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Legislando a favor do Reino – Betinho Duarte fala ao Lagoinh

Mineiro de Vespasiano, Alberto Carlos Dias Duarte, mais conhecido como Betinho Duarte, 56 anos, começou sua carreira política em 1958, realizando trabalhos sociais no Morro do Papagaio (aglomerado urbano em Belo Horizonte) com o grupo chamado GGN – Grupo Gente Nova. Desde então, Betinho começou a se envolver com as causas sociais, revelando seu Dom de misericórdia. Em 2001, já no seu terceiro mandato, foi eleito 1º vice-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Betinho vivenciou tempos em que BH compreendia o centro da cidade e limitava-se à avenida do Contorno, uma das principais vias de acesso da Capital. Tempo em que os pais podiam deixar seus filhos brincarem nas ruas, sem o menor problema. Tempo em que as brincadeiras eram coletivas, saudáveis e de graça, muito diferente dos dias atuais em que predominam a televisão, video-game e internet como forma de lazer para as crianças.

Filho de médico e professora (também poetisa), Betinho sempre lutou pela população mais carente e pela cidadania. “Cidadania para mim é o direito ao emprego, educação, saúde e salário justo”, enfatiza Betinho, que participou do movimento estudantil contra a ditadura militar instalada no Brasil em 1964, e até hoje continua participando de movimentos ligados às liberdades democráticas. É autor de várias campanhas: contra a fome, contra a violência e pelo desarmamento.

Sua luta pelo fim da violência e da pornografia nos meios de comunicação é reconhecida internacionalmente. Através da campanha Paz nos Lares, Betinho vem fazendo palestras, alertando os pais sobre os malefícios da televisão, dos video-games, da internet e dos RPGs (jogos de representação). É autor de várias ações, tendo conseguido a proibição da comercialização de video-games violentos e o fim da Banheira do Gugu em horário inadequado.

Betinho tomou conhecimento da Palavra de Deus e da salvação em 1984. Por intermédio de sua esposa, crente há muitos anos, começou a freqüentar a Igreja Batista Central de Belo Horizonte, no Bairro Santo Antônio. Durante um culto evangelístico, Betinho aceitou Jesus como seu Salvador e tornou-se membro da IBC. Nesta época engajou-se no trabalho social da igreja, tendo sido eleito presidente da Escolinha Evangélica de Educação Infantil, creche que educa cerca de 140 crianças na Vila Estrela (Bairro Santo Antônio).

Betinho, com seu dinamismo e competência adquiridos nos seus mais de 30 anos de militância política, fundou vários projetos:

1) Resgate – recuperação de meninos e meninas de rua.

2) Sopão – distribuição de sopa durante as noites a pessoas que moram debaixo de viadutos e marquises de Belo Horizonte. Este projeto conta com a participação da Igreja Batista da Lagoinha.

3) Recuperação de viciados.

Em entrevista concedida ao Portal Lagoinha, o vereador Betinho Duarte fala sobre a lei que está beneficiando as igrejas evangélicas, concedendo isenção de IPTU aos templos alugados, como também sobre as campanhas contra a violência, a fome e pela paz.

Lagoinha.com: Vereador, a nova lei de isenção do pagamento do IPTU para os templos alugados irá beneficiar os evangélicos. Gostaria que o senhor comentasse a implantação dessa lei em Belo Horizonte.
Betinho Duarte: A isenção do IPTU para templos alugados é uma vitória do povo de Deus, dos pastores, lideranças e vereadores evangélicos da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A verdade é que nós evangélicos somos o segmento que mais tem crescido nos últimos anos. E esse crescimento tem ocorrido também onde as igrejas funcionam em imóveis alugados, pela falta de condições financeiras de se construir ou comprar o prédio. Daí a reivindicação do nosso povo de se estender a isenção do IPTU a esses imóveis alugados, enquanto eles funcionarem como igreja. O prefeito, Dr. Célio de Castro, e o vice-prefeito, Dr. Fernando Pimentel, enviaram à Câmara Municipal esse projeto, que foi aprovado, transformando-se na Lei nº 8.291, de 29 de dezembro de 2001.

