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Mais que uma canção e um lamento uma devoção por Israel – Sé

Ele não é conhecido apenas porque está sempre de chapéu, mas, acima de tudo, porque nunca escondeu sua devoção por Israel. Pelo contrário, cada vez mais tem se mostrado apaixonado por esse povo e por sua história, selada por conquistas e também por lutas. Quando gravou o CD O Sétimo, entre novembro de 1996 a abril de 1997, onde incluiu a música “O Lamento de Israel” tanto no idioma português quanto hebraico, afirmou: “Hoje me sinto ligado àquele povo pela submissão ao mesmo Deus, e faço questão de declarar meu profundo amor ao povo judeu.”

Prova ainda maior de seu amor e sua devoção declarados é o seu mais novo trabalho intitulado Yeshua, O Nome Hebraico de Jesus (“Jesus Cristo, o Messias”). “A intenção o título desse CD”, justifica, “não é a de sobrepor o nome de Jesus em português, pois Ele também atende aqueles que clamam pelo Seu nome em qualquer idioma. Mas apenas fazer com que esse nome tão precioso, Yeshua, nome pelo qual Cristo era chamado em Israel na língua dos hebreus, seja uma particularidade do nosso Mestre conhecida por aqueles que se tornam Seus discípulos, e jamais seja simplesmente ignorado por causa de seitas que tentaram (dando um nome parecido para entidades espirituais do mal) impedir que o nome Yeshua fosse conhecido e pronunciado com alegria pelos cristãos do Ocidente…”

Nessa entrevista que concedeu ao lagoinha.com, o cantor e compositor Sérgio Lopes fala de seu mais novo CD, de sua devoção a Israel e como a Igreja pode e deve contribuir em prol da paz nessa nação. Yeshua, O Nome Hebraico de Jesus é um CD que foi produzido em setembro do ano passado, período em que o mundo pôde assistir, aterrorizado, a queda das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Eis a sua dedicatória: “Dedico este CD a todos os enlutados pelas vidas perdidas no tenebroso dia do terror… em 11 de setembro.”

Lagoinha.com: Como se deu a idéia de gravar esse CD e por que resolveu fazê-lo?
Sérgio Lopes: Percebi que há um certo receio das pessoas em pronunciar o nome Yeshua (Jesus, em hebraico – o nome que Ele realmente usou quando esteve entre nós) por causa da parcial semelhança sonora com o nome Exu, dado às entidades que servem aos Orixás da Umbanda. Os pastores que por meio de seus estudos descobriam esse nome, Yeshua, falavam em suas pregações de uma maneira cautelosa, e os compositores que por acaso usavam esse nome em suas letras, o faziam de forma muito discreta. Então comecei a me perguntar se era certo que o cristão ficasse com medo de pronunciar o nome original de Cristo, quando o muçulmano e o budista fazem questão de honrar o nome original de seus profetas espirituais. Os muçulmanos conhecem tudo sobre o Maomé (Mohamed) deles, e se orgulham disso. Os budistas falam abertamente do Sidarta Gautama, o Buda, etc… Então, por que ignorar o nome original de Cristo? Só porque se parece com o nome Exu? Será que não era justamente o silêncio dos cristãos que as entidades da umbanda esperavam quando resolveram criar o nome Exu para seus mensageiros? Então orei, esperei que o Espírito me desse um sinal, e depois resolvi não apenas gravar músicas que contivessem o nome original de Cristo, para desfazer toda dúvida, mas ir mais além e expor com todo o destaque o Nome na própria capa do CD. A direção da gravadora inicialmente preocupou-se, pois achava que o CD iria encalhar nas lojas. Mas o resultado foi surpreendente, e o CD não pára de ser procurado. As pessoas compreenderam que não há nenhuma intenção minha em substituir o nome Jesus, mas apenas trazer da escuridão da história o verdadeiro nome terreno do Messias. Era atendendo por Yeshua que Ele realizou grandes milagres durante Seu tempo entre nós, e não posso ficar com medo de pronunciar esse Nome precioso. Foi clamando por esse nome que o cego Bartimeu foi curado, e muitos outros também. É este Nome que está sobre todo nome, e não posso me envergonhar dEle.

Lagoinha.com: Quanto tempo levou para gravá-lo e como se deu o processo?
Sérgio Lopes: O CD foi gravado calmamente durante os meses de agosto, setembro e outubro de 2001, e o processo de gravação não teve mistérios. Os músicos foram escolhidos de acordo com a intenção da sonoridade do CD, que tem uma certa tendência acústica, ponteada por violão com cordas de aço, percussão, backing vocal lineares (sem trêmulos na voz dos cantores) e orquestra de violinos, num estilo que alguns estudiosos de gravação de estúdio chamam de "vintage". Mas é realmente fácil de perceber que este CD não valoriza sonoridades digitais, e busca os sons mais comuns possíveis.

Lagoinha.com: Por que resolveu gravar esse CD numa época tão conturbada quando o mundo assistia aterrorizado a queda das torres gêmeas do World Trade Center? Que impacto isso causou na época?
Sérgio Lopes: Quando aconteceu a queda das torres, o CD já estava em plena finalização. Eu não podia nem precisava parar o processo de gravação. Mas aproveitei para fazer um improviso no final da música “Toma o Brasil”, apelando para que o Senhor traga paz para esse mundo cheio de guerras. Mesmo sabendo que sou apenas uma formiguinha, fiz a minha parte. Não me calei.

Lagoinha.com: Seu CD foi dedicado às vítimas desse atentado em setembro. Que respostas como gratidão obteve desse seu gesto?
Sérgio Lopes: Algumas pessoas me enviaram mensagens apoiando meu gesto de solidariedade. Muitas dessas pessoas moram nos Estados Unidos e vivenciaram uma parte daquele drama. Essas pessoas perceberam meu aceno e algumas que até me ignoravam passaram a me dar atenção. Ganhei alguns novos amigos.

Lagoinha.com: Se não tivesse ocorrido o atentado, ainda assim lançaria seu CD?
Sérgio Lopes: Claro que sim. Nenhuma música foi composta após o atentado. Quando ele ocorreu, todas as músicas já estavam sendo finalizadas e alguns amigos mais chegados, que já conheciam o repertório, ficaram impressionados com a sincronia da música “Toma o Brasil” com o momento de tensão vivido por todos nós em setembro de 2001. É uma pena que as rádios seculares ainda não abriram as portas para a música evangélica. A música “Toma o Brasil” era muito oportuna na época. Mas, é como eu disse antes, sou uma formiguinha fazendo a minha parte. Se as pessoas vão ficar sabendo disso, é outra história. Tenho de fazer a minha parte, mesmo que ninguém venha saber que eu a fiz. O Senhor sabe de tudo e isso é realmente o que importa.

Lagoinha.com: Nesse CD há uma música dedicada ao Brasil. Por que resolveu compô-la e qual sua intenção ao fazê-lo? A canção é um clamor, uma profecia ou uma declaração de amor?
Sérgio Lopes: Estamos falando exatamente da música “Toma o Brasil”. Posso classificá-la como um clamor profético. A música clama por uma intervenção do Senhor em todos os continentes, e invoca pelo Seu retorno para nos tirar do meio de tanta confusão.

Lagoinha.com: Na canção “Yeshua” ficou claro que há uma expectativa dos povos em relação à paz em Israel. Você acredita que essa paz virá? Como quando?
Sérgio Lopes: Mesmo que eu não creia que essa paz virá para Jerusalém, não posso deixar de clamar por ela. Há algo que não pode passar desapercebida aos nossos olhos: todas as nações que se abriram para Jesus Cristo – Yeshua Ha`Maschiach – estão vivendo em paz. Não estão vendo seu povo dizimado pela fúria de uma guerra sem sentido. Não é prudente que eu me estenda mais nessa resposta, pois esse assunto é extremamente delicado.

Lagoinha.com: Quando, como e por quê passou a se interessar por Israel?
Sérgio Lopes: Desde que assimilei a promessa feita a Abraão em Gênesis 12:3, quando o Senhor promete abençoar a todos quanto abençoarem a descendência de Abrãao. Eu já havia lido esse texto inúmeras vezes, mas no dia em que compreendi realmente o que o Senhor disse ali, eu logo compus a música “O Lamento de Israel”.

