Nenhum Comentário

João de Deus – Entrevista com João Leite

Atlético 0 X 1 América. Esse foi o placar de 1992, último jogo competitivo na carreira do até então goleiro do Clube Atlético Mineiro, João Leite. Aqueles que pensavam que ele dependuraria as luvas e não mais entraria em cena, se enganaram. O jogo continua. Só que agora fora das quatro linhas do campo de futebol. Os grandes lances permanecem em destaque na vida do atual deputado estadual de Minas Gerais que faz grandes defesas na fé e na política. A derrota para o América mineiro não foi o resultado que João Leite esperava, principalmente por ser um jogo de final de carreira. Mas sua vida foi e tem sido pautada muito mais por vitórias do que por derrotas. A começar pela maior conquista que um homem pode alcançar em sua vida: a decisão de aceitar Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Em 31 de março de 1977 João Leite entregou sua vida a Jesus na 1ª Igreja Batista de Belo Horizonte. Conhecido por sua inabalável fé, João Leite ganhou o apelido de "João de Deus", pois ao entrar em campo sempre escolhia um jogador adversário para presentear-lhe com uma Bíblia. Isso fez de João Leite uma das personalidades evangélicas mais respeitáveis do país. Sua história como jogador começa no time profissional do juvenil do Atlético Mineiro. E, justamente neste tempo, João Leite ouviu falar do amor de Jesus por meio de suas irmãs, Rita e Ângela. Mas como a maioria dos atletas, João Leite tinha sonhos. Dentre eles, o de ser muito famoso e bem-sucedido financeiramente, achava que a verdadeira alegria se resumia em sucesso e dinheiro. Suas irmãs continuavam pregar a Palavra de Deus. A princípio, João Leite recusou aquelas verdades. Porém, após ter-se transferido para o time principal do Atlético, João Leite passou a conviver com os jogadores famosos. Depois de um tempo de convivência ele começou, então, a comparar a sua vida e a de seus companheiros com a vida de suas irmãs, pois Rita e Ângela eram para ele um referencial de esperança e fé. Após ter quebrado um dedo durante um treinamento, João Leite parou para refletir sobre sua vida. Chegou à conclusão de que se encontrava distante do Pai e a decisão veio a seguir. Suas irmãs o levaram até a igreja. Em março de 1977 João Leite aceitou Jesus como o Salvador de sua vida. Naquela época ele era o quarto goleiro reserva do Atlético. “Lembro-me até hoje a primeira oração que fiz quando aprendi a orar. Pedi a Deus que me desse um time para jogar. Podia ser qualquer time”, conta João Leite. Cinco meses depois de ter feito essa oração passou de quarto a primeiro goleiro. Em uma seqüência de grandes vitórias, João Leite sabia que Deus o colocaria em um grande projeto que salvaria a vida de outros atletas. Esse projeto foi realizado. Em 1981 surgiu o Atletas de Cristo. Inicialmente com quatro atletas. Hoje, são mais de 10 mil no Brasil. Devido a ida de jogadores brasileiros para o exterior o projeto já está em 50 países. Portugal é o segundo país em números de Atletas de Cristo, seguindo, Itália, Japão e Espanha. O trabalho começou com João Leite, Baltazar – chamado artilheiro de Deus – Jaílton, goleiro do Madureira do RJ e Jânio, meio campo do Noroeste de Bauru em São Paulo. O responsável pelo início desse grande projeto foi Abraão Soares da Silva, missionário da Mocidade para Cristo (MPC), no qual alcançou êxito. Por dezessete anos e meio João Leite foi goleiro do Atlético Mineiro, jogando também no Vitória de Guimarães, de Portugal, Guarani de Campinas, América Mineiro e na Seleção Brasileira de Futebol. Após encerrar a carreira futebolística, João de Deus abraçou com toda disposição a carreira política, quando foi eleito vereador em Belo Horizonte. Foi Secretário Municipal de Esportes de BH, candidatando-se depois a Deputado Estadual em 1994. Foi eleito e reeleito Deputado Estadual em 1998 e com a maior votação que um deputado já alcançou na história da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Foram quase 80 mil votos. Candidatou-se também a prefeito de Belo Horizonte, ficando a 9% da vitória. Nesta época de campanha João Leite pôde mostrar toda a sua simplicidade e o caráter do homem de Deus, que não se corrompeu com as pressões políticas. A dignidade e o caráter de João Leite foram aprovados por parte da população que lhe concedeu o crédito de 562.000 votos. Atualmente, permanece na Assembléia Legislativa, onde é líder da minoria. Faz parte da Comissão do Trabalho, Previdência e Ação Social. Presidiu por seis anos a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. É casado com uma ex-atleta, Eliana Aleixo, que foi capitã pela Seleção Brasileira de voleibol. Tem três filhos: Débora, Daniela e Helton. Todos envolvidos com a igreja e o esporte. Débora joga vôlei, é levantadora do juvenil do Minas Tênis Clube; Daniela faz ginástica rítmica desportiva e Helton, o mais novo, está seguindo a carreira esportiva do pai, começando também como goleiro.

