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“Seguir Jesus é ser imprevisível”, diz Jason Upton

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Um dos convidados especiais da Conferência Profética Clamor pelas Nações, a ser realizada na Igreja Batista da Lagoinha entre os dias 30 de janeiro a 1º de fevereiro, é o cantor Jason Upton. Filho de pais adotivos, Upton cresceu em Minneapolis, no estado de Minnesota e começou a cantar aos 15 anos de idade. Desde então tem dedicado a vida ao louvor e à adoração.

Ele gravou aproximadamente 10 álbuns com destaque para o CD “Faith” (2001), que por causa da sua flexibilidade vocal, desenvoltura no piano e originalidade nas composições lhe renderam uma honrosa comparação com Keith Green. Pela primeira vez em Belo Horizonte, Upton revela estar muito “empolgado” com o que Deus fará na capital mineira. Confira abaixo um pouco mais sobre Jason Upton.

Lagoinha.com: É a sua primeira vez em Belo Horizonte. Quais são suas expectativas sobre o tempo que vai passar aqui?

Jason: Estou muito empolgado em estar em Belo Horizonte pela primeira vez. Sou amigo de Dan e Marti Duke há anos e encontrei com muitas pessoas que me disseram que Belo Horizonte é o centro da adoração [a Deus] da nação brasileira. Estou empolgado para orar e adorar com o público mineiro.

Lagoinha.com: O que você espera da Conferência Clamor pelas Nações?

Jason: Espero que possamos adorar, orar e nos tornar intensos diante da presença viva de Jesus.
Lagoinha.com: Como você vê o cristianismo no Brasil?

Jason: Os cristãos no Brasil são apaixonados! Minha oração é que aprendamos a adorar em Espírito e em Verdade. Que nosso caráter e comprometimento sejam semelhantes à nossa paixão e adoração.

Lagoinha.com: As letras de suas composições são adorações profundas, como a música “Fly”. Como você vê a música Cristã? A música evangélica tem se tornado refém da indústria da música?

 Jason: A música “Fly” é um momento espontâneo capturado. A intenção nunca foi transformá-la em uma “composição”, como a música “In your presence”, que é uma oração musicada. Já em relação à segunda pergunta sobre a indústria da música, entendo que a indústria em geral mantém a criatividade como refém. A indústria é uma máquina. Seguir a Jesus é ser criativo. Somos moldados e formados pelo Mestre Oleiro! Não somos forjados por uma máquina. A misericórdia é imprevisível. Deus é imprevisível! A indústria faz as coisas totalmente previsíveis, porque a indústria é sobre eficiência e rapidez. Seguir a Jesus é ser imprevisível e geralmente mais vagaroso do que gostaríamos. Então, temos que escolher quem vamos seguir: o Deus vivente, amoroso e criativo ou a máquina!

jason tocando

 Lagoinha.com: Você canta desde os 15 anos de idade. Pela sua experiência o que mudou na música cristã nos últimos anos?

Jason: A adoração se tornou menos trinitária, menos íntima e mais dualista do que quando eu era criança. O foco hoje é mais no império de Jesus conquistando o mundo. Não estou dizendo que esse foco é completamente errado. Os humanos sempre querem conquistar o mundo! Mas o modo como vivemos e como conquistamos é através do poder do amor. O “caminho de Jesus” tem que levar de volta à adoração e na maneira como vivemos. Somos uma nação santa. Nossa expressão de adoração precisa revelar a diferença entre o caminho de Adão, o caminho de Caim, o caminho de Jacó (isto é, o caminho do mundo), e o caminho de Jesus.

 Lagoinha.com: É impossível entrevistar você e não perguntar sobre a experiência na qual você cantou com um anjo, durante a gravação do CD “Remember”. Por favor, nos conte um pouco sobre isso.

Jason: Não me lembro de ter cantado com um anjo, em si. Quer dizer, eu não disse “Senhoras e senhores, por favor, deem boas vindas a Gabriel ao palco”! (Risos). Um garoto me disse que ele viu um anjo em pé atrás de mim na noite em que o CD “Remember” foi gravado. Quando ouvimos a gravação, notamos um som que parecia de um garoto cantando em um tradicional “coral de meninos”. De acordo com o engenheiro, claramente aquilo não era um som harmônico. Não sou gnóstico. Acredito que estamos na presença de anjos. Acredito que o céu é uma realidade a um passo de nós. Contudo, mais importante que isso, é que creio na ressurreição de Jesus. Creio que Ele está sempre presente. Portanto, presumo que não seria estranho se um anjo se juntasse a nós enquanto cantamos.

Ao mesmo tempo, não quero que os anjos sejam ressaltados aqui. Não deveriam ser. O Reino dos Céus não é para “pessoas especiais”. Antes, o Reino dos Céus está presente para toda a humanidade aqui e agora. Meu trabalho é fazer as pessoas se conscientizarem dessa realidade. Não precisamos fazer propaganda e fazer acreditar. O Reino de Deus é uma realidade presente. Precisamos vivê-la como ela é.

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Lagoinha.com: Muitas pessoas duvidam que uma pessoa possa ter cantado ao lado de um anjo. Você acredita que parte dessa incredulidade é causada por uma falta de ações sobrenaturais hoje em dia?

 Jason: Muitas pessoas duvidam que uma virgem deu à luz, da ressurreição de Jesus, da comunhão dos santos, da vida eterna! Pessoas podem levar isso em conta com os pais da igreja e os escritores de “Nicéia” e o credo dos apóstolos. Quero viver uma vida que vem de encontro aos credos com o ensino mais ortodoxo. A ideia do mistério não é uma coisa nova. Antes, mistério é uma realidade antiga e fundamental dentro do Cristianismo Ortodoxo.

Manipular ou usar termos como “angelicais” só para fazer parecer que “eu sou especial e os anjos cantam comigo” é gnóstico. Eu acredito que o Gnosticismo é uma heresia. Então, vou deixar claro: eu não sou gnóstico… Eu simplesmente acredito na realidade presente do Reino dos céus aqui na Terra. Acredito na proximidade de Deus.

Lagoinha.com: Você é um filho adotivo, pode compartilhar um pouco sobre essa experiência?

Jason: Amo ser adotado. Entendo comunidade e família dentro do corpo de Cristo de um modo real e tangível pelo fato de ser adotado. Por exemplo, estar conectado a família de sangue é uma experiência recente para mim, com o nascimento dos meus filhos. Meu pai, que me adotou, sempre me dizia: “Jason, assinei um contrato para ser seu pai. Sou legalmente ligado a você. Eu nunca poderei renegá-lo ou deserdá-lo”. Aquelas palavras desenvolveram o jeito como eu vejo ser adotado por Deus.

Entrevista: Érica Fernandes

Tradução: Natália Celle