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Entrevista com o ator Felipe Folgosi

O ator Felipe Folgosi estrelou na Rede Globo com a minissérie Sex Appeal (que relatava o mundo da moda). Devido ao sucesso de seu personagem, Felipe foi chamado logo depois para ser um protagonista na novela de Antônio Calmon“Olho por Olho”, fazendo o personagem Alef, onde tornou-se conhecido nacionalmente. Depois, chegou a fazer um cigano na novela “Explode Coração” e um surfista na novela “Corpo Dourado”. Agora Felipe esta como protagonista da novela “Vidas Cruzadas” da Rede Record. Hoje com 26 anos de idade, diz que há onze anos teve um encontro real com Jesus. Mesmo com o sucesso, Felipe mantém os pés no chão, procura seguir os preceitos cristãos num mundo de badalação, futilidade e falso glamour.

B.F Como iniciou sua carreira artística?

Felipe: Eu comecei fazendo teatro amador em São Paulo. Na primeira peça tinha oito anos de idade. Com quinze anos entrei em um curso profissionalizante chamado Célia Helena Escola de teatro. Logo em seguida, fiz um teste para a minissérie chamada Sex Appeal, na Rede Globo em 92. Desde então tenho feito televisão.

B.F Quais seus principais trabalhos já feitos?

Felipe: Novelas: Olho no Olho
Explode Coração
Corpo Dourado
Minissérie: Sex Appeal
Programas: Malhação
Ta Ligado

B.F Felipe, como foi ser protagonista logo na sua estréia em novelas na Rede Globo?

Felipe: Foi uma experiência ao mesmo tempo muito boa, mas também foi difícil, porque eu tinha feito Sex Appeal, e meu papel na minissérie era de um coadjuvante, e o texto da minissérie, era do Calmon, sendo que o diretor era o mesmo. Eles falaram: “ele deu certo na minissérie, então vamos dar um papel grande para o Felipe”. Eu achei muito difícil, pois o protagonista grava várias horas por dia. Você, quando é protagonista, tem que praticamente levar a novela nas costas. E também tem que decorar muitas cenas. O assédio das pessoas é meio complicado, pois de uma hora para outra você fica super conhecido, eu também não estava costumado. Eu lembro que no primeiro mês da novela, gravei todos os dias. Só tive descanso em um dia durante o mês inteiro.

B.F Que acha de atores que erram constantemente durante a gravação?

Felipe: Eu pessoalmente procuro sempre ir com o texto decorado, porque isto é essencial para o trabalho do ator. É como um jogador de futebol que não treina, na hora do jogo não consegue correr. Certa vez o diretor brigou comigo, pois eu não tinha ido com o texto decorado.

B.F Como é o esquema de gravação na Rede Globo, você grava em que horários?

Felipe: Geralmente você tem um grande número de cenas em um estúdio. Pois quando se grava externa, o número de cenas é reduzido. Geralmente as gravações na Rede Globo começam entre 9:00 e 10:00 da manhã, não se tem horários definidos na televisão, a gravação pode começar a tarde ou só à noite. Em geral grava-se de segunda a sábado.

B.F Sofre assédio das pessoas? Isto lhe incomoda?

Felipe: No começo era estranho. Você é uma pessoa normal, vai á rua, nos lugares, e de uma hora para outra as pessoas começam a te reparar. Mas com o tempo acostuma-se. Muitas vezes é demonstração de carinho de pessoas que gostam de seu trabalho, mas às vezes é uma fã inconveniente.

B.F Estar na mídia trouxe muita mudança para sua vida?

Felipe: Eu poderia neste meio em que vivo, ser influenciado por todo este círculo que envolve a fama. O Espírito Santo me conservou para que eu não cedesse a linha do pensamento deste mundo. Como Paulo afirma na Bíblia: “Não vos conformeis com este século, mas renovai-vos pela transformação da vossa mente”. O contato com o evangelho toda hora vai te transformando, quebrantando, humanizando. Isto é, tirando as coisas que o ser humano tem de negativo.

