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A dor que ninguém vê (1)

Houve um tempo em que eu acreditava que ninguém poderia me amar… Sentir-se sozinho é algo tão terrível que é semelhante a alguém que morre. Você fica seco, sem vida e sente a dor de quem ficou. Você se sente perdido, sorrindo por fora, mas vazio por dentro.

Sou uma pessoa bastante comunicativa. Durante o dia eu me envolvia com muitas pessoas, rindo, conversando com elas sobre coisas da vida, das nossas vidas, mas a noite estava só. Por muitas vezes chegava em casa do serviço ou da faculdade e ninguém me dizia “Oi, como foi seu dia”, ou “E as novidades?”. Nem mesmo meus pais.

Na igreja, me envolvia com tudo e com todos, porém, ninguém percebia o quanto eu me sentia solitária. Por muitas noites dormi com meus pais brigando e dessa mesma forma acordava todas as manhãs, sentindo desde cedo, a dor de me sentir só e sem alguém para contar o que acontecia. Muitas vezes presenciei um pai abraçando uma filha, ou duas amigas próximas de mim conversando como irmãs, e eu estava só e sem um único abraço.

Devido a isso, sempre acreditei que eu sentia a dor da solidão por causa de algo que tinha feito ou porque esse era mesmo o meu destino. Embora eu fosse muito brincalhona, eu sofri muito com esse sentimento, pois as pessoas me conheciam por fora, aproximavam-se de mim pelo que eu era ou tinha. Os poucos títulos ou conhecimentos que Deus havia me dado eram de maior interesse para essas pessoas, do que a minha pessoa. Não olhavam para mim como filha de Deus que precisava de ajuda, de alguém, mas como alguém em que pudessem contar, se apoiar, caso precisassem. Cheguei a pensar que “cada um tem o que merece”, porque eu não me sentia amada pelas pessoas. Mero engano.

Sabe aquele tipo de amigo que vai a sua casa, que lembra de você na necessidade, no dia do seu aniversário, que lhe dá presente, que se preocupa com você, que quer ver você feliz sem interesse, que lhe convida para sair com a família dele e também para dormir na sua casa? Então, esse tipo de amigo sempre buscava e nunca encontrava. Talvez você conclua: “Mas com todas essas ‘exigências’, você não vai encontrar nunca um amigo como esse, ou talvez demore algumas décadas!” É verdade. Nos dias de hoje, está muito difícil encontrar alguém assim, ainda mais por vermos que o amor das pessoas está se esfriando como Jesus profetizou (Mt. 24.12). Entretanto, o Senhor, com grande amor, mostrou-se como o meu melhor amigo. Por isso algumas bênçãos eu quero compartilhar com você.

Uma vez fiquei com pneumonia, e até minhas glândulas ficaram inflamadas. Não me pergunte o nome dessas glândulas, só sei que elas ficam na região do pescoço. Fiquei sem ir à igreja umas duas semanas, o que era o fim para mim, pois eu ia quase que todos os dias. Como sentia muito dor, não conseguia reclamar, apenas chorar bem baixinho. Nenhuma visita recebi, apenas na segunda semana de enfermidade quando estava começando a melhorar. Recebi a visita de um pastor e de alguns obreiros, que oraram por mim ungindo-me. Nesse pequeno ato, Deus ensinou-me uma grande lição. Mesmo que eu não tivesse recebido nenhuma visita, meu Pai Celestial esteve presente e eu não o valorizei. Ele foi a minha casa em um momento de grande necessidade, mesmo assim eu queria uma visita humana. Creio que foi por isso que Deus permitiu que ninguém fosse me ver. Creio, ainda mais, que ele queria que eu aprendesse que eu dependia apenas dele para restaurar minha saúde. Mesmo eu sendo uma adolescente muito ingrata, o Senhor me amou de tal forma que ele já estava derramando sobre mim a sua cura. Hoje vejo que Ele foi o único amigo, que me amou e me curou, sem que eu pedisse.