Lagoinha.com: Comente essa lei, vereador.
Betinho: A lei é muito clara e muito importante a sua divulgação, pois muitos pastores, por uma série de motivos, não têm acesso a jornais e ao DOM – Diário Oficial do Município. Por isso, desconhecem não só esta, mas também outras leis que beneficiam nossa comunidade. Algumas vezes, inclusive, pagam tributo e impostos indevidamente. Por isso sugiro a Lagoinha.com fazer a divulgação, que será de grande utilidade pública. O texto resumido da lei sancionada diz: “estão isentos de IPTU todos os imóveis ocupados como templo de qualquer culto, cuja entidade religiosa preste assistência social.” Lei 8.291, de 29 de dezembro de 2001. O artigo 4º dessa lei diz: “Ficam isentos de IPTU os imóveis edificados, ocupados como templo de qualquer culto, por entidades religiosas que desenvolvam atividades sócio-assistenciais, observadas as disposições contidas em regulamento”. Posteriormente foi publicado o Decreto nº 10.925, de 29 de dezembro de 2001. Na sessão 6ª das isenções, os artigos 25 e 26, que nos interessam, dizem: “Imóvel de terceiro efetivamente ocupado como templo de qualquer culto, cuja entidade religiosa tenha obtido o reconhecimento de imunidade pela Gerência de Legislação e Consultoria da Secretaria Municipal de Arrecadações e que comprove a promoção de ações de assistência social”.

Lagoinha.com: Vereador, existem mais projetos ou propostas que irão beneficiar os evangélicos?
Betinho: Sim. Recentemente convidei todas as lideranças evangélicas para um encontro com o Prefeito em exercício, Dr. Fernando Pimentel, onde, além de agradecermos a sanção desta lei de isenção de IPTU, apresentei-lhe duas propostas. A primeira foi que os requerimentos solicitando a isenção de IPTU pudessem ser feitos coletivamente e não individualmente, como exige o decreto. Ou seja, a Ordem dos Pastores, os Conselhos ou a Igreja (matriz ou sede) façam o pedido para todos os templos subordinados a eles, evitando, assim, o natural desgaste na apreciação de pelo menos três mil pedidos e agilizando o processo. A segunda foi que a Prefeitura fizesse a devolução imediata dos impostos pagos indevidamente, por aqueles que desconheciam a lei. O Dr. Fernando Pimentel aceitou minhas duas propostas, confirmando assim a confiança mútua entre o prefeito e a comunidade evangélica. Também estou propondo outras parcerias, que já estão sendo estudadas, como campanhas pela paz, pelo desarmamento e contra a fome.

Lagoinha.com: É interessante observar que os evangélicos estão se inteirando mais dos assuntos relacionados à política. Como o senhor vê esse avanço dos evangélicos?
Betinho: Muito bom. Aos poucos, nosso povo vai tomando consciência dos problemas por meio do nosso envolvimento com projetos principalmente na área social. A fome, a miséria, a violência, as doenças estão ao nosso redor e a mudança dessa situação passa pelo espiritual, ou seja, Jesus Cristo é a solução. Só Ele transforma maldição em bênção e nós somos os Seus braços na solução desses problemas. A Bíblia é muito clara em relação aos nossos deveres e obrigações, principalmente em relação ao próximo. Por isso, a presença dos evangélicos na mudança da cidade tem de ser eficaz. Quando trabalhamos no resgate de pessoas que estão na prostituição, na miséria, no tráfico de drogas, estamos fazendo o resgate que Jesus nos manda fazer. A pessoa se torna um cidadão. Isso é ação social, espiritual e política. Nossa presença nos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo é de fundamental importância para transformar esta sociedade caótica em que vivemos.

Lagoinha.com: O que o senhor pode dizer do slogan “Evangélico vota em evangélico”?
Betinho: Sou favorável, desde que a pessoa que esteja se candidatando tenha condições de trabalhar em prol da sociedade. Avalio que o candidato evangélico, além de sério e honesto, tem de ser também competente, possuindo experiências profissionais que o qualificam para o cargo pretendido. Os evangélicos têm de ter consciência e exigir dos candidatos não só o compromisso com a sociedade de um modo geral, como também sua experiência profissional.