Lagoinha.com: A música intitulada “O Lamento de Israel” lhe rendeu um troféu como sendo a melhor canção na época, e seu CD O Sétimo lhe conferiu um disco de ouro. Como se sentiu e o que diz a respeito?
Sérgio Lopes: Foi uma honra ter sido escolhido pelo Senhor para compor e interpretar essa canção. Quanto aos troféus que recebi, eles não tem para mim nenhum valor, pois partem de entidades com fins comerciais. É por isso que não me convidam para essas festas de entrega de troféus, porque sabem que eu não vou. Uma vez ganhei de uma menininha, filha de um rabino messiânico que me reconheceu num avião, um broche pequenininho com a gravura de uma bandeirinha de Israel. Ela pegou de dentro da mochilinha dela e veio me entregar, sorrindo pra mim. Foi um dos troféus mais importantes que já ganhei, e essas cenas fantásticas da vida real não passam na televisão nem acontecem nos palcos.

Lagoinha.com: Como e por que resolveu compor essa música? Que circunstâncias o levou a isso e o que o motivou?
Sérgio Lopes: Além do que já falei acerca de Gênesis 12:3, gostaria de acrescentar que há também um outro versículo que me serviu como fundamento para a composição dessa música: Isaías 41:14, quando o Senhor chama carinhosamente a Israel de "bichinho de Jacó" (versão da bíblia revista e corrigida).

Lagoinha.com: Por causa dessa música e o prêmio que recebeu você foi convidado formalmente pela Embaixada Internacional Cristã em Jerusalém para representar o Brasil na segunda Festa dos Tabernáculos em comemoração aos 50 anos da Nação. Como tudo se deu e o que diz a respeito? De quantas festas já participou?
Sérgio Lopes: Ter participado de três Festa dos Tabernáculos e me aproximado ainda mais da cultura judaica foi um grande acréscimo ao meu ministério, no sentido de ter aprendido mais acerca de Israel. Senti-me honrado em ser lembrado durante três anos consecutivos nesta Festa dos Tabernáculos, e também já fui convidado para cantar em uma festa da páscoa dos judeus ortodoxos (Pessach), onde comi junto com eles pão sem fermento e ervas amargas, relembrando a páscoa instituída por Moisés na noite do Êxodo. Eu não me recordo exatamente de quantas festas já participei, mas não foram muitas.

Lagoinha.com: Além de ter participado (e quem sabe ainda participando) da Festa dos Tabernáculos e também gravando canções que declaram seu amor por Israel, o que mais tem feito para se envolver e se atualizar ao máximo sobre a Nação?
Sérgio Lopes: Estou estudando o idioma hebraico. Mas deixo claro que toda essa aproximação não tem o interesse de tentar convencer judeus a se tornarem cristãos. Nenhum cristão tem, em si, condição de convencer um judeu a nada. Eles são profundos conhecedores da Bíblia em suas nuances mais originais, pois o texto da Bíblia aos judeus pertence. Minha aproximação é por um “inexplicável” sentimento de afeto e identidade, algo realmente espiritual. E as coisas do Espírito não se explicam. Eu atravessaria um deserto ao lado de um judeu, tendo comigo um cantil de água, dividiria com ele cada gota, sem, em nenhum momento, tentar persuadi-lo a crer no que eu creio. Eu faria isso apenas por amá-lo.

Lagoinha.com: Em entrevistas que já concedeu você afirmou que depois que foi a Israel sua visão de Evangelho nunca mais foi a mesma. O que mudou desde então?
Sérgio Lopes: Nós humanos somos céticos por natureza. Falamos da incredulidade de Tomé, mas a maioria de nós é igual a ele. Lemos a Bíblia e cremos nela apenas por fé. Essa nossa fé muitas vezes é frágil e inconsistente. Temos tendência natural a crer de verdade somente no que podemos ver e tocar. Não apenas eu, mas todos os pastores com quem conversei e que foram a Israel, receberam uma nova motivação em seus ministérios. Talvez por termos o contato físico com algo que só conhecíamos na teoria. Isso muda tudo em nossa percepção das verdades bíblicas. É como se nós falássemos para Israel o que Jó falou para o Senhor: "Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem".

Lagoinha.com: No seu CD O Sétimo há uma inscrição em hebraico junto à foto do por do sol do Mar da Galiléia. O que está escrito ali? Dá para reproduzir o trecho em português?
Sérgio Lopes: É apenas uma impressão impressa por descuido. O que se lê ali é "Ha`Shevi”, que significa “O Sétimo”.

