Nenhum Comentário

A evolução da internet e a influência na vida dos filhos

Foto: unsplash.com

Foto: unsplash.com

Segundo o dicionário Aurélio, tecnologia é a ciência cujo objeto é a aplicação do conhecimento técnico e científico para fins industriais e comerciais; conjunto dos termos técnicos de uma arte ou de uma ciência; tratado das artes em geral. A tecnologia veio para mudar o nosso dia a dia.

Lembro-me bem que, quando criança, meus pais não tinham dinheiro para adquirir a famosa Enciclopédia Barsa, com a qual eu tanto sonhava. Então, para os meus trabalhos escolares, me via obrigado a pegar um ônibus em direção à biblioteca pública para me aventurar nas imensas prateleiras de livros com uma variedade de gêneros e histórias. Passava horas debruçado sobre alguns livros, sem falar que naquela época não havia como tirar cópia, então, era obrigado a copiar imensos parágrafos dos livros à mão. Muitas vezes, minha mãe fazia parte dessa jornada de pesquisa, e dividíamos algumas horas juntos na missão dada pela professora da escola, a ser cumprida para o dia seguinte. Mais tarde, compartilhava à mesa de jantar com o meu pai sobre a minha aventura durante o dia e o assunto pesquisado. Mesmo sem ter consciência disso, aqueles foram momentos preciosos de comunhão familiar que, como podem ver, nunca me esqueci.

Com o avanço da tecnologia, e mais precisamente da internet, a nossa vida foi diversamente facilitada em todos os sentidos. Já não precisamos mais pegar um ônibus para irmos à biblioteca pública, a informação está a uma distância de apenas um clique. Já não gastamos mais tempo copiando à mão um texto de um livro. Basta utilizarmos atalhos do teclado, os famosos Ctrl + C (copiar) e Ctrl + V (colar), e tudo se resolve. Podemos viajar o planeta, ir a lugares tão sonhados, simplesmente por meio de uma tela de computador.

Distâncias foram diminuídas entre os entes queridos. Comunicamo-nos não só falando, mas vendo uns aos outros por uma pequena tela de celular. Artigo outrora fruto de ficção científica, hoje o celular faz parte da nossa rotina diária. Aposentamos o disco de vinil. O CD, o DVD e o Blu-ray estão com os seus dias contados, porque estamos trocando tudo por mídia digital. A tecnologia se tornou indispensável em nossas vidas. Mas a que preço?

Hoje cada membro da família possui um celular, uma televisão em cada quarto, e até mesmo um computador e/ ou notebook. O almoço ou jantar foi substituído por um delivery, por sua comodidade, praticidade e falta de tempo em frequentar a cozinha. A mesa de jantar, antes um objeto de comunhão e convívio familiar, não passa de um mero adorno ou até mesmo empecilho na sala. Cada um pega o seu prato e parte para o seu respectivo quarto em busca da sua privacidade e individualismo. Laços familiares? Raros. Pais gastam horas e mais horas em suas séries de TV favoritas, nos seus perfis de Facebook e Instagram, mas são incapazes de dispensar poucos minutos com os filhos, seja para verificar os deveres da escola ou para ter tempo de qualidade com eles. E tempo de qualidade é uma expressão ignorada e subestimada também. Nós queremos recompensar nossos filhos pela falta de tempo com apetrechos de última geração; um substitutivo emocional para a vida deles.

Passamos horas discutindo com amigos no WhatsApp sobre trabalho, qual é o destino de tal personagem da TV, do filme, o cenário político no Brasil e no mundo, a volta de Jesus, a apostasia da Igreja e até sobre qual é o problema dos nossos filhos e dessa geração, mas somos incapazes de dar apenas alguns passos em direção ao quarto deles e dizer que tudo vai ficar bem, que eles podem contar conosco. As melhores lembranças que os nossos filhos terão de nós serão aquelas em que fomos ao parque juntos, brincamos um jogo de tabuleiro com toda a família reunida, oramos e lemos a Bíblia juntos. E não quando ele ou ela ganhou o último Iphone.

Alguns estudiosos sobre tecnologia afirmam que ela veio para nos aproximarmos, cada vez mais, uns dos outros. Infelizmente, as estatísticas mostram que estamos cada vez mais isolados e solitários. O Brasil ocupa tristemente o 8º lugar no mundo em número de suicídios, segundo a OMS.

Todos nós conhecemos Provérbios 22.6: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso, não se desviará dele”. Todos também já sabemos que ensinar no caminho não é apontar a direção, mas caminharmos juntos, ao lado dos nossos filhos. Mas a questão é: se nós pais não sabemos o caminho, como então podemos ensinar aos nossos filhos?

:: Pr. Igor Cicarini

Converse sobre esse assunto com o Pr. Sérgio Ricardo: (31) 98793-2550. Venha com seus filhos para o Culto da Família, toda quarta-feira, às 19h30, no Templo.