“José era formoso de porte e de aparência. Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: ‘Deita-te comigo’.” (Gn 39.6b-7.)

A Bíblia nos conta a história de José desde o seu nascimento. Filho de Jacó e de sua amada esposa Raquel, José veio alegrar o coração do casal após longos anos de espera, com oração.

José nasceu num ambiente de rivalidade entre as duas irmãs esposas de seu pai. Como conseqüência disso, ao ser declaradamente amado por Jacó, José atraiu a inveja e posteriormente o ódio de seus irmãos. Eles pensavam em matá-lo, e o venderam como escravo para uma caravana de ismaelitas que ia para o Egito.

Seus irmãos pensaram que jamais o veriam novamente, pois conheciam a sina dos escravos… Eles mancharam de sangue a túnica colorida que seu pai lhe dera e deixaram que Jacó pensasse que seu amado filho fora devorado por alguma fera do campo. Mas José estava na presença de Deus e foi guardado, protegido e abençoado por Ele, embora na condição de um simples escravo. Deus sempre está conosco, mesmo que estejamos passando por lutas, provações de toda sorte ou estejamos atravessando desertos.

Lá no Egito José foi comprado pelo comandante da guarda pessoal do Faraó, chamado Potifar. “O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gn 39.2.) Por causa da bênção de Deus na vida de José, tudo o que ele fazia prosperava. Potifar percebeu logo o potencial de José e o colocou sabiamente sobre toda a sua casa – ele seria o seu mordomo, já que era homem íntegro e de total confiança, apesar de sua juventude.

O texto bíblico nos relata que: “José era formoso de porte e de aparência.” (v.6b.) Isto significa que José atraía a atenção das mulheres. Ele era um príncipe na casa de seu pai, educado para governar, conhecendo a história de seus antepassados e as promessas do Senhor para sua descendência. Isto tornava José um homem seguro, confiante, com sonhos e ideais em sua vida. Sua conduta revelava um caráter masculino como referência no meio onde vivia.

Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: ‘Deita-te comigo’.” (Gn 39.7.) José rejeitou a proposta da esposa de Potifar. Ele lhe explicou sua posição de integridade como mordomo, isto é, digno da confiança de seu senhor, e também falou sobre seu Deus – que não cometeria esse pecado contra o Senhor. Mas ela continuou falando a José “todos os dias” (v.10).

Certamente ela era uma mulher sensual, provocante. Sua insistência com José demonstra um coração cheio de lascívia e a loucura do adultério como idéia fixa em seu pensamento. O pecado nasce na mente em primeiro lugar. As setas insinuadoras do inimigo, ou os seus dardos inflamados são lançados na mente humana. Todos nós estamos sujeitos à tentação, mas devemos orar e ter o cuidado de não cair na tentação.

É muito importante que você, minha irmã, perceba o que está enchendo a sua mente. Há mulheres que gostariam que o marido as elogiasse, fosse mais carinhoso e cavalheiro; então “caem” em propostas de adultério; ou acariciam insinuações lascivas. Que pensamentos você tem abrigado e permitido “fazer ninho” em seu coração? Os nossos pensamentos irão determinar a nossa postura diante do pecado. Se você enche a cabeça de fantasias de novelas, de desejos pecaminosos ocultos, se acaricia a sensualidade, então “o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre domina-lo” (Gn 4.7).

No caso da patroa de José, é interessante que a Bíblia não nos diz o nome dela, mas apenas a mulher de Potifar. Talvez para reforçar a idéia de sua responsabilidade, da posição elevada que ocupava, das conseqüências desastrosas em caso de pecado.

Sabemos que idéias fixas cegam as pessoas. Elas não conseguem raciocinar direito. A sensualidade, a lascívia, o adultério colocam sobre si uma capa enganosa de “aventura”, mas trazem o fel amargo da culpa, do desprezo e da rejeição do cônjuge traído. Sempre a sensualidade e o desejo lascivo trarão junto consigo a mentira.

José não quis pecar contra o Senhor e contra seu patrão. Ele se manteve puro e teve de fugir de sua patroa. Deixou em suas mãos as vestes, pois ela o “pegou de jeito” num dia em que não havia ninguém em casa. Ao ser rejeitada por José, ela procurou sua vingança com a mentira. Falou ao marido exatamente o oposto, que ele tentara forçá-la. E José foi para a prisão.
Se realmente Potifar tivesse acreditado em toda a história de sua esposa ele teria matado José. Mas ele o enviou para a prisão. E Deus deu a José a chance de provar sua inocência, por meio de sua conduta íntegra também naquela masmorra…

Será que a mulher de Potifar podia dormir tranqüilamente sabendo que jogara José na prisão injustamente? Será que não cairia em outra tentação com outro que não fosse íntegro como José? O que ela lucrou com sua sensualidade e desejo pecaminoso? Quando José se tornou governador do Egito, acaso não souberam de sua inocência quanto à acusação que sofrera? [...] “Nada há encoberto que não venha a ser revelado…” (Mt 10.26.) Vale a pena lembrar a orientação do Senhor: “Esta é a vontade do Senhor, a vossa santificação; e que vos abstenhais da prostituição….” (1Ts 4.3.)

Para você refletir e fazer a sua auto-avaliação:

Como você pensa que deveria ser o relacionamento da mulher de Potifar com seu marido? (Ef 5.22-33.) Se ela fosse mesmo uma esposa realizada, por que trairia o marido?

Você acha que toda mulher adúltera é sensual? (Pv 7.1-27.) O que a mulher casada deve fazer para jamais abrir a “porta do adultério” (mesmo no pensamento)? (Fp 4.8-9.)

O que a Bíblia fala sobre a mentira? (Jo 8.44; Pv 6.16-19; 19.5; Ap 21.8, 27.)

Pastora Ângela V. Cintra
Igreja Batista da Lagoinha