Lagoinha.com: Como a Igreja em todo o mundo deve se portar em relação a esses conflitos?
Sérgio Lopes: Em constante intercessão pela paz em Jerusalém. Nada mais resta a fazer.

Lagoinha.com: Uma vez que Israel é considerado biblicamente como sendo a nação eleita e o povo escolhido, como fica a situação dessa nação em relação a esses conflitos? Aqueles que já morreram ou poderão morrer já tem a eternidade garantida?
Sérgio Lopes: Há um tratamento do Senhor para com o povo de Israel que não está desvendado aos nossos olhos gentios. Não estou dizendo com isso que há privilégios para os judeus. Considero que pode até haver maior rigor no tratamento com eles, uma vez que o Messias foi manifestado diante deles e eles não creram. Contudo, é insondável aos nossos sentidos qual o tratamento dado pelo Senhor às gerações de judeus que foram impedidas de crer no Messias por causa da honra dada aos anciãos que repassaram a essas gerações subseqüentes o zelo por uma lei dada a Moisés, que foi transmitida pelo próprio Iahweh (Iavé), lei essa que determinava aos jovens uma inabalável honra aos seus pais. Esses pais passaram aos seus filhos a sua tradição mosaica, e assim é até os dias de hoje. O problema é que nessa tradição, Jesus Cristo figura como um profeta sem importância espiritual para a lei e a nação. Nesse campo, o que realmente creio, é que aquela geração de judeus que presenciou o Messias, e que O pendurou na cruz, é passível de condenação. Quanto às gerações que se seguiram, que não foram ativos na crucificação, não sei como foi o tratamento que o Senhor dispensou a eles, pois eles apenas creram naquilo que seus pais lhe ensinaram, e obedecer e honrar ao pai também é ordenança bíblica. Poderiam então ser condenados por obedecer a uma lei imposta pelo próprio Deus? Existem coisas que não são simples como parecem. Aconselho a que nenhum de nós faça juízo acerca dos judeus, pois nenhum de nós pode também se julgar digno do Reino de Deus, por mais reta que possa parecer a nossa vida.

Lagoinha.com: Os judeus em Israel e em todo o mundo ainda hoje esperam pela vinda do Messias?
Sérgio Lopes: Sim, eles esperam ainda a primeira vinda do Messias. Nós, os gentios, aguardamos a Sua segunda vinda.

Lagoinha.com: Um palavra pessoal a cerca do assunto.
Sérgio Lopes: Creio no conteúdo do Novo Testamento. Creio que o Messias já esteve encarnado entre nós, foi morto e ressuscitou ao terceiro dia. Fez revelar-se entre nós tudo o que Isaías havia predito no capítulo 53 de seu livro.

Lagoinha.com: A propósito, ainda se apresenta de chapéu?Quantos têm agora?
Sérgio Lopes: Em alguns lugares como ginásios, escolas, praças etc… normalmente eu uso o meu chapéu. Em igrejas, eu evito usá-lo a menos que o pastor me peça, como acontece algumas vezes. No entanto, em nenhuma hipótese eu oro com o chapéu. Creio que tenho uns seis ou sete chapéus. Se alguém quiser me presentear algum, fique à vontade. Meu número é 57.

Lagoinha.com: Possui algum traje típico de Israel? Quando o usou pela última vez e pretende usar novamente?
Sérgio Lopes: Gravei alguns clips em Israel e utilizei trajes típicos de lá. Tenho todos guardados comigo, inclusive alguns kipás e um lindo thalit, espécie de xale utilizado pelos judeus para cobrir-se durante as orações. Usei esses trajes pela última vez lá mesmo em Israel, e não tenho planos de usá-los novamente.

Lagoinha.com: De modo geral, como define a sua música?
Sérgio Lopes: Simples em sua construção harmônica, mas cuidadosamente lapidada em sua construção textual.

Lagoinha.com: Uma palavra pessoal àqueles que querem amar e orar cada vez mais por Israel e não sabem como fazê-lo.
Sérgio Lopes: Se você quer amar Israel, então você já ama e não sabia. Em suas orações, peça ao Senhor que tenha misericórdia de você e das pessoas que você ama, inclusive aqueles que sofrem sem paz em Israel.

Marcelo Ferreira
redacao@lagoinha.com