Pode parecer que esse é um dos mandamentos mais difíceis.  Mas, honrar nossos pais é um dos frutos da Palavra de Cristo e do Espírito Santo fluindo em nós. A prática leva à perfeição. Tentar é um ótimo começo.

Muitas vezes ficamos insatisfeitos com nossa família e de alguma forma com os nossos pais. Pensamos que nada do que fazemos é reconhecido, está certo ou agrada aos irmãos e sobremaneira os pais, incansáveis na arte de amar.

Sempre imaginamos como Deus quer que honremos nosso pai e nossa mãe. Nas nossas lutas diárias, com os desafios do dia a dia, do trabalho, dos relacionamentos; questionamo-nos o que temos feito e porque por mais que façamos o melhor de nós, nossos pais se mostram muitas vezes descontentes.

Um dos versículos mais conhecidos da Bíblia, mais citados pelos pais, inclusive os que não são cristãos, está no livro de Êxodo, capítulo 20, versículo 12. O único mandamento com uma promessa: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os  teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.

Essa, com certeza, é uma palavra linda que revela o cuidado do Senhor com a nossa vida e com a vida de nossos pais. De uma forma muito especial nos mostra que se amarmos nossos pais e se os honrarmos pela autoridade que são, Deus prolongará os nossos dias. Mas o prolongamento que o Senhor garante àqueles que cumprem a Sua Palavra significa acrescentar vida aos nossos dias. E a vida de Cristo passa pela Cruz. A Cruz do Senhor é vida para nós. Nossa relação com nossos pais pode parecer certas vezes uma cruz pesada e difícil de carregar, mas nas lutas é que o Senhor ministra ao coração, muda nosso entendimento, trata conosco e traz cura. Precisamos ser tratados no contexto familiar, é no ambiente onde somos na maioria das vezes tratados por Deus.  Honrando nossos pais seremos acrescidos pelas coisas do Reino, pelo amor e misericórdia do Senhor. Mas como fazer isso? Como honrar nossos pais? Como honrar nossos pais que não são cristãos, que nos abandonaram ainda pequenos, que se divorciaram, que têm vícios e dificuldades?

Não existe uma receita para nenhuma demonstração de amor e de afeto. A não ser a Palavra de Deus, que nos mostra o caminho. E o caminho é Jesus Cristo. O exemplo do homem sábio, que se entrega, que ama primeiro, que cuida, que chora com quem chora, