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Conheça um pouco “Mais” sobre os Arrais

Quem os vê assim ao longe, já sabe que a dupla paulista, André e Tiago Arrais, não é muito comum, seja pelo estilo musical ou pela poesia enraizada nas canções. Com o estilo folk/acústico, eles cantam a Bíblia, com graça e muita simplicidade. Os Arrais ainda são pouco conhecidos no Brasil, embora tenham alcançado o primeiro lugar de vendas no Itunes com o último álbum “Mais”.

A propósito, o CD foi lançado no Brasil, enquanto eles estavam nos Estados Unidos estudando teologia. A Bíblia sempre está em primeiro lugar na vida da dupla, que não abre mão de colocar em cada canção a Palavra de Deus. Segundo eles, o propósito é que mais pessoas conheçam a Verdade.

Os arrais nos EStados Unidos

Tiago e André gravando o clipe “17 de janeiro” nos Estados Unidos

Lagoinha.com: Em uma entrevista, vocês afirmam que não buscam trazer um novo estilo musical, mas suas canções inovam claramente no cenário da música cristã. De onde vem a inspiração para o ritmo dos Arrais?

Arrais: De fato, nossa intenção primária com a música não é trazer um novo estilo musical, mas ensinar a Palavra, com toda a sua inerente beleza, pela poesia e canção. Isto não significa que o aspecto musical não seja importante. Pelo contrário, na Bíblia, verdade e beleza são inseparáveis. O conteúdo é comunicado pela forma. Por causa disso, também damos importância ao aspecto musical e por mais que no cenário brasileiro nossas músicas possam parecer novidade, neste estilo folk/acústico, nos EUA onde vivemos, o estilo é bem conhecido.

Esse é o estilo de música que ouvimos desde pequenos. E por mais que não exista nada “novo debaixo do sol” isso não nos impede de cantar ao Senhor “um cântico novo.” Buscamos originalidade na composição de melodias, harmonias, etc. Porém, somos humanos, e por isso, temos diversas influências musicais, dentre elas: Andrew Peterson, Andy gullahorn, Sara Groves, Michael card, etc.

Lagoinha.com: Como está a adesão da Igreja quanto as suas canções?

Arrais: Não sabemos (risos). Temos a tendência (não intencional) de lançar nossos CDs sem estarmos no Brasil. Foi assim no 1º CD chamado “Introdução,” e no lançamento de “Mais” não foi diferente. Por estarmos fora do Brasil, não temos um feedback direto, pessoal. Temos apenas relatórios, muitos e-mails, testemunhos e baseado nessas informações, temos certeza que Deus tem guiado tudo, mesmo na nossa ausência.

É sempre uma surpresa agradável retornar ao Brasil, depois de um tempo de lançamento do CD, e ver com nossos próprios olhos o que Deus fez e faz em nossa ausência. É emocionante. É a prova divina de que o poder reside na Palavra, e não em nós, veículos humanos. Nunca foi nosso plano estar fora do Brasil ao lançarmos nossos CDs, não é o ideal, mas é confortante pensar que de alguma maneira a mensagem vai adiante de nossa imagem. O foco acaba ficando mais no conteúdo, e não em nós. E gostamos disso.

ARrais e Daniela Araújo

Os arrais e Daniela Araújo

Lagoinha.com: “Mais” tem a participação da voz magistral de Daniela Araújo, além da divulgação do cantor Leonardo Gonçalves. Fale um pouco sobre a ligação de vocês com o casal?

Arrais: Somos muito gratos a Deus pelo Léo e Dani. Temos certeza absoluta que se não fosse pelo apoio e amizade deles, o lançamento de “Mais” teria sido bem diferente. Conhecemos o Léo antes da Dani, anos atrás. Congregamos na mesma denominação e temos uma roda bem semelhante de amigos. Para falar a verdade, nem lembramos quando foi que de fato conhecemos formalmente o Léo. Mas com os anos, nossa amizade tem crescido, nosso respeito e apoio pelo trabalho um do outro tem criado raízes. E não meramente pelo aspecto musical, mas pela visão de ministério, pela imaginação do que a música pode ser e não somente pelo que ela é.

Eu (Tiago) colaborei no CD do Léo (Princípio e Fim) com duas canções, e participei do CD novo da Dani também. A Dani participou do nosso cantando (com sua voz magistral, risos) e o Léo participou na parte de pós-produção (mixagem e masterização). Em outras palavras, temos um respeito muito grande pelo casal e pela postura séria que ambos têm com relação ao Reino. Não vemos nosso futuro musical sem a participação direta ou indireta deles. Mas a amizade, oração e apoio são as melhores contribuições que continuamente trocamos.

Lagoinha.com: Além do álbum ser totalmente inspirado em textos da Bíblia, como o Cd “Mais”, que é baseado no livro de Romanos 8.37, as letras são profundas e trazem um toque de poesia. O tempo de estudo de teologia nos Estados Unidos tem cooperado para isso?

Arrais: Sem dúvida. Temos o privilégio de estudar a Bíblia dia e noite na universidade! E o ambiente acadêmico ajuda para que o conteúdo que estudamos tanto em sala de aula, como pessoalmente, seja solidificado em nossa vida. Tanto eu como o André somos frutos do estudo da Palavra. Se existe alguma coisa boa naquilo que produzimos, isto não vem de um talento extraordinário que reside em nós, mas é resultado da operação do Espírito em nossa vida por meio da Palavra. É resultado da educação verdadeira, enraizada no “assim diz o Senhor,” e não apenas em filosofias humanas. Somos muito gratos a Deus pela oportunidade e privilégio que Ele nos deu de estudar e nos prepararmos ainda mais para servir o Reino, uma vez que terminarmos nossa temporada nos Estados Unidos.