B.F Felipe, por ser um meio competitivo, teve alguma decepção no meio artístico?

Felipe: Tinha pessoas que se diziam muito amigas minhas, porém com o tempo fui descobrindo que não eram. Hoje eu sei…você aprende a ler melhor as pessoas, saber como a pessoa está se aproximando, qual é o interesse, tive muitas decepções. É um meio profissional competitivo, não tem como esconder isto, como hoje em dia a sociedade é muito competitiva.

B.F O que é necessário para que um ator cresça?

Felipe: Eu vivo um momento de transição. De uns tempos pra cá, tem muita gente nova entrando no mercado, existem pessoas que vêm para o meio artístico com o objetivo de aparecer, fazer sucesso, “ganhar meninas”, não tem uma vocação, um desejo de representar. Elas podem até fazer sucesso, mas não conseguem segurá-lo, pois para se manter como ator, você tem que ter talento!

B.F Quando não está gravando, o que gosta de fazer?

Felipe: Gosto de nadar, fazer musculação, rape e aventurar-me em cavernas.

B.F Sendo um ator, quais seus atores prediletos?

Felipe: Gosto muito do Lima Duarte, Antônio Fagundes e Al Paccino. Das atrizes gosto da Laura Cardoso, Cleide Yaconis e Jodie Foster.

B.F Com é sua rotina?

Felipe: A minha rotina não é ter rotina, pois quando se faz uma novela, não se sabe os horários de gravação, devido as constantes mudanças. De repente você grava, a cena não valeu, é desmarcada, tem que se fazer outra vez, aí tenho que ir á noite para outro estado fazer um evento ou teatro. No outro dia tenho que voltar cedo, sempre pegar o primeiro avião…então você está numa constante correria. Quando se tem um tempo livre, você quer descansar.

B.F No decorrer de uma novela, o coadjuvante pode sobressair-se mais que o ator?

Felipe: Em uma novela tem os atores principais que levam a principal parte da trama, e as histórias adjacentes são preenchidas pelos atores coadjuvantes. No caso de um ator coadjuvante sobressair-se, conseqüentemente ele vai ganhando espaço na trama principal.

B.F Com quem em especial gostou de trabalhar?

Felipe: Com Paulo José, Stênio Garcia, Tony Ramos, Reginaldo Faria, Natália do Vale, Maria Zilda, Eliane Jardine, Éster Góes. Da minha geração: Marcelo Faria, Luana Piovani, André Gonçalves, Selton Melo, Rodrigo Santoro, Pedro Vasconcelos, Bel Kultner, Leonardo Brício e Alessandra Negrini.

B.F E com quem gostaria de trabalhar?

Felipe: Gostaria muito de trabalhar com Antônio Fagundes e Glória Pires acima dos outros, sendo que para Deus todos são iguais. Aliás, a humanidade é toda igual, o que é diferente é o mundo!

B.F Qual sua opinião a respeito da conversão de outros artistas?

Felipe: De um tempo pra cá o evangelho tem ocupado espaço na sociedade brasileira. Deus tem superado, antigamente havia um preconceito, acho que os evangélicos eram muito acomodados e se fechavam em seu próprio mundo. Hoje as pessoas vêem que você é evangélico, mas sabem que você não é um ET. Apesar de que não pertencemos a este mundo, podemos viver neste mundo, mas não podemos nos corromper. A classe artística ficou um pouco afastada porque não tinha ninguém que entrasse mas agora de um modo geral tem muitos artistas convertendo-se a Jesus Cristo. Porém a fama e o ego atrapalham, pois certos artistas tem medo de assumir que são evangélicos perante os amigos, mas este medo tem caído cada vez mais, pois quando Deus faz quem impedirá, ele quebra os corações e muda tudo…

B.F O que seus colegas acham de você testemunhar a Jesus?

Felipe: As pessoas estranham por eu não beber, fumar, etc. Para elas é um comportamento fora do padrão humano, já tiveram pessoas que chegaram em mim e disseram estranhar por eu não fazer as coisas que a maioria dos jovens fazem e sentiram com isto uma influência positiva. Já pude falar de Jesus em uma festa.

