Prova de que não há nada que possa deter o nome poderoso de Jesus é que vidas têm se rendido ao senhorio de Cristo, sido salvas e libertas para além das cadeias físicas!

Aos 14 anos, o primeiro filho. Aos 22, o quinto. Um deles perdeu antes do nascimento, vítima da violência doméstica contra a mulher. Dois deles foram adotados e um foi criado pela família. Cada um deles de um pai. O quinto é a confirmação da espera de um novo tempo em sua vida, de um renascimento em Jesus que está próximo de chegar. A primeira prisão por causa de uso e tráfico de drogas. Depois o envolvimento conturbado em uma relação em que a paixão, drogas, tristeza, dor, rejeição da infância, revolta, euforia, ciúmes e demais frutos da carne, pareciam estar muito próximos e se misturar, e, consequentemente, cada vez mais distantes do propósito de Deus. Resultado: uma nova reclusão. Histórias assim chocam e se repetem, avassaladoramente, em diversos lares brasileiros. Lares cristãos, inclusive, têm sido bombardeados pelo efeito entorpecente das drogas não apenas para quem as usa, como também para as famílias que sofrem com o vício de um de seus membros. E infelizmente, muitas vezes de vários membros em uma mesma família.

Com mais de 70 anos em vigência, o Código Penal será atualizado em breve. Uma comissão de juristas está trabalhando para que no fim de junho seja encaminhado um anteprojeto para discussão e votação no Congresso. No conjunto de alteração ao Código, a descriminalização da maconha para uso pessoal de acordo com um limite de quantidade que cada usuário poderá consumir de acordo com cada tipo de droga. Esse padrão será estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o que em geral permite uma quantidade suficiente para cinco dias de consumo. Com a reformulação passa a ser crime o uso pessoal de drogas de forma ostensiva em locais públicos de concentração de crianças e adolescentes, sob pena de prestação de serviços à comunidade ou medida educativa. Porém, o tráfico continua sendo crime, sob pena de cinco a dez anos de reclusão.

Talvez esteja se perguntando a razão dessa introdução tão extensa. A resposta é porque muitas das realidades apresentadas anteriormente são devido ao uso de drogas. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é campeão mundial de assassinatos, tem uma polícia com histórico de brutalidade, uma justiça lenta e a quarta maior população carcerária do planeta, com 500 mil presos, muitos deles em cadeias superlotadas e situação precária de sobrevida. Após a primeira pergunta, deve estar se perguntando também: “Como cristão, parte do Corpo de Cristo, o que posso fazer?” A resposta: muito e já. Mas se a pergunta “como”? ainda invade seu ser, acompanhe esta jornada, você não é o único a compreender como a Palavra diz, que a mente do cristão precisa ser transformada e o mesmo não pode viver em uma espécie de conformismo com os valores deste mundo.

A Igreja de Cristo: do Corpo para os perdidos!

De norte a sul do país, grupos de cristãos têm se levantado como agentes do evangelho de Jesus a proclamar as boas novas aos encarcerados. Pessoas que perceberam que com esse público potencial de meio milhão de presos, muitas vidas precisam ser libertas atrás das grades. “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” (Gl 5.1) É Cristo, e somente Ele que liberta, e seus mensageiros são aqueles que calçam as sandálias do evangelho e creem que nem as cadeias físicas podem deter a liberdade daquele que reconhece o senhorio de Jesus sobre sua vida e história.

Na Lagoinha um pequeno grupo desses mensageiros, tem levado as boas novas de Jesus às reclusas do Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Vespasiano, Minas Gerais, desde um pouco mais de três anos quando o mesmo foi criado. O Centro de Referência é um sistema prisional diferenciado, como explica a diretora, Diana Mara da Silva, psicóloga do Centro de Referência: “Com uma série de procedimentos humanizados e equipe multidisciplinar, a finalidade é propiciar às mulheres que estão em situação de privação de liberdade que são mães e/ou estão grávidas que elas possam cuidar dos seus filhos no primeiro ano de vida que é fundamental para o desenvolvimento tanto emocional quanto físico da criança”. Atualmente, em média 59 mulheres ficam em reclusão e já passaram por lá cerca de 300. A maioria delas, quase 70%, vai embora com o bebê, o que quer dizer que não há perda de vínculo. Em parceria, o projeto Mulheres Ajudando Mulheres ministra os cultos, discipulados, atividades profissionais e oficinas de artesanato para que as reclusas, após o cumprimento da lei, possam ser reinseridas na sociedade assumindo uma nova vida. As visitas e oficinas são realizadas uma vez por semana e o culto sempre na última quinta-feira do mês. Hoje, das reclusas, cerca de 80% já aceitou Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas: “Temos notado a transformação dessas mulheres. Elas estão reclusas, mas não privadas do amor de Deus. Quando elas descobrem esse amor, brota no coração o desejo de mudar de vida”, conta a pastora Mônica Paula que está à frente do projeto.

Diana fala sobre a importância da parceria com o projeto da Lagoinha: “O ser humano é biopsicossocial e espiritual. É fundamental o apoio espiritual, a presença da igreja, os cultos realizados, os atendimentos individuais que os pastores e voluntários fazem. O apoio espiritual é muito importante porque propicia tranquilidade e aceitação”.

Hélida Alves Ferreira, obreira voluntária da Lagoinha, estudante do Seminário Teológico Carisma, conta sua experiência integrando o projeto: “Ser cristão é ter as mesmas atitudes de Cristo. E uma das atitudes que Cristo teve foi libertar os encarcerados na prisão. Uma experiência sobrenatural que vivi em uma das visitas às reclusas foi quando o Espírito Santo me guiou a ministrar que estar preso fisicamente é estar preso nas próprias emoções e pensamentos. Vi algo sobrenatural nessa ministração quando Deus libertou tanto as presidiárias quanto as agentes, foi um dia de muito choro e cura. É necessário vivermos Cristoem nós. Aliberdade em nós é vivermos com as mesmas atitudes de Cristo, conforme lemos em Isaías 61.1-8”.

Uma das reclusas, cuja identidade foi preservada na matéria, deixou um recado de alerta para os adolescentes e jovens, principal grupo de vulnerabilidade ao uso de drogas e às prisões por adesão ao tráfico: “Aconselho às jovens e adolescentes a nunca se iludirem porque é muito triste essa realidade. Escutem mais os pais e a família, que além de terem mais experiência nos amam. O prazer momentâneo das drogas não compensa. É uma ilusão. Na verdade, as pessoas nesse meio só querem aproveitar de nós. Não se iluda com o dinheiro de traficantes, isso não é paixão é ilusão”.

O clamor dessa reclusa é comum ao de muitas outras: “Precisamos ter firmeza com Deus. Ele corrige, Ele não castiga. Tudo que a gente faz, Ele corrige. Eu acredito que Ele pode mudar minha história porque Deus já fez isso. Eu quero só uma chance para retomar minha família depois que eu for embora, renovar minha vida daqui para frente. Sei que Deus me dá uma nova chance de viver”.

Seja uma resposta de oração ao clamor dos encarcerados e com a sua oração, voluntariado e oferta, seja um agente para quebrar cadeias espirituais para a glória de Deus.

Fale com a Pra. Mônica Paula e saiba mais sobre o projeto Mulheres Ajudando Mulheres: (31) 8793-4800 / 3421-3415.

 

Thalita Daher

 thalitadaher@lagoinha.com