Lagoinha.com: Falta um pouco de Bíblia nas músicas evangélicas da atualidade?

Arrais: Sim e não. Tudo depende da definição de “Bíblia.” Se definirmos Bíblia apenas como informação Bíblica… não falta. A maioria das músicas evangélicas tem “informação” Bíblica, e é essa “informação” que as fazem seres consideradas músicas “evangélicas”. Informação não transforma, mas conhecimento de Deus, que procede de tempo na Palavra, tempo aplicando a Palavra na vida, vulnerabilidade diante da Revelação de Deus, transforma sim. Assim, se nossa definição de “Bíblia” for conhecimento Bíblico, que provém de estudo, de aplicação na vida, de tempo; sim, isto falta muito nas músicas de hoje. Meu irmão e eu temos uma regra básica ao compormos nossas canções (dentre outras regras): nunca escreva uma música que não contém uma história, uma música que não podemos explicar. Isso nos ajuda a não escrever músicas simplesmente por escrever. Se não temos algo a dizer, não escrevemos.

arrais

Lagoinha.com: No Blog dos “Arrais”, vocês informam que o lançamento do álbum seria independente, quando receberam a proposta da Sony Music como gravadora. Como tem sido deixar o anonimato para tornar um grupo conhecido nacionalmente?

Arrais: Conhecido nacionalmente? Ah! Não sei se estamos “lá” ainda. Mas sem dúvida, grande parte do motivo de termos assinado com a Sony, era a possibilidade da Sony colocar nosso CD em todos os cantos do país, e pelo iTunes, no mundo! E é necessário esclarecer o que isto significa. Nossa intenção em ter o CD em todos os lugares, não está ligada ao nosso ego, ou a algum anseio secreto de ter sucesso, renome, mas sim ligada ao simples fato de nosso CD estar disponível para qualquer pessoa no mundo.

Lagoinha.com: O sucesso do lançamento do álbum “Mais” no Itunes foi uma surpresa?

Arrais: Sem dúvida! Lembro que quando o CD saiu no iTunes, meu irmão e eu oramos agradecendo a Deus pelo privilégio de ter mais um projeto lançado, um projeto que Ele poderia usar para conduzir as pessoas a uma experiência mais profunda com a Palavra. Somos muito gratos ao Léo, a Dani, ao Duca Tambasco e a turma do Oficina G3, a todos os amigos, familiares e ouvintes que divulgaram o lançamento nas primeiras horas. Pois, se não fossem por eles, o resultado teria sido diferente. Nunca, nem por um segundo, imaginamos que nosso CD chegaria ao top 10, muito menos ao top 3, e MUITO menos ao 1o lugar. Quando ficamos sabendo, demos muita risada e agradecemos a Deus! Agradecemos não pelo fato de chegarmos ao 1o lugar, pois realmente isso não nos interessa, mas pelo fato de que MUITAS pessoas teriam acesso ao nosso CD por esse motivo. Um CD que fala do começo ao fim sobre o Cristo da Palavra.

Lagoinha.com: Das dez canções gravadas do último álbum, nove são de autoria própria da dupla. Como é compor em família?

Arrais: Na verdade, não compomos juntos. Tanto eu como meu irmão compomos separadamente nossas músicas. Mas uma vez que o primeiro esboço da música está pronto, nosso trabalho junto começa. Opiniões, recomendações, questionamentos, edições, são fundamentais para que as canções alcancem um nível que acreditamos ser satisfatório. E trabalhar juntos é muito gratificante. Gostamos muito das músicas um do outro, e somos referência um para o outro. Hoje em dia uma música nunca é terminada sem o outro ouvir, editar, questionar, cortar, adicionar!

Os arrais 2

Lagoinha.com: Como começou o vínculo de vocês com a música? Vem desde o berço?

Arrais: Nossa família é bastante musical por parte da minha mãe. Temos um primo envolvido com música em Natal (RN) chamado Victor Queiroz, que faz um bonito trabalho por lá. Nossa mãe sempre cuidou de conjuntos e corais na igreja e assim, a música sempre esteve presente em nossa vida. Mas foi só mais tarde que começamos a tocar instrumentos diferentes, cantar em corais e conjuntos, e finalmente compor. Fizemos as primeiras músicas no período do 2o grau, num violãozinho de nylon, que nosso pai comprou para nós no centro de Curitiba. E foi assim que tudo começou…

Lagoinha.com: Há projetos novos chegando por aí?

Arrais: Com certeza! As músicas do CD “Mais” já estavam prontas anos atrás (com exceção da música “Herança”, que fizemos durante as gravações). E neste momento, temos mais dois CDs praticamente prontos: o próximo chamado “Torah” (sobre os patriarcas do Pentateuco) e um EP que já está pronto, há 5 anos, sobre alguns Salmos messiânicos. O motivo destas novas músicas ainda não estarem gravadas é obviamente financeiro.

Os dois CDs que gravamos até aqui foram financiados por nós mesmos, com ajuda de pessoas que acreditam em nós e familiares. Mas a maior parte, nós que cobrimos. E já que não foi fácil juntar dinheiro para gravar ambos, o período de espera entre “Introdução” e “Mais” foi de cinco anos. Oramos para que mais pessoas de condição se sintam impressionadas, para apoiar este trabalho de ensinar a Bíblia por meio de música. Desta maneira, o período entre o lançamento dos próximos CDs talvez seja mais curto no futuro.

Assista:

Fotos: Arquivo pessoal e internet

:: Érica Fernandes