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A Justiça de Deus não tarda e nem falha

Confira o testemunho do juiz que não negociou os valores e princípios pelos quais fundamentam nossa fé

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Muitas pessoas talvez se lembrem de terem lido em jornais, em 1999, que um Juiz de Direito foi processado por dar Bíblias para presos. Isso mesmo. Foi em Carangola, no interior de Minas Gerais que o juiz Relbert Chinaidre Verly foi processado por dois promotores de justiça ao argumento de que havia violado a liberdade de crença dos presos, além de ter violado a Constituição Federal e ainda desviado dinheiro dos cofres públicos, o valor referente a R$ 269,18 (duzentos e sessenta e nove reais e dezoito centavos).

“Tenho dito que só quem já foi processado é que sabe o que minha esposa e eu sentimos naquela época. Ela também foi processada por ter encomendado as Bíblias Sagradas em sua loja de instrumentos musicais e artigos evangélicos, a preço de custo. Estávamos sendo processados injustamente, pois o dinheiro que utilizamos para a compra das Bíblias foi arrecadado de uma festa gospel que promovemos no parque de exposição da cidade.

Após arrecadar recursos, por meio da Adhonep, disponibilizamos a verba ao conselho da comunidade, para que fosse usada na reconstrução da cadeia pública  que estava em péssimas condições, já que o Estado não mandou verba para reforma da mesma.

No dia da inauguração da cadeia, a serventuária que cuidava das compras me pediu autorização para comprar colchões, fronhas e travesseiros novos para os presos que estavam para voltar à Carangola. Logo autorizei a compra e disse: “Vamos dar também uma Bíblia de presente para cada preso. A ideia agradou a todos e foi uma grande festa. Os presos que estavam amontoados em cadeias vizinhas ficaram aliviados e felizes em ver o padrão e a qualidade da obra que fizemos.

Para minha surpresa, um dia após a festa de inauguração da cadeia, cheguei ao Fórum e fiquei sabendo que estávamos sendo processados numa ação civil pública, por ato de improbidade administrativa, além de uma representação criminal contra mim na corte superior do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Fiquei muito triste com a situação, pois havia me dedicado bastante para que a obra fosse concluída com sucesso.

No ano de 2001 acabei saindo de Carangola por não aguentar mais a situação no relacionamento com os dois promotores que estavam nos processando e fui para a Comarca de Além Paraíba. Descobri coisas maravilhosas dentro da luta, pois vi que tinha ao meu lado uma esposa que era uma verdadeira companheira e estava disposta a enfrentar qualquer adversidade para estar ao lado do marido. Ela aceitou sair da nossa casa confortável para ir morar em uma antiga casa abandonada, a única disponível em Além Paraíba. Enfrentamos também luta para vendermos nossa casa em Carangola, somente quando iniciamos uma campanha de oração, a casa foi vendida pelo valor de R$ 116.000,00.

Alegres, entregamos o dízimo com fidelidade, R$ 11.600,00. Dois dias depois disso, um advogado me ligou do Rio de Janeiro dizendo que eu havia ganhado uma ação de empréstimo compulsório ingressada no ano de 1986. Quando cheguei ao Rio de Janeiro para receber, o advogado disse que não sabia o valor que eu deveria receber. Mas Deus já sabia. Só no dia seguinte, quando chegamos na Justiça Federal soube o valor exato: R$ 11.600,00. Glória a Deus! O mesmo valor que havíamos entregado na igreja para cumprir o mandamento do dízimo ao Senhor.

O tempo passou e ainda estávamos respondendo ao processo. Em junho de 2001, um oficial de justiça me procurou e disse que tinha uma intimação para nós. Seria a audiência do processo das Bíblias em Carangola. Ao falar com minha esposa sobre isso, choramos, pois revivemos os anos de luta que estávamos passando, com tristeza pela ingratidão, a injustiça, a maldade humana, e tantos outros adjetivos que não será preciso enumerar.

Mas no momento do choro, minha esposa viu um calendário sobre a cômoda no quarto que continha mensagens diárias e me perguntou qual era o dia da audiência. Disse que seria no dia 25 de novembro. Ela virou as páginas até o dia 25 e falou: ‘Olha o que está escrito aqui, meu amor: Bíblia, a arma do crime. Esta foi a manchete do jornal de Carangola, em 1999, no dia em que fomos processados. Pedi a ela o calendário para ver melhor e no verso estava escrito toda a nossa história.

Sentimos o cuidado de Deus para conosco e disse: ‘Você ainda tem dúvida do Deus que nós servimos, meu amor?’ Deus permite que situações adversas aconteçam para nos abençoar. O resultado não poderia ser outro. Do processo criminal fui absolvido por 25 a zero. E da ação civil pública, que de fato teve uma audiência no dia 25 de novembro, tivemos vitória, é claro. Deus tem cuidado de cada um de nós e sempre tem um escape nos momentos de lutas e crises, devemos aprender rapidamente com as lutas qual é a lição, para que a prova acabe bem depressa.

Descobri diversas situações em meio a essa luta, que Deus manda mesmo anjos acamparem ao nosso redor para nos livrar, que nossa luta não é contra carne ou sangue e que se o nosso inimigo for de carne e osso, algo está errado. Além disso, entendi que não estamos sozinhos na luta.

No dia em que foi publicado no jornal a matéria do processo das Bíblias, logo recebi uma ligação a pedido do pastor Márcio Valadão, o que me confortou e trouxe enorme alento, pois disseram que estavam orando por mim e por minha esposa. Dias depois recebi um abaixo-assinado que foi colhido por uma irmã da Lagoinha, de nome Enilda, que, com tanto carinho escreveu coisas lindas em uma enorme folha de papel e depois de recolher milhares de assinaturas me enviou.

Perdoamos aqueles promotores que nos perseguiram implacavelmente e passamos a orar por eles, para que Deus abençoasse a vida deles e de seus filhos. Deus é fiel! Sexta–feira, 23 de outubro deste ano, fui convidado para voltar a Carangola para receber uma linda homenagem do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, por destaque no trabalho na comarca. Imagine a  alegria estampada na minha face e da minha esposa, não só pela medalha recebida, mas, acima de tudo, pela oportunidade que tivemos na solenidade de falar do amor de Deus aos serventuários da Comarca. Vários juízes, promotores de justiça, advogados, para diversas autoridades e pessoas daquela sociedade, que no passado assistiram ao episódio do processo das Bíblias e agora puderam ver Deus honrando um servo seu.

Ao final da solenidade pude recitar Isaías 61, versículo 7, que diz: “Em lugar de vergonha, recebereis dupla honra”. Na verdade, o maior presente eu já havia recebido em Carangola, quando um réu preso teve a oportunidade de me dizer que dentro da cadeia havia ganhado o melhor presente da vida dele: a Bíblia Sagrada, o que trouxe transformação completa para ele. Glória a Deus mil vezes!

::Relbert Chinaidre Verly