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Nelson, do “Eu Escolhi Esperar”, fala sobre sexo

A Comunicação da Mocidade Lagoinha entrevistou o pastor Nelson, do ministério “Eu escolhi esperar” para falar um pouco a respeito do tema do Seminário “Amor e sexo”, que acontecerá no dia 24 de janeiro, sábado, no Templo da Igreja Batista da Lagoinha, com início às 9:30 e encerramento no Culto da Mocidade. Confira a entrevista.

Foto: Odilon Fonseca

Foto: Odilon Fonseca

Comunicação Mocidade IBL – Temos visto que as barreiras para se falar sobre sexo são muito maiores dentro da igreja. Por que isso acontece?

Pr. Nelson – Existem muitos tabus e é um grande desafio falar sobre sexo dentro das igrejas. O “Eu escolhi esperar” é uma campanha que sofre uma resistência muito grande, principalmente entre os evangélicos. Há um “pré-conceito” forte contra o nosso trabalho em vários sentidos. Muitas pessoas acham que a campanha só fala de pureza e santidade para adolescentes. Outros pensam que o Eu escolhi esperar é uma campanha que prega apenas virgindade e que só podem participar pessoas que ainda são virgens. Existem também os que dizem que o Eu escolhi esperar é uma campanha para pessoas “encalhadas” dentro da igreja, que nós ensinamos sobre príncipes encantados e mulheres perfeitas, e que as pessoas devem ficar esperando sem propósito pelo par perfeito, a alma gêmea ou sua cara metade. Muitas pessoas acabam não participando das nossas palestras ou seminários porque já possuem uma opinião formada sobre o que fazemos sem nunca terem ouvido o que ensinamos. É um grande desafio também, porque existe uma falsa pureza na igreja. Ela confundiu o puritanismo com pureza. Puritanismo é tudo aquilo que tem aparência de puro, mas não é, que só produz frutos externos, mas não produz mudanças no interior.

Comunicação Mocidade IBL – Você acha que falar sobre sexo desperta o desejo em quem ainda não está despertado para essa área?

Pr. Nelson – Eu acredito que o falar sobre sexo nos padrões da Palavra de Deus não desperta o desejo e nem o interesse. Na verdade, confronta os desejos e interesses já existentes e despertados. Vivemos em uma sociedade que estimula a sexualidade, a erotização e a pornografi a. Cada vez mais precocemente as pessoas têm sua sexualidade despertada. Antigamente, sexo era assunto para jovens, depois passou a ser para adolescentes, mas hoje, até as crianças precisam ser ensinadas desde o início sobre sexuali- dade. E é justamente porque não falamos dentro da igreja que eles acabam aprendendo fora dela de forma distorcida. Aprendem, fazem escolhas erradas e acabam sofrendo as consequências disso. A minha pergunta é: até quando o sexo será um assunto entre quatro paredes? Sexo é um assunto que precisa estar presente nos púlpitos e principalmente nas conversas dentro de casa, entre pais e fi lhos. O Eu escolhi esperar não precisaria existir se os fi lhos fossem ensinados em casa e se os nossos adolescentes, jovens e crianças aprendessem nas suas igrejas. Sabemos que o desafio é grande e estamos prontos, preparados e nos organizando para colaborar e contribuir com a nossa geração.

Comunicação Mocidade IBL – Você acredita que santidade ainda exista nos dias de hoje? Que diferença isto faz na vida dos jovens?

Pr. Nelson – Não só acredito como tenho visto, todos os finais de semana, uma geração de adolescentes, jovens e adultos que clamam por santidade. As pessoas me perguntam por que o Eu escolhi Esperar faz tanto sucesso entre os jovens e adolescentes. Costumo dizer que na verdade existe uma grande carência. Toda essa dimensão e proporção que a nossa campanha tomou nacionalmente, acontecem justamente pela carência e pela falta de referências sobre o tema e o assunto. Já faz tempo que as pessoas têm sido criadas sem limites, então, a geração de hoje quer conhecer seus limites, deseja que alguém lhes diga o que é perigoso e o que podem ou não fazer. Esta é uma das razões porque milhões e milhões de jovens têm sido alcançados pela nossa campanha, por causa da mensagem. Nós temos visto uma geração de filhos órfãos de pais vivos e o Eu escolhi esperar tem trazido os padrões de Deus e eles querem ouvir a verdade, estão cansados dessa cultura do descartável, do passageiro, do imediatista e do prazer acima dos valores.

Comunicação Mocidade IBL – Como é falar para jovens que eles não devem praticar o sexo fora do casamento?