Lagoinha.com: O senhor foi o presidente da Comissão de Direitos Humanos (95/00) e participou de várias outras comissões, como, por exemplo, a que investigou a Máfia das Carteiras de Habilitações. Em algum momento o senhor sofreu ameaças de morte por essas investigações? Já temeu pela integridade física de sua família?
João Leite: Sim. Até tentativa de invasão de onde moro, minha família viveu.Quando tive o privilégio de presidir as CPIs que investigaram o sistema carcerário e a venda de Carteiras Nacional de Habilitação. A primeira trabalhou muito com irregularidades e com a facilitação de fugas nas unidades prisionais. Indiciamos 19 policiais a partir dos trabalhos da CPI. Depois na CPI das Carteiras de habilitação novamente nós sofremos ameaças. Meus filhos ficaram temerosos. O meu sentimento nestes momentos era de que. A profissão de deputado ou mesmo vereador traz essas possibilidades. Em alguns momentos vamos ser ameaçados. Este era o meu sentimento: Eu tinha um dever: o papel de agente político. As ameaças eram graves e em algum momento eu poderia sofrer por isso, mas é algo que vale a pena e que você não pode recuar. Eu sentia muita força de Deus para ser sempre coerente. Não podia retroceder, tinha que continuar nas investigações. Isso me trouxe inimigos poderosos. Eles buscavam desmerecer o nosso trabalho, acusando-nos de defender bandidos e outras coisas. Graças a Deus, a maior parte da população não acreditou neles e sim no trabalho sério que nós realizamos, especialmente como cristãos. É dever de todo cristão lembrar dos encarcerados, daqueles que sofrem maus tratos, lembrar da justiça. É exatamente o que procuro fazer como deputado, presidindo comissões parlamentares de inquéritos. Gostaria ainda de dizer que a CPI do Sistema Carcerário gerou 11 legislações e ressaltar especialmente a Lei 12.936 que mudou o sistema carcerário colocando a religião e a possibilidade da visita do pastor ao sentenciado como prioridade. Isso facilitou em muito a pregação do Evangelho nas unidades penais no Estado de Minas Gerais.

Lagoinha.com: Devido a essas ameaças o senhor mudou seu estilo de vida colocando seguranças ao seu redor?
João Leite: Alguns deputados da comissão colocaram, mas eu não, não mudei a minha vida. Tomei o cuidado de ter um motorista particular, embora Goste muito de dirigir. Contudo me preservei a liberdade de ir e vir. De certa forma me sinto “invencível”, porque o tudo que acontecer comigo será pela vontade de Deus e não por vontade de pessoas inescrupulosas, que não são a maioria da população Já enfrentei muitas situações difíceis, se não tivesse sido guardado por Deus não teria sobrado nada de mim.

Lagoinha.com: Qual o próximo projeto que o senhor gostaria de realizar na política? E na vida cristã, tem algum?
João Leite: Na vida cristã meu projeto está sempre em desenvolvimento. Sinto o chamado para o evangelismo e uso das minhas viagens para levar a Palavra de Deus e o meu testemunho. Vidas têm sido alcançadas. Estou totalmente integrado projeto de Células de minha igreja. Estarei me formando na Escola de Líderes juntamente com o meu pastor, Paulo Mazoni. Tive a oportunidade de fazer o Encontro Face a Face com Deus, na Igreja Batista da Lagoinha, visto ter perdido o da minha igreja. Como parlamentar, continuarei na Assembléia Legislativa de Minas Gerais encaminhando nossos projetos, principalmente na área de defesa da vida e valorização do ser humano. Esses são os meus projetos, mas todos os que Deus me der, eu os cumprirei na íntegra.