B.F O que mudou em sua vida depois que se converteu?

Felipe: Pela primeira vez tive a certeza de que estava realmente com Deus, eu era um adolescente que bebia, brigava, tinha problemas com meus pais. Depois que converti, tudo mudou, Deus me transformou em relação a minha família, aos meus relacionamentos, mudou meu temperamento, e com certeza hoje eu sou uma pessoa diferente do que eu era.

B.F Sofreu resistência espiritual por fazer um personagem que mexia com a paranormalidade espírita, sendo um cristão?

Felipe: Eu sofri certo preconceito da Igreja. Algumas pessoas não viam o papel como um propósito de Deus na minha vida, estavam preocupados! Mas claro que já deixei de fazer papéis porque Deus não queria que os fizesse. Já fiz drogados, cigano, o importante é a mensagem positiva no final, como o drogado que saia das drogas. Tenho certeza que Deus tem um propósito para mim neste meio… e ele tem se cumprido!

B.F Como é para você manter a unção de Deus no meio de tanta badalação mundana?

Felipe: Gosto sempre de orar de manhã e á noite no carro. Sempre que vou para o Projac (Central de produção da Rede Globo) vou orando. E também procuro estar espiritualmente atento, buscando a Deus no meu dia-a-dia.

B.F Que acha da volta de Jesus?

Felipe: Não tem que se achar nada, vai acontecer, tem que acontecer. E aquela coisa, de que lado você está? A hora vai chegar, e cada um terá que prestar contas.

B.F Felipe, o que Deus representa na sua vida?

Felipe: Deus para mim é o que sustenta a minha vida em todas as áreas. Faz onze anos que sou evangélico, conheci Jesus não como uma religião, mas pessoalmente! A cada dia Ele tem me conduzido a lugares que eu acreditava nunca poder andar, então Ele é o autor e consumidor da minha fé. Eu acho que o homem tem que se humilhar e reconhecer que precisa de Deus. Muitas pessoas têm a idéia de um Deus mal, castigador, que não quer a sua felicidade. Na verdade Deus é amor! Jesus quer revelar sua vontade, boa perfeita e agradável na sua vida. Então se você se entregar a Ele e realmente confiar ele vai te conduzir em vitória.

B.F O que fez você buscar este Jesus?

Felipe: Cresci numa família católica, fui esotérico, espírita e outras religiões. Porém há onze anos atrás, quando minha mãe foi fazer uma operação no coração, ela não precisou, porque recebeu uma oração e foi curada por Deus. Depois disto eu comecei a freqüentar a igreja, pois vi o poder de Deus. Pude ver que Jesus existe, não é uma idéia ou um ser mitológico distante, mas ele é tão presente, enfim Deus a cada dia tem me transformado para melhor.

B.F Felipe, seu personagem em Olho no Olho, era um paranormal com poderes sobrenaturais. Como você encara o mundo espiritual sendo evangélico?

Felipe: Eu sei que a Bíblia fala sobre os dons espirituais, e dentre estes dons existem os dons de visão, revelação e outros. De certa forma o cristão que tem muito a presença do Espírito Santo, adquire “PODERES ESPIRITUAIS”, porém ele não pode controla-los, e sim o Espírito Santo.

B.F Sendo uma pessoa tão simples, como fez para que o sucesso não subisse a sua cabeça?

Felipe: O sucesso poderia sim ter subido a minha cabeça, porém o que não deixou que isto acontecesse , é minha comunhão diária que tenho com Deus. Ele segura minha onda!

B.F Existem artistas que criam um mundo de fantasias em suas próprias vidas, distanciando-se do público e se achando verdadeiros deuses, qual sua opinião a respeito disto?

Felipe:  Vejo isto acontecer muito, mas isto acontece quando o público começa a adorar ao artista. Com esta idolatria, o artista acaba se distanciando de si próprio e aceitando a imagem de um “deus” criada pelos seus próprios fãs. Portanto é necessário que o artista mantenha os pés no chão e não viaje na sua própria fantasia.