Pr. Nelson – Falar é fácil, o difícil é convencê-los. O desafio é grande, mas tentamos ensinar de forma bem clara, sincera, sem religiosidade, sem imposição e sem normas. Tentamos mostrar a importância de cada escolha. Mostramos biblicamente qual é o propósito do sexo, qual o propósito de Deus para a vida sexual dos seus fi lhos e mostramos as consequências de uma vida sexualmente fora dos propósitos de Deus, os seus desdobramentos e como isto reflete no casamento.

Comunicação Mocidade IBL – Existe alguma diferença entre falar de sexo para quem já praticou e para quem nunca praticou?

Pr. Nelson – Não, não existe. Abordamos em nossos seminários os princípios bíblicos que são os mesmos tanto para quem tem ou teve uma vida sexual ativa quanto para os que nunca tiveram. Não existem exceções. O que acontece é que os que já tiveram uma vida sexual ativa sentem mais dificuldade de se preservarem, uma vez que já experimentaram. Mas ensinamos como devem estabelecer novos padrões no novo relacionamento, seja namoro ou noivado, para que estas novas posturas e atitudes possam ajudá-los a segurar a onda, em vez de incitá-los ou excitá-los a voltarem à prática.

Foto: Internet

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Comunicação Mocidade IBL – Por que os vícios sexuais são tão recriminados e condenados e as igrejas não estão preparadas para lidarem com eles?

Pr. Nelson – Na verdade, o que temos visto é que a igreja faz muito alarde para os pecados sexuais, dando muita ênfase na condenação de quem os pratica e pouca ênfase no tratamento de ajuda, socorro e amparo. Por exemplo, se uma adolescente engravida, há um alarde. Ela e sua família passam por um grande constrangimento. Eu vi uma adolescente que tenha engravidado permanecer na igreja, porque ela acaba se desligando ou indo para outra, ou se afastando por vergonha ou culpa. Os pais dessa adolescente vão carregar um peso por causa da escolha errada da fi lha. A mesma coisa para os casos de adultério. O problema é que dão pouca ênfase em outros tipos de pecado, como se existisse pecado, pecadinho e pecadão, tendo em vista que todos os pecados têm o mesmo peso diante de Deus; as consequências é que serão diferentes. Mas, no que diz respeito aos pecados sexuais, é nítido que as igrejas no Brasil são imaturas quando o assunto é sexo, e os líderes despreparados. As denominações evangélicas não sabem tratar de forma corretiva, com sabedoria e com amor. Elas acabam punindo, excluindo e colocando no banco. Estas três coisas não ajudam a pessoa a se recompor ou a ser curada e ter a sua identidade sexual restaurada. Não é assim que se tratam os pecados sexuais. Precisamos de uma intervenção urgente. Os líderes evangélicos precisam estudar e buscar aperfeiçoamento para que possam orientar de forma saudável.

Comunicação Mocidade IBL – Qual é a recompensa para quem espera em Deus na área sexual?

Pr. Nelson – O esperar em Deus tem vários aspectos. No caso específico da nossa campanha, ensinamos as pessoas a esperarem o casamento para terem relações sexuais, convictos de que esta decisão proporcionará a eles aproximação do Senhor e uma vida de santidade. O jovem não deve só guardar as partes íntimas do seu corpo. A vontade de Deus é a nossa inteira santificação (1Tessalonicenses 4.3). O que estou dizendo com isso é que não adianta a pessoa se casar virgem se não se casar pura. Existe uma diferença muito grande. É possível uma pessoa se casar virgem, mas não se casar pura. Assim como é possível uma pessoa que não é mais virgem se casar pura. Esperar em Deus não é só não ter sexo antes do casamento, vai muito além disso. É viver uma vida de pureza, santidade e de integridade emocional. É saber guardar todo o corpo, não só as partes íntimas, mas os olhos, os lábios os ouvidos, e, acima de tudo, guardar o seu coração (Provérbios 4.23). Temos visto uma geração que tem cuidado tanto do corpo, mas não sabe cuidar bem do coração. Eu não sou cardiologista, mas costumo brincar dizendo que está na hora de cuidarmos bem do nosso coração. Precisamos ensinar nossas crianças, nossos adolescentes e jovens sobre a importância de se desenvolver relacionamentos saudáveis e duradouros. A cultura do descartável e do prazer imediato tem destruído o futuro de muitas pessoas. Nosso objetivo com esta campanha é fazer com que os jovens entendam que Deus tem um plano para todas as áreas da vida deles, não só para a profissional ou financeira ou para a vida em família, mas também para a sua sexualidade.