mas qual delas é a que mais se destaca?

Quando criança queria ser jogador de futebol, tenho um amigo do Skank, o Samuel Rosa, que tem uma história parecida. Cheguei a jogar futebol de salão. Fazia testes, mas como não tinha habilidade, era reprovado. Queria ser jogador futebol, mas não tinha jeito, porque era excluído das escalações. Cheguei a jogar em times pequenos, mas depois vi que a música foi muito mais forte em minha vida.

Comecei a perceber que tinha facilidade com a música. Imitava personagens muito bem e tinha habilidade para alterar a voz. Gostava da extensão que tinha as cordas vocais e fazer brincadeiras com elas. Passou a surgir em mim um amor muito grande pela música. Pensei: “Vou para a música, porque no futebol não teria muito futuro (risos)”.

Durante muito tempo você foi um dos comentaristas da “98 Futebol Clube”, programa muito conhecido entre os mineiros. A frase “Chupa bauxita” ainda faz parte da sua rotina?

Acho que agora é “Ora Bauxita” (risos). Olha essa frase “Chupa Bauxita” nunca me incomodou, porque sempre levei o futebol de forma esportiva. Não sou jornalista, sou simplesmente apaixonado pelo futebol e por esporte em geral. Todo mundo sabe da minha paixão pelo meu clube. Fui convidado para participar da 98, que explora mais essa questão do humor. Acabou que eu brincava demais, zoava e também aceitava o contrário. Por isso, nunca me incomodou o “chupa bauxita”. Inclusive, brincava com essa frase nos shows que fazia como músico. Enquanto passava de uma música para a outra, muitas vezes a plateia gritava: “chupa bauxita”.

Muita gente ficou feliz e muita gente reclamou quando deixei o 98 Futebol Clube para fazer o programa de música 98.Br. Sempre critiquei o futebol do jogador e não o jogador do futebol. Até por que tenho muitos amigos no esporte e respeito a todos.

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Na última segunda-feira (6) estreou o novo programa “Esporte Super”. Você será um dos apresentadores. Como está se sentindo regressando ao trabalho de comentarista de futebol?

Só aceitei voltar a falar de futebol porque é o meu grande amigo Bolivar que ficará na bancada do atlético e porque torcemos para o mesmo time: Jesus. É isso que nos une e nos faz respeitar um ao outro. É também esse o motivo que nos leva a falar de futebol de uma maneira diferente, sem embate, mas edificando vidas. Sem gerar um clima negativo. O objetivo principal é levar a Palavra e evangelizar. Mesmo que do outro lado da TV, tenha alguém nos assistindo com camisa preta e branca ou azul e branca, eles são nossos irmãos em Cristo em Jesus. Falaremos não só do futebol, mas também de outros esportes, embora o nosso foco seja futebol. Ainda mais que os times mineiros estão em ótima fase. O Atlético campeão da Libertadores e o Cruzeiro prestes a ser campeão brasileiro novamente.

Fotos: Raíssa Sossai

:: Érica Fernandes