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Cirurgia plástica: informar é preciso – Ivo Pitanguy abre o

Segundo estatísticas realizadas, o Brasil é o segundo país no ranking de cirurgias plásticas. Em pesquisa realiza pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e divulgada pela revista Veja (edição 1741, de 6 de março de 2002) em sete anos, desde a edição do Plano Real, o número de cirurgias plásticas realizadas no país, cresceu 250%. Conforme ainda pesquisa realizada pelo cirurgião plástico Volney Pitombo, a média de idades daqueles que recorreram ao tratamento também caiu, o que demonstra que cada vez mais cedo as pessoas estão recorrendo a este expediente. O cirurgião aponta que em duas décadas, a idade média dos brasileiros diminuiu 20 anos. Nos anos 80 a média de idade era de 55 anos. Nos anos 90, caiu para 40 anos. No ano 2000, a idade abaixou para 35 anos. A pesquisa foi também divulgada na revista.

Numa sociedade onde, cada vez mais, valoriza-se a beleza a qualquer preço, é cada vez maior o número de pessoas que recorrem ao bisturi para conseguir um corpo perfeito. Desinformadas muitas vezes, essas pessoas procuram ajuda de profissionais, na maioria dos casos, desqualificados. Contudo, há exceções. É o caso de Ivo Pitanguy, hoje o ícone da cirurgia plástica.

O Dr. Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy é membro das mais importantes sociedades de cirurgia plástica e associações médicas, tanto brasileiras como estrangeiras, bem como de outras organizações culturais e ecológicas. Ele é também professor titular do curso de pós-graduação em cirurgia plástica, vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e ao Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas e diretor da Clínica Ivo Pitanguy, uma instituição particular que tem atendido pacientes de todas as partes do Brasil e do mundo por mais de 30 anos. É autor de mais de 800 trabalhos publicados em revistas científicas do Brasil e do exterior, e de prefácios e capítulos de livros.

Nessa entrevista que ele concedeu gentilmente ao Portal Lagoinha.com, ele fala da necessidade da segurança no tratamento de cirurgia plástica, dos avanços tecnológicos, dos riscos e perigos, dos objetivos do tratamento, e muito mais. Confira.

Lagoinha.com: Dr. gostaria que o senhor desse algumas dicas para uma cirurgia com segurança.
 

Dr. Ivo: A paciente que deseja se submeter à uma cirurgia plástica deve estar à par de todo o procedimento que será realizado, colaborando com seu cirurgião antes e depois do ato cirúrgico, garantindo assim o melhor resultado. É importante realizar a cirurgia com um bom profissional, que tenha uma equipe médica capacitada, em um centro médico com todos os recursos para uma anestesia segura. Procure saber se seu médico é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (S.B.C.P.).

Lagoinha.com: Existem novas técnicas que estão revolucionando e facilitando a vida do paciente?
 

Dr. Ivo: A medicina está em constante evolução. As técnicas existentes são aperfeiçoadas, e novas abordagens são propostas, sempre com o máximo cuidado de garantir a segurança do paciente, respeitando a ética médica. A finalidade de qualquer cirurgia é de minimizar o trauma cirúrgico ao paciente e otimizar os resultados. A ampla divulgação da cirurgia plástica pela mídia, detalhando os progressos técnicos, avanços tecnológicos, e a conseqüente evolução dos resultados geraram pacientes cada vez mais exigentes. Por outro lado, o especialista não deve se esquecer dos princípios que norteiam a boa relação médico-paciente, procurando conhecer profundamente a personalidade do paciente, que muitas vezes pode apresentar queixas de natureza física que acabam encobrindo um componente emocional significativo.

Lagoinha.com: Comente sobre erro médico, os perigos de uma cirurgia mal sucedida.
 

Dr. Ivo: Legalmente, define-se erro médico, como aquele ato que incorre em pelo menos um dos três quesitos: imprudência, imperícia ou negligência. Caso haja suspeita de alguma dessas situações, o caso deve ser avaliado pelo Conselho Regional de Medicina que fará o julgamento e tomará as medidas cabíveis, caso sejam necessárias. Mais uma vez deve-se procurar informações sobre a formação de seu médico especialista. O profissional médico deverá ser fiel ao cumprimento do Código de Ética Médica (CEM), que representa as normas e leis especiais que regem a atividade médica. O CEM vigente, datado de 1988, afirma que o tratamento completo do indivíduo não envolve apenas o lado biológico, mas deve incluir a perfeita integração do ser humano, tanto social como politicamente, em seu meio. Assim, o relacionamento médico-paciente está perfeitamente configurado e regulamentado no CEM.