Outro fato interessante ocorreu no meu aniversário de 15 anos, onde eu esperava uma festa. Todas as meninas tinham e eu queria uma também. Meus pais não podiam me dar a festa e lembro-me que o único presente que ganhei da minha mãe foi um par de sandálias da Azaléia (que por sinal durou muitos anos). Gostei muito da sandália, mas como eu tinha 15 anos, a festa seria o melhor presente. Essa data eu nem dei muita importância, já que ninguém tinha me ligado ou mandado uma carta para me desejar “Feliz Aniversário”. Para mim, essa data teria passado em branco. Ocorreu que no mesmo mês, o Senhor me batizou com o Espírito Santo. Não entendi o motivo, pois achava que esse tipo de batismo era só para os mais velhos de igreja e eu só tinha alguns meses na fé. Novamente, olhando com os olhos do Pai, vejo um motivo para tudo isso. Eu queria um amigo que se lembrasse do meu aniversário e que me desse presentes. O Senhor não só se lembrou como deu de presente para mim o seu Espírito Santo! Hoje vejo que uma festa de 15 anos jamais teria o mesmo efeito que o Espírito de Deus. Enquanto a festa é passageira, o Espírito do Senhor é eterno. Foi essa a promessa de Jesus quando orientou aos apóstolos juntarem tesouros no céu e não na terra (Lc. 12.33) e a buscarem o reino de Deus e a sua justiça (Mt. 6.33). Com isso, pude ver o amor incondicional que o Pai teve por mim, assim como o seu cuidado. Deus zela tanto por você quanto por mim, pois ele, todos os dias, nos presenteia com a sua misericórdia, seu amor e sua presença quando nos diz “filho estou aqui”.

Embora eu buscasse uma amiga para dormir na casa dela, eu só desejava isso para poder conversar com essa amiga até as altas horas da noite. Como nunca fui muito de dormir na casa dos outros, certa vez pus um CD em meu quarto e comecei a meditar na canção que ouvia.

De repente veio-me uma necessidade de orar. Estava passando por uma angústia profunda. Foi quando o Senhor me convidou a “descansar na casa dele para falar comigo”. Depois de ouvir o CD, em meu quarto mesmo, busquei a presença do Senhor com todas as lágrimas e forças possíveis. Realmente, me senti não mais no meu quarto, mas num lugar secreto do Senhor, onde ele me levou para poder falar comigo a respeito do que eu estava passando. Mais uma vez, meu amigo não só me visitou como também me consolou e me ajudou em um momento de grande dificuldade.

Ainda que nossos pais nos abandonem, Deus jamais nos abandonará (Is. 49.15). Qual a maior prova de amizade que o Senhor pode nos dar nos momentos de maior tristeza ou necessidade, além do seu amor e cuidado para com a nossa vida?

É na presença de Deus que ele se revela como o melhor e mais íntimo amigo. É na sua presença que ele nos fortalece e mostra a grandeza do seu amor. Pude experimentar que é na presença desse nosso amigo, que as coisas impossíveis acontecem. Recentemente pude ter uma experiência sobre isso ao ouvir a música Above All, de Michael W. Smith. Essa música descreve profundamente o amor do Senhor por nós, e me fez reconhecer que eu poderia ter o amigo que sempre desejei. Meu Pai revelou-se o amigo que preciso amando-me acima de tudo.

Meu querido, não sei quem você é ou o que faz. Não sei que erros você cometeu ou por quantas vezes você se sentiu sozinho. Hoje, enquanto eu meditava nessa mensagem para escrever, o Senhor me dizia: “Achegai-vos, achegai-vos, eu sou o que te consola. Achegai a mim, para que você seja atraído ainda mais à minha presença”. Não importa se você freqüenta alguma igreja ou não. É preciso ver, sentir Jesus. Mesmo dentro de templos (as igrejas), há muitos que não o conhecem, não conhecem seu amor porque nunca desfrutaram de uma amizade para com ele.

Quando você se sentir só, lembre-se: a terra seca do seu coração, o vazio e a dor que há neste momento, poderão ser transformados em fontes de águas vivas, cujos rios fluirão e alcançarão a outros por onde você passar. Escute aquele que está ao seu lado em todo o tempo querendo falar com você.

Jaqueline Santos
Jornalista e colaboradora do portal Lagoinha.com
jackprearo@hotmail.com