Lagoinha.com: O que o senhor pôde tirar de experiência das últimas eleições para a prefeitura de Belo Horizonte? O que o senhor não faria novamente?
João Leite: Eu vivi uma experiência fantástica como candidato à Prefeitura de BH. Primeiro por ver o poder de Deus. Um candidato como eu, sem a máquina política e sem condições financeiras chegar aonde cheguei! Contrariando todas as previsões, tivemos uma grande votação. Em segundo lugar tive um contato muito positivo com as crianças, que gostaram muito da campanha. Tivemos o carinho e apoio delas. Faria tudo novamente, embora me entristecesse por não poder controlar tudo, principalmente algumas notícias na TV e no rádio. Esforcei-me para acompanhar os fatos, mas era intensa a pressão para “bater de frente” com os adversários. Procurei ao máximo evitar, porém muitas vezes tinha que me defender de muitas acusações. Devido à intolerância religiosa eu enfrentei essa luta todo o tempo por – O fato de ser evangélico e a questão dos direitos humanos. Devido ao porte da campanha, algumas coisas fugiam de meu controle. Em uma próxima campanha quero ter controle absoluto de todas as coisas para não incorrer no erro da mesmice: O ataque constante.

Lagoinha.com: O senhor pretende se candidatar nas próximas eleições?
João Leite: Sou candidato nas próximas eleições dentro do meu interesse. Desejo me candidatar a deputado novamente e permanecer na Assembléia Legislativa para fazer meu trabalho.

Lagoinha.com: O senhor é muito respeitado no meio evangélico, como conseguiu conquistar a simpatia das pessoas? O que o senhor tem feito, como evangélico, para ser “luz” em um ambiente tão mergulhado em trevas como a política?
João Leite: Esse respeito me traz emoção. Mas a razão disso é Jesus em minha vida e eu tenho consciência disso. Lembro-me que ao me candidatar à reeleição, a frase que eu mais ouvia era: “Você vai perder por causa dos Direitos Humanos.” A nossa equipe estava consciente do que eu repetia: “Se por causa dos Diretos Humanos eu tivesse que perder uma eleição, então que assim fosse”. Se visitar um encarcerado, estender a mão a uma pessoa que quer se recuperar, fossem motivos para me derrotar, eu seria derrotado, porque são mandamentos de Jesus Cristo dos quais eu não abro mão. Creio que foi exatamente por levar a Palavra de Deus a sério e procurar viver o que Jesus me ensinou que me fiz respeitado. Desde o começo de minha conversão era convidado a falar em diversos lugares como, por exemplo, na pequena cidade de Durandé, no interior de Minas, na Amazônia, no Canadá. O chamado não é por votos, mas por vidas. E eu tenho colhido o amor e o reconhecimento das pessoas. Na minha vida política procuro agir da mesma maneira, sendo fiel ao meu partido. Sou respeitado por causa de Jesus em minha vida.

Lagoinha.com: A questão dos Direitos Humanos é muito debatida nos dias de hoje, principalmente pela mídia, que faz severas críticas. Como o senhor recebe e a age em relação a essas críticas?
João Leite: Atualmente sou membro da Comissão do Trabalho, mas quando era presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia fui um dos autores do programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê o controle dos programas de televisão por meio de uma comissão popular, que não foi implantada. Ela deveria avaliar muitos programas que expõe as pessoas a diversas situações de constrangimento ao vivo, violando a dignidade do ser humano. Os direitos humanos têm uma amplitude grande. E não foi o deputado João Leite ou qualquer cidadão quem os criou, mas foi Jesus ao ensinar que devemos lembrar dos encarcerados, dos que sofrem maus tratos. Jesus falava de direitos humanos ao livrar uma mulher adúltera da pena de morte, ao perdoar aqueles que O crucificaram, ao falar do perdão, da misericórdia e do amor. Falar de direitos humanos é falar sobre direitos culturais, econômicos, sociais. É falar do direito ao emprego, à saúde, à educação, à recuperação. Trabalho que a Igreja Batista da Lagoinha faz, visitando encarcerados e levando até eles a mensagem de Jesus para que se recuperem. E vários são os casos de recuperação.