Lagoinha.com: A pessoa somente deve fazer uma cirurgia se precisar? E no caso da vaidade, por exemplo?
 

Dr. Ivo: A cirurgia plástica tem como objetivo proporcionar harmonia e bem-estar a pacientes portadores dos mais variados tipos de deformidades, resgatando a sua auto-estima, devolvendo a sua imagem íntima e promovendo a reintegração do indivíduo ao seu grupo social. A importância da especialidade vem crescendo significativamente, influenciando as relações pessoais, sociais, e até políticas. A cirurgia é uma das formas possíveis de tratamento de que a medicina dispõe e deve ser realizada apenas quando indicada.

Lagoinha.com: Quais os principais riscos de uma cirurgia plástica?
 

Dr. Ivo: São, basicamente, os riscos de quaisquer cirurgias, acrescentando a isso a importância de se esclarecer o processo de cicatrização, a posição e extensão das cicatrizes, e da possibilidade de se atingir a expectativa do paciente. Em cirurgia plástica, como em qualquer especialidade cirúrgica, todos os aspectos inerentes à uma operação devem ser abordados com o paciente, tais como as possíveis intercorrências, as complicações e a possibilidade de insatisfação com o resultado.

Lagoinha.com: A cirurgia de pálpebras pode ser feita juntamente com a do rosto?
 

Dr. Ivo: Sim, isso é possível e bastante freqüente.

Lagoinha.com: Se a pessoa fizer a de pálpebras primeiro, o preço cai quando fizer a do rosto?
 

Dr. Ivo: O preço de duas cirurgias pode ser reduzido no caso de ambas serem feitas no mesmo tempo operatório, devido à ocupação da sala de cirurgia por menos tempo e de necessidade de apenas uma internação.

Lagoinha.com: Qual é o tempo de recuperação de uma cirurgia de rosto?
 

Dr. Ivo: É variável entre os pacientes, sendo os pontos retirados até 10 a 14 dias. O paciente deve permanecer em repouso domiciliar por este período. Até completar três meses, deve-se evitar exposição solar. A partir de então, o paciente começa a ter uma atividade normal, incluindo práticas esportivas.

Lagoinha.com: O implante de silicone nos seios é 100% seguro? Existe o risco de o silicone se romper?
 

Dr. Ivo: Os implantes de silicone nas mamas sofreram intensa melhora tecnológica desde a sua criação, sendo hoje muito mais seguros e dotados de gel coeso, que restringe sua disseminação caso haja ruptura do implante.

Lagoinha.com: Quais os cuidados necessários pós-cirurgias?

Dr. Ivo: Depende da cirurgia realizada. Deve-se atentar para cuidados com relação à dieta, esforços físicos, exposição ao sol, uso de medicamentos e cremes, tabagismo, curativos e retirada de pontos, temperatura ambiente, entre outros. Seu médico deve esclarecer todos os cuidados a serem tomados, tanto antes como depois da cirurgia.

Lagoinha.com: Os resultados estéticos das cirurgias plásticas têm um tempo médio de “durabilidade”?
 

Dr. Ivo: De um modo geral, os resultados das cirurgias plásticas bem realizadas trazem resultados de longo prazo, que dependem não somente da técnica utilizada, mas principalmente do próprio organismo do paciente. A popularização da cirurgia estética tem conduzido alguns setores da mídia a considerar a profissão do cirurgião plástico, algumas vezes, de forma inadequada. A responsabilidade ética do cirurgião plástico é como a de qualquer outro médico. Compreender os anseios do paciente, e entendendo em profundidade estes desejos, o cirurgião busca resolvê-los dentro das limitações impostas pelas restrições técnicas e pela própria constituição física do paciente. Estas limitações devem ser expostas claramente ao paciente, fazendo com que desta interação entre médico e paciente surjam possibilidades concretas.