Lagoinha.com: Como o senhor vê a violência mundial?
Betinho: O pior tipo de violência que enfrentamos hoje no mundo inteiro é a fome, que mata e marginaliza milhões de pessoas, conseqüência de um modelo econômico, social e político tremendamente excludente, que não permite a milhares o acesso a uma vida digna. Estamos envolvidos pela cultura do individualismo, do egocentrismo, que nos leva à intolerância, à incompreensão exacerbada. As guerras estão aí para comprovar isso. Como o refúgio nas drogas também tem causado destruição e sofrimento em níveis inacreditáveis. E como enfrentar nossas tremendas dificuldades atuais a não ser por intermédio da Palavra de Deus? Para alcançar a paz precisamos de justiça social, e isso implica em que as pessoas têm de rever seus conceitos, seus valores, suas atitudes, seus projetos de vida. E Deus nos dá dois mandamentos muito claros que englobam tudo isso: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. E amar ao próximo sem estar ligado na Videira Verdadeira, que é Jesus, não tem jeito. Por isso temos que ser sal e luz para influenciarmos e mudarmos a história ao nosso redor.

Lagoinha.com: Por que o desarmamento?
Betinho: Primeiro porque em todas as partes do mundo não existe necessidade de mais armas, mas sim de alimento, emprego, salários justos, educação, moradia, saúde. Segundo, porque as armas não têm resolvido problema algum em nenhuma parte. Terceiro, porque hoje, nessa sociedade injusta, individualista e violenta como a nossa, qualquer fato banal que gere polêmica pode terminar em tragédia. Daí a necessidade de se proibir o porte de armas. As pessoas não têm a esperteza e a prática que normalmente o bandido tem ao lidar com uma arma de fogo. E muitas são as situações em que o civil é desarmado e até assassinado com a própria arma, que lhe foi retirada pelo bandido. E, quarto, a questão da segurança pública é atribuição do Estado, que deve ser o responsável de fato pela proteção da sociedade. Se o Estado não está cumprindo adequadamente este papel, temos que exigir-lhe isso, pois pagamos nossos impostos com esse objetivo.

Lagoinha.com: O senhor ou alguém de sua família já sofreu alguma violência?
Betinho: Sim. Foi em setembro de 1992, quando Deus operou um milagre em nossas vidas. Eu me encontrava em plena campanha eleitoral, meu pai tinha acabado de falecer e eu e minha esposa Zeneide fomos visitar minha mãe na casa de meu irmão no Bairro Sion (Belo Horizonte). Naquela noite eu participaria de um debate na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, mas como estava muito abalado com o falecimento súbito de meu pai, pedi a ela que fosse ao debate explicar a minha ausência. Ao sair de casa, por volta das 19h30, ela foi abordada por um desconhecido que se aproximou e lhe deu um tiro no rosto, à queima-roupa. A bala de um revólver calibre 22 estourou uma artéria próxima ao céu da boca, dividiu-se em três partes, sendo que uma delas alojou-se a milímetros da carótida. Quando ouvimos o estampido e o grito saímos correndo e ao chegarmos ao portão Zeneide estava sangrando muito pela boca. Minha cunhada, completamente atordoada, disse-nos que um desconhecido havia lhe dado um tiro, roubado sua bolsa e saído correndo em direção à Morro do Papagaio. Eu e meu irmão colocamos Zeneide no carro e a levamos para o Hospital Felício Rocho, onde tínhamos convênio. Foi um suplício conseguirmos chegar ao hospital, o trânsito estava engarrafado e não sabíamos que o melhor seria ter ido direto para o Pronto Socorro. Aí começou uma guerra mesmo contra a morte. Ela ficou durante três horas esperando por atendimento, pois as salas de cirurgia estavam todas ocupadas no Felício Rocho. Percebemos mesmo, depois de um tempo, que era uma verdadeira batalha espiritual. Os médicos não conseguiam localizar a origem da hemorragia e ela perdendo sangue violentamente começou a morrer. Então, chegou um médico, especialista em cirurgia de pescoço e cabeça, que estava de plantão no Pronto Socorro do Hospital João XXIII, e que por coincidência é meu amigo de infância. Seu nome é Gabriel e nós o apelidamos de “anjo Gabriel”, porque foi ele quem conseguiu localizar e estancar a hemorragia, sem abrir a face de Zeneide. Foi um verdadeiro milagre. Ela já não tinha mais condições de sobreviver, pois ficara perdendo sangue durante três horas dentro do hospital. O cirurgião plástico que limpou o rosto dela das queimaduras de pólvora nos disse depois que o único caminho que a bala podia percorrer para não matá-la foi aquele. Nisso ficou claro para nós a intervenção poderosa do Senhor. E depois ela nos contou que na hora em que levou o tiro recebeu um violento empurrão. Com isso ela se desequilibrou e a bala não atingiu o seu ouvido. Atingiu a face esquerda na altura do nariz. Temos certeza de que um anjo do Senhor a empurrou nesse momento. Quando eu estava na porta do hospital, veio um repórter de televisão e me entrevistou: “Agora você é a favor da pena de morte?”. Prontamente respondi: “Pelo contrário. Mais do que nunca sou a favor da vida.” Completei dizendo que perdoava a pessoa que havia atirado nela. Tentei visitá-lo na prisão, mas não deixaram. Ele já havia atirado, na mesma semana, em outras duas pessoas. Um aposentado morreu na hora e um outro rapaz, de 17 anos, teve mais sorte e a bala não se alojou em seu rosto, saiu pela mandíbula. Zeneide foi a sua terceira vítima consecutiva. Na verdade, o Senhor operou dois milagres na vida de minha esposa. Primeiro, livrou-a da morte. Segundo, ela não ficou nem um pouco traumatizada. Eu é que quase fiquei. Ela fez vestibular e passou. Formou-se em Letras e continuou a viver uma vida normal. Os lugares por onde ela passava para ir de casa para a escola e vice-versa eram perigosos. Eu achava isto, mas Zeneide nunca se importou, não deixando inclusive de cantar no Coro da Igreja, cujos ensaios terminam depois das 22h. Ela também não ficou com nenhuma marca na face, nenhuma seqüela interna, graças a Deus. Muitas vezes digo que ela ficou mais bonita do que nunca e brinco que apesar disso não recomendo esse tratamento de beleza para ninguém.