Lagoinha.com: O seu testemunho de vida como cristão tem sido modelo para muitos. Outros, converteram-se por meio de suas pregações. O que significa isso para o senhor?
João Leite: Fico muito feliz, mas sei que sou apenas um canal da bênção de Deus. É louco aquele que pensa que eu tenho qualquer participação na conversão de alguém. A conversão é algo sobrenatural. É pela atuação do Espírito Santo que uma pessoa decide deixar tudo e entregar a vida a Jesus. A nossa parte é falar, abrir a boca. Muitas vezes nem foi preciso eu abrir a boca. A pescaria com Jesus é muito fácil porque Ele é quem diz: “–Joga a rede ali.” Eu me sinto privilegiado em fazer parte do milagre da conversão, pois a transformação de uma vida é um milagre possível somente a Deus. Tenho pouquíssima participação nesse milagre. Na verdade, é Jesus quem faz tudo!

Lagoinha.com: Deputado, fale sobre o curso de História que o senhor faz na UNI-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte). Por que história?

João Leite: Eu creio que cumpro um sonho de infância. Era muito entusiasmado com história e sonhava em ser professor de história. É possível que eu dê aula depois. Já fiz meu estágio. Depende muito daquilo que Deus quer para minha vida, mas eu queria estudar história e no final do ano, se Deus quiser, vou estar formado, realizando um sonho. É uma oportunidade também de conhecer mais a história do povo judeu, as civilizações antigas, conhecer mais do grande berço de nossa história.

Lagoinha.com: Após as denúncias sobre os altos salários dos deputados, como ficou resolvida essa situação na Assembléia Legislativa?
João Leite: A Assembléia assinou um termo de compromisso com o Ministério Público assumindo o pagamento aos 77 deputados estaduais de salários equivalentes aos 75% da remuneração dos deputados federais, conforme definição constitucional. Portanto, o salário fixo do deputado passou a ser R$ 6.000,00; o auxílio moradia, que é opcional, o qual nunca recebi, é de R$ 2.250,00; as reuniões extraordinárias pagarão R$ 300,00 até um máximo de 8 reuniões/mês o que permitirá ao deputado ter um rendimento mensal variável entre R$ 6.000,00 e R$ 10.650,00. Sobre esses valores incidem pelo menos dois descontos, que são obrigatórios: o imposto de renda (R$ 2.568,75) e a previdência (R$ 600,00). Também tem que ser descontada a contribuição partidária, que varia de acordo com o partido político. Portanto, no meu caso, que abri mão do auxílio moradia, terei um salário líquido de R$ 2.831,25 acrescido do valor correspondente às reuniões extras, se acontecerem. Quanto à verba indenizatória, responsável pela grande polêmica, ela foi limitada a R$ 8.219,56. Esse recurso é recebido mediante comprovação de gastos para realização de seminários, viagens parlamentares (transporte, alimentação e hospedagem), material gráfico, telefone, correios, combustível e manutenção de carro.

Mensagem ao Lagoinha.com Estou muito contente em conceder esta entrevista ao portal Lagoinha.com. Esse portal mostra mais uma iniciativa dentre as tantas que a Igreja Batista da Lagoinha tem implementado em nossa cidade, estado, país e no mundo. Eu gostaria de parabenizar a Igreja Batista da Lagoinha por esta iniciativa de oportunizar a todos nós, navegar e conhecer mais todos os seus ministérios tão amplos, que podem ser vistos não só no Brasil, mas em outros lugares do mundo. As pessoas têm muita curiosidade sobre a igreja e tudo o que lhe diz respeito. Vocês estão dando oportunidade para que todos conheçam os ministérios e sejam desafiados a também implantarem esses ministérios em suas igrejas, aqui e ao redor do mundo. Quero parabenizar o pastor Márcio Valadão, que é o líder de toda essa manifestação, e todos os membros da IBL envolvidos nos ministérios, Contem comigo, com tudo que me for possível, para participar desse esforço de alcançar vidas e de preparar líderes de ministérios.