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Pastores relatam como é viver no meio do conflito entre Israel e Palestina

Voz de Muitas Águas no programa De Tudo Um Pouco

Voz de Muitas Águas no programa De Tudo Um Pouco

Há dois meses de passagem pelo Brasil, os pastores Ricardo Schulz, Rodrigo Cardoso e Simone Warmling têm compartilhado pelas igrejas os projetos desenvolvidos em Israel e aproveitado a oportunidade para relatarem a situação do conflito entre Israel e Palestina. Eles estiveram na Igreja Batista da Lagoinha no dia 29 de julho, no Culto Fé, junto aos pastores André e Ana Paula Valadão (clique aqui e assista ao culto completo).

Os pastores vivem, há aproximadamente seis anos, em Jerusalém, onde desenvolvem a ONG “Voz de Muitas Águas”. O projeto auxilia crianças palestinas, fornece ajuda a andarilhos e moradores de ruas judeus.  “O alvo é mostrar que a partir do amor é possível ter paz”, explica Simone.

No lugar onde a guerra parece não ter fim, eles construíram o próprio lar. “Casei-me com uma judia e a pastora Simone deixou os filhos em Israel com a família enquanto ministramos pelo Brasil”, relata Rodrigo. Os três viajantes retornarão a Israel no final de agosto para continuarem tentando promover a paz em terras de sangue.

Vocês participam do ministério Voz de Muitas Águas. Fale um pouco sobre este trabalho.

O ministério “Voz de Muitas Águas” começou há 13 anos. O desejo que impulsionou a pastora Simone (fundadora da organização) a iniciar o projeto foi o de ver jovens tocados pela presença do Senhor e de cultivar a atmosfera de avivamento todos os dias. A partir desse sentimento, foram desenvolvidos diversos trabalhos sociais em comunidades carentes como associações, espaços de Café para reinserir na sociedade, jovens que saíram das cadeias. Alguns trabalhos são desenvolvidos no Brasil, enquanto outros são organizados em outras nações como Israel, onde nós estamos.

Ministério Voz de Muitas Águas em visita à Lagoinha

Ministério Voz de Muitas Águas em visita à Lagoinha

Como é o projeto que vocês desenvolvem em Israel?

Temos a ONG “Voz de Muitas Águas” que é reconhecida e legalizada pelo Governo. O centro das atividades da ONG é um Café localizado no coração de Jerusalém. Para esse espaço que é uma espécie de restaurante bistrô, trouxemos uma chefe de cozinha da Irlanda. A comida é maravilhosa. A alta sociedade israelense frequenta o nosso Café.

No mesmo ambiente do Café com fins comerciais funciona nosso quartel general de ajuda humanitária; andarilhos meninos de rua comem no mesmo espaço que os clientes. Conseguimos reunir os dois públicos no mesmo ambiente. Embora seja um rompimento cultural, os israelenses seguem as leis bíblicas de ajuda ao próximo e menos favorecidos com muita intensidade, por isso, o nosso trabalho tem se tornado possível.

A equipe que trabalha é toda voluntária e o lucro do espaço é destinado aos trabalhos sociais que desenvolvemos em Israel. Há pouco tempo recebemos uma crítica positiva do Café feita por uma revista conceituada de Israel. Procuramos a partir do nosso espaço, dar trabalho para as pessoas e mostrar à sociedade que é possível promover um lugar de paz. O alvo é ajudar as crianças palestinas; portanto, criamos um diálogo entre a sociedade israelense e a necessidade palestina.

Vocês vivem em Israel há seis anos. Para alguém que lida tão de perto da situação, qual é a visão que vocês têm do conflito entre Israel e Palestina.

Temos “batido na tecla” por onde passamos pelo Brasil, que a igreja precisa desenvolver uma visão a respeito do conflito entre Israel e Palestina que não comprometa a Bíblia em nada. Digo não comprometer a Bíblia no sentido de honrar a aliança eterna que Deus fez com Abraão na questão que a terra é dos judeus, também não podemos comprometer a Bíblia no Sermão da Montanha a respeito do amor ao próximo, de se importar com o pobre necessitado. Então, temos que honrar a Deus e a necessidade do povo palestino. Dessa forma, conseguimos entender a visão, como um todo, que engloba tanto judeus quanto árabes.

palestina

Foto: Reuters

Como é a viver em um país onde a guerra nunca acaba?

Imagine viver em uma constante ameaça de bombardeio? No dia a dia do trabalho você fica preocupado com os filhos na escola ou em qualquer lugar que eles estejam. Quando a sirene (alarme de perigo) toca, sempre passa pela mente qual família ficou sem casa ou que perdeu um ente querido. Graças a Deus o Senhor sempre guardou a todos da ONG. Já aconteceram bombardeios perto de nós, mas como o antimíssil de Israel é muito eficiente, nunca aconteceu nada conosco. Já vimos mísseis explodindo no ar, em cima das nossas cabeças, mas foram interceptados.

E a população israelita?

A população de Israel fica com medo. É uma pressão psicológica muito grande. Os moradores criam diversas formas de tentar lidar com isso. Infelizmente tem muito israelense que até criou um senso de humor meio macabro a respeito dessa situação. É uma realidade que eles vivem há muitos anos.

arabe e judeu

Como vocês procuram minimizar a situação a partir da ONG?

A ideologia do Hamas é de exterminar os israelenses. O nosso objetivo com a ONG é fazê-los amar.  Uma das estratégias que tem nos ajudado muito é trazer grupos de Israel para conhecer os projetos realizados por nós no Brasil. Eles veem as pessoas que eram líderes do crime, donos de boca, com a vida totalmente transformada. Então, criam esperança de que a transformação também é possível em Israel.

Como vocês explicam o conflito entre Israel e Palestina?

Israel é um país extremamente acolhedor, embora a imprensa divulgue diferente. Discordamos da maioria das informações divulgadas pela mídia. Para ilustrar melhor a situação entre a Palestina e Israel vou dar um exemplo: suponhamos que o Uruguai tente atacar o Brasil por questões ideológicas ou religiosas. Então, eles organizam um armamento para atacar o Brasil e durante 10 anos atacam as maiores cidades do nosso país, bombardeando de dia e de noite.

O Brasil desenvolve uma capacidade de armamento superior ao do Uruguai e cria um sistema de defesa muito bom, que impede os mísseis de chegar ao solo brasileiro. Contudo, o Uruguai não para de atacar o Brasil. A população brasileira começa a ter pesadelos, porque a qualquer momento a sirene pode tocar e os moradores precisam ir para um abrigo antibomba. Depois de dez anos de conflito, o Brasil organiza uma operação militar estratégica para desativar os mísseis do local de lançamento das bombas, mas o mundo inteiro acha um absurdo porque o Brasil é muito maior.

É justo desmerecer a realidade de que o Brasil tem o direito de defender a sua população? Claro que não! O fato é que todo o conflito começou por que o Uruguai começou a atacar. Em Israel nós não somos a favor da morte dos palestinos, mas quem está matando os palestinos é o Hamas. O Hamas coloca as crianças em cima dos telhados para serem bombardeadas. Por quê? Porque eles têm uma ideologia que valoriza a morte e não a vida.

A gente mora lá e tem amigos palestinos; inclusive, estamos na casa de palestinos. Conhecemos as pessoas que estão em Gaza e muitas delas estão pedindo, pelo amor de Deus, para tirar o Hamas de lá. E Israel está fazendo isso.

:: Érica Fernandes