Abrigo Pró-Criança é referência na capital no acolhimento de crianças encaminhadas pelo juizado da infância e da juventude

Eujácia+e..Para que uma criança tenha um desenvolvimento psicossocial adequado, um dos direitos básicos que ela deve usufruir é o de desfrutar da companhia dos pais morando numa casa, mesmo que simples, com alimentação, vestuário, lazer e convívio saudável com a família. Entretanto, essa não é a realidade de todas as crianças brasileiras e do estado de Minas Gerais. Dados de 2012 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, no Brasil, 36.437 crianças foram acolhidas em abrigos e, em Minas, 5.574 estão em abrigos.

Quando uma criança se encontra numa situação de risco ao seu desenvolvimento, o juizado da infância e da juventude, por meio de denúncia, retira essa criança dos pais ou responsáveis e as encaminha para um dos abrigos credenciados pelo Juizado Especial da Vara da Infância e Juventude e pelos Conselhos Tutelares do Estado.

Um dos abrigos que consta na lista do juizado é o Abrigo Pró-Criança da Fundação Oásis que, há 12 anos, acolhe crianças de 0 a 6 anos de idade em situação de risco social e pessoal. O abrigo é misto (meninos e meninas) e pode receber, no máximo, 15 crianças. Assim que chegam à casa, essas crianças são atendidas pela assistente social Surya Noara que explica para as crianças maiores o que está acontecendo, qual é a real situação delas e da família e também apresentá-las ao novo lar “temporário”. “Mostro a elas a realidade que estão vivenciando, explicando porque estão conosco e como será essa nova fase. Explico também que elas estão na casa até que os seus direitos a educação, saúde e lazer sejam garantidos. Enfim, apresento outra perspectiva de vida que antes não tinham”, explica Surya.

Meninos e meninas são atendidos por Surya individualmente e em grupo. Dependendo da gravidade do caso, elas serão acompanhadas por psicólogos. De acordo com Surya, o trabalho em grupo tem sido muito eficaz para compreensão e adaptação das crianças à nova vida, já que uma ajuda a outra falando sobre as próximas etapas que vão vivenciar no abrigo. O fato de terem histórias de vida parecidas também colabora para o entrosamento e o desenvolvimento de laços afetivos entre as crianças. No Abrigo Pró-Criança todos os pequenos moradores são estimulados a terem uma rotina como de qualquer outra criança que more com suas respectivas famílias. As crianças do abrigo frequentam a escola da comunidade, fazem passeios em shoppings, parques e festas de outras crianças. Na casa, participam de atividades recreativas e educativas, fazem dever de casa, aprendem a organizar o quarto e escutam a Palavra de Deus no momento de devocional diário.

O funcionamento adequado do abrigo é garantido pela Fundação Oásis, prefeitura de Belo Horizonte, doações de pessoas de diversos lugares e também dos ministérios da nossa igreja. A coordenadora administrativa, Eujácia Alves, é a pessoa responsável pela administração de todos os recursos e direcionar o trabalho dos colaboradores para as reais necessidades das crianças e da casa. Junto a Eujácia estão as cozinheiras, auxiliares de limpeza, assistente social e as educadoras que atuam como “mães” das crianças, pois as acompanham ao longo de todo o dia. As educadoras são responsáveis por caminhar lado a lado com as crianças, ensinando, auxiliando na higiene e realizando atividades e brincadeiras educativas.

No desenvolvimento desse trabalho, nossa igreja é uma parceira fundamental, pois, por meio dos ministérios e intercessão tem sido a cobertura espiritual para a vida dos funcionários e das crianças. “A Lagoinha é o nosso apoio. Temos uma intercessão que nos cobre em oração, o que faz toda a diferença no atendimento das crianças. Vejo claramente a ação do Espírito Santo na vida delas. Muitas chegam tristes, abatidas e agressivas e, com o passar do tempo, são transformadas e se tornam crianças alegres, carinhosas e mais bonitas”, afirma Eujácia.

Meninos e meninas dos olhos de Deus

Para Eujácia, trabalhar no abrigo é um privilégio, pois, por meio da história de cada criança, ela tem aprendido grandes lições para a vida. Ela enxerga em cada pequena vida um valor inestimável para o Senhor e crê que a semente da Palavra de Deus que é lançada no coração das crianças não voltará vazia. Uma prova disso é que, na última semana, Eujácia recebeu a notícia de dois irmãos que moraram no abrigo, foram adotados e, hoje, moram com a nova família, em São Paulo. Eujácia pôde ver na foto atual das crianças e na mensagem enviadas por elas uma mudança maravilhosa. “Eles chegaram aqui desnutridos, com os dentes estragados e cabelos muito ressecados. Foram retirados de um lixão e, por meio da menina de 5 anos, conhecemos a realidade na qual viviam. Elas se alimentavam de lixo, dividiam comida e espaço com ratos e a sujeira e sem nenhum cuidado da mãe, viciada em crack. O sonho da menina era morar numa casa limpa com comida gostosa como a do abrigo, além disso, queria ver o irmão mais novo com uma boa vida. Junto com a foto que recebi deles, a menina me mandou um recado. Ela disse que virá ao abrigo para eu ver como ela ficou bonita e tem uma casa limpa, diferente do lixão no qual ela viveu”, compartilha Eujácia.

Kátia Brito