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“Adorei como se fosse a última vez”

Phillipe, Isabela, Ray Glauce e Irineu de Araújo

Meu nome é Ray Glauce, tenho 43 anos, sou casada com Irineu de Araújo, tenho dois filhos, Isabela (18) e Phillipe (15) e, há 2 anos, sou membro da Lagoinha. Em 1999, 2000 e 2001, passei por três cirurgias, pois os médicos me diagnosticaram com a Síndrome do Túnel do Carpo (compressão do nervo localizado entre a mão e o antebraço). Infelizmente, as cirurgias não foram bem-sucedidas, então, as dores retornaram em 2003. Comecei a sentir dores muito fortes nos braços, pernas e pescoço. Tomava vários remédios para aliviar a dor, porém, não melhorava. A situação me deixou preocupada, de fato, quando comecei a simplesmente cair na rua. De repente, eu perdia o domínio das pernas e caía. Então, rapidamente marquei uma consulta com outro médico que não conhecia o meu caso anterior. Ele solicitou um exame chamado Eletroneuromiografia para tentar entender melhor a origem das minhas dores. Quando o resultado chegou, tomamos um susto: eu estava com uma lesão na coluna cervical. Imediatamente, fui encaminhada para um especialista que pediu uma ressonância magnética.

Com os resultados em mãos, e após avaliação, o médico me diagnosticou com a Síndrome de Arnold Chiary e Seringomielia (má formação na junção do bulbo com o encéfalo, o que impede a circulação do líquido raquidiano para o cérebro, gerando como consequência dores nas articulações e falta de controle dos movimentos). Segundo o médico, essa doença é grave, degenerativa e me levaria lentamente à morte, já que a paralisia atingiria os membros inferiores e superiores e, depois, os órgãos. A única solução seria fazer uma cirurgia para descomprimir a medula, com a possibilidade de ficar com sequelas, porém, com qualidade de vida um pouco melhor. Confesso que, no momento em que recebi esse diagnóstico, fiquei baqueada. Pensei no meu esposo e nos meus filhos que eram pequenos, entretanto, mantive a calma e coloquei minha esperança em Deus.

Todo o procedimento cirúrgico pelo qual passaria seria custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por isso, tive que esperar a autorização por algumas semanas. Foi um tempo muito doloroso, mas também um período no qual vi o manifestar da glória de Deus na minha vida. Os irmãos da minha igreja e de outras congregações chegaram a realizar correntes de oração pelo meu estado de saúde. Foi um esperar dolorido. Eu raramente saía da cama, tinha dificuldades para andar e comia pouco, pois não conseguia engolir os alimentos. Como consequência, emagreci bastante, todavia, tudo o que fazia era louvar e clamar ao Senhor por um milagre. Então, na madrugada de 7 de maio de 2003, véspera da cirurgia, aconteceu a experiência mais linda da minha vida.

Exatamente às 2 horas da manhã, momento em que alguns irmãos combinaram de orar pela minha cirurgia, pedi ao meu esposo que me levasse até ao banheiro e me deixasse sozinha para ter um momento a sós com Deus. Na oração, eu pedi a Deus que colocasse em meu coração todos os hinos de louvor que Ele quisesse ouvir dos meus lábios, porque, se logo pela manhã eu partisse para a glória, em vida eu O teria adorado.  Adorei como se fosse a última vez. De repente, cessaram os cânticos e compreendi que era o momento de Deus falar comigo. Peguei a minha Bíblia, abri aleatoriamente o texto de Isaías 43.10: “Agindo eu, quem impedirá?”. Enquanto lia, parecia que as palavras saíam da Bíblia e vinham até mim como letras vivas. Após a leitura, tive a certeza de que Deus estava no controle de tudo o que aconteceria na cirurgia. Em seguida, chamei meu esposo, pedi que me levasse para o quarto e lhe garanti que Deus operaria um milagre.

Acordei no dia seguinte pronta para a luta e preparada para ter meus cabelos totalmente raspados, pois a cirurgia seria na cabeça. Quando cheguei ao bloco cirúrgico fui surpreendida pelo médico que me disse: “Ray, ontem à noite fiquei pensando em você, no que poderia fazer para ajudá-la. Então, veio à minha mente uma forma de operá-la sem precisar raspar sua linda cabeleira”. Na hora pensei: “Foi Deus que falou isso com o doutor. Enquanto orei Deus trabalhou por mim, aleluia!”.

Antes de iniciar a cirurgia, fiz uma oração agradecendo a Deus e abençoando toda a equipe médica, então, senti a paz de Deus invadir aquela sala. Deitei na maca e só me lembro de acordar no CTI horas depois. Quando abri os olhos, mexi braços e pernas, gritei de alegria, pois percebi que estava viva e convicta de que voltaria a andar. No dia seguinte, o médico já autorizou a minha transferência para o quarto e, depois de um dia no quarto, acordei com vontade de caminhar. Nessa hora, minha mãe me ajudou a levantar bem devagar e a caminhar pela enfermaria, justamente no momento em que o médico chegava à enfermaria. Surpreso, ele quis avaliar meus reflexos e me deu a boa notícia de que se continuasse me recuperando bem eu poderia passar o Dia das Mães com meus filhos e em casa. E assim aconteceu. Três dias depois, eu estava em casa, contrariando todos os prognósticos dados pelo médico de que eu sairia em 13 dias.

Na consulta de retorno, o médico explicou-nos que a calota craniana da parte de trás da minha cabeça e a primeira vértebra da coluna foram retirados. Ele esperava maiores sequelas, mas afirmou que a única coisa que eu não mais poderia fazer na vida era virar o meu pescoço. Mas essas palavras não abalaram minha fé. Saí do consultório relembrando as palavras que o Senhor disse antes da minha cirurgia: “agindo Deus, quem impedirá?”.

Nos três anos seguintes, passei por reabilitação fisioterápica e, hoje, para a glória de Deus, não tenho sequelas da cirurgia e movimento o meu pescoço para a esquerda, para a direita, para frente e para trás, porque a mão do Senhor esteve e está sobre mim. A fim de acompanhar meu quadro clínico, a cada três anos faço exames, mas está tudo em ordem. Hoje, eu poderia estar morta ou sofrendo graves sequelas, mas, graças a Deus, estou viva, feliz e agradecida ao Senhor. Louvo a Ele e desfruto a cada dia da minha vida com minha família. Atualmente, sirvo ao Senhor no Ministério de Crianças e Juniores da nossa igreja, ensinando as crianças que vale a pena seguir ao nosso lindo Jesus, pois Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente.

Participe da Célula que acontece na casa da Ray, todas as sextas-feiras, às 20 horas (Rua Coração de Jesus, 221 – Barreiro). Informações: (31) 3322-9015 / 3429-1250 / 8878-0286.

Foto: Kátia Brito e Arquivo Pessoal

:: Kátia Brito e Ray Glauce