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“Você tem que se amar e ser feliz no número que você veste”, diz modelo “plus size”

Cristã desde a infância, Jéssica Verly ganhou título de Primeira Princesa em concurso de beleza

Foto: Edy Fernandes

Foto: Edy Fernandes

A jovem cristã Jéssica Verly participou do “Miss Minas Gerais Plus Size 2015” (para mulheres que vestem a partir do tamanho 44), realizado em Belo Horizonte (MG) no dia 8 de março. Ela ganhou, em segundo lugar, o título de Primeira Princesa Plus Size.

A modelo nasceu em um lar cristão no Rio de Janeiro. Aos 4 anos de idade, mudou-se para Minas Gerais, onde morou durante 22 anos, e, há seis meses, vive em São Paulo.

Mesmo nascida em um ambiente cristão, ela entendeu, ainda na infância, que deveria confessar Jesus como Senhor e Salvador. Quando morava em Minas, Jéssica chegou a participar, como intérprete, de congressos na Lagoinha. Hoje, ela congrega em uma igreja em São Paulo e tem se dedicado a levar a mensagem do amor de Cristo às pessoas ao seu redor.

Em visita a Belo Horizonte (MG), a modelo foi entrevistada pelo Lagoinha.com. Jéssica falou sobre a carreira e os planos e como é possível manter os princípios cristãos em um trabalho secular na área da moda. Além disso, ela explicou como o título de “Princesa Plus Size” poderá ajudá-la na missão de mostrar a meninas e mulheres que elas são amadas por Deus e, portanto, precisam de amor próprio.

Foto: site Miss Brasil Plus Size

Foto: site Miss Brasil Plus Size

É possível manter os valores cristãos na carreira como modelo?

Eu achava que não. Mas me surpreendi bastante. Fui com bastante receio e curiosidade para saber exatamente o que era esse meio. Mas ao chegar lá e conhecer as meninas [participantes do concurso], nos dois dias que estivemos juntas, vi Deus trabalhar na vida delas, mesmo sendo um concurso em que, normalmente, você acha que não vai ter nada relacionado a Deus, que trata-se apenas de competição. O que eu vi foram meninas lindas, aprendendo a se aceitar, se amar.

Tivemos palestras com uma couch, que ensinou a entender o nosso corpo, e percebi que muitas daquelas meninas foram sendo curadas, independente de qualquer padrão, qualquer estereotipo de beleza. […] Surpreendeu-me, foi diferente do que eu esperava.

Tenho muito desejo não só de ficar nessa área, mas de focar em palestras, exatamente para essas mulheres “plus size” que não se aceitam como tal. Quero ajudá-las a se amarem, se aceitarem. Não aquela apologia à obesidade. Você tem que se cuidar, fazer exercício, comer bem, tem que se amar. Você tem que olhar no espelho e falar: “Eu sou bonita, eu sou uma princesa do Senhor”. Se eu não me amar, como eu posso amar o meu próximo? Como que eu posso fazer a obra de Deus, ser usada por Ele, se eu não consigo nem aceitar o que Deus fez? Porque quando você não se ama é como se você estivesse criticando a obra de Deus. […] Nós não somos iguais. Deus fez com tanto zelo, com tanto carinho cada um de nós.

Como você pode ser um exemplo para meninas que buscam seguir os padrões de beleza que a mídia impõe?

Foto: site Miss Brasil Plus Size

Foto: site Miss Brasil Plus Size

Eu tenho esse desejo de ser usada por Deus não para criticar o padrão que já existe ou para estabelecer um novo padrão, mas simplesmente para mostrar que você tem que se amar e ser feliz no número que você veste, do tamanho que você é; que o número da sua roupa não pode influenciar em como as pessoas lhe tratam, em como você trata as pessoas, em como você se sente; que você tem que se achar linda, se cuidar, se arrumar, se vestir de forma que valorize, sem expor, o seu corpo, se alimentar bem e esquecer um pouco do padrão do mundo, seja ele tanto para “plus” quanto para um tamanho 36. Não preciso ser igual a ninguém para ser feliz.

Quais são os desafios da carreira?

Os desafios são, infelizmente, ainda, o padrão que existe no mundo, as pessoas olharem, julgarem, acharem diferente, estranho. As próprias mulheres ainda olham e julgam, querem se espelhar num padrão bem mais magro. Mas eu também preciso ter essa imagem real de que talvez eu nunca vá usar um 36. Posso usar um 40 ou 42.

Como eu já me aceito mais, entro nos lugares e já sei quem eu sou, independentemente de quem olhar e julgar. Mas quando criança, principalmente, eu sofri bastante bullying. Acredito que hoje tenha diminuído um pouco. Mesmo que não tenha diminuído, eu tenho mais maturidade para filtrar. Mas existem mulheres que ainda se deixam se afetar muito pelos comentários.

Você se orgulha de ter ganhado o concurso “plus size”?

Sim. Acho que Deus quer usar os filhos dEle em todas as áreas, seja no mundo da moda, seja como dentista, médico ou jornalista. Pensava que era difícil conseguir espaço no meio artístico, no meio da moda, e fiquei muito feliz ao ver que Deus quer me usar nesta área, que Ele está me usando. Eu quero estar disposta a fazer a vontade dEle. E quando Deus dizer: “Não é mais aqui que eu quero você”, estou pronta para ir aonde Ele me mandar. Mas enquanto eu estiver nesta posição, quero honrar o nome do Senhor e mostrar o amor incondicional de Deus independentemente de biotipo.

Quais são seus planos de carreira?

Tenho vontade de continuar participando dos concursos, fazendo fotos e propagandas, mas tenho pensado bastante na área de couching, em palestras para mulheres, tanto em concursos quanto fora deles. Como Princesa Plus Size, usar o título para espalhar a autoaceitação e o amor próprio mais do que focar em fotos ou desfiles.

Alguém me perguntou, ao final do concurso, se eu tinha ficado chateada por não ter ganhado o primeiro lugar. Mas fiquei tão em paz, tão tranquila, sentindo que realmente Deus havia me colocado naquela posição. Nada acontece fora da vontade dEle. E estou exatamente no título em que Ele queria que eu estivesse.

Sobre o concurso

É exclusivo para mulheres com vestuário a partir do tamanho 44. A primeira seleção elege a Miss e a Princesa Plus Size de cada estado brasileiro participante. Assim que as etapas estaduais terminam, as vencedoras participam do “Miss Brasil Plus Size”, em âmbito nacional.

:: Dayane Cristina