Lagoinha.com: Esse acontecimento motivou o senhor a se empenhar ainda mais em lançar uma campanha em favor da paz?
Betinho: Claro que sim. Muitas pessoas que são vítimas da violência mudam de cidade, estado e até de país. Transformam suas casas em verdadeiras fortalezas e até com uma certa razão. Mas creio que “se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigiam as sentinelas (Sl. 127).” Continuei a participar de várias ações pela paz. Uma delas foi em 2000, lançada pela Unesco no mundo inteiro denominada “Por uma cultura de paz e não-violência”. Foi elaborado um manifesto, assinado inicialmente por um grupo de agraciados com o Nobel da Paz. Recolhemos mais de 100 milhões de assinaturas.

Lagoinha.com: Para o senhor, qual é a relação que existe entre a fome e a violência?
Betinho: Existe uma certa relação entre fome e violência. Só quem passou por uma situação de desespero por falta de comida pode dizer o que isso representa. E com certeza essa situação pode levar a atitudes insanas, mas não é a fome a responsável maior pela violência nos nossos dias. A ganância de quem paga salários injustos a seus empregados, a corrupção, que desvia verbas da saúde, educação, moradia, são fatores altamente geradores de violência. Como conceber que um país como o Brasil, tremendamente rico, tenha mais de 20 milhões de brasileiros em situação de indigência? 40 milhões de crianças e adolescentes são carentes ou abandonados, 4 milhões de menores de 14 anos trabalham e possuímos uma taxa de 44% de mortalidade de menores de 5 anos de idade. No ranking mundial, o Brasil ocupa o 74º lugar em qualidade de vida e o 84º em mortalidade infantil. E, pasmem, é o 5º maior produtor de alimentos do mundo! Essa é uma violência a que estamos nos acostumando infelizmente, achando normal.

Lagoinha.com: Deixe uma mensagem para os internautas do Portal Lagoinha.com.
Betinho: A Internet é um dos avanços tecnológicos mais brilhantes deste século e tem se aprimorado cada vez mais. Mas faço um alerta: a Internet não tem somente coisas boas. Lá encontramos sites de incentivo à pedofilia, com cenas explícitas de sexo com crianças e entre crianças. Isso é crime. Também encontramos divulgação de obras satânicas. Há algum tempo pesquisei o nome “Jesus” na Internet e encontrei 40 mil citações. Pesquisei o nome “satanás” e encontrei 450 mil citações, isto é, dez vezes mais do que o nome de Jesus. Isso é um alerta. Muitos pais não sabem disso, saem para o trabalho e seus filhos ficam em casa expostas a todo tipo de violência e pornografia. Por exemplo, clicando uma determinada palavra pode-se entrar em um site de pornografia e pedofilia. Cada internauta evangélico deve usar a Internet a serviço do Reino de Deus. O Portal Lagoinha.com está de parabéns, no caminho certo, usando a Internet para pregar a Palavra de Deus e conquistar vidas para Jesus.

Ana Paula Costa
Fotos Breno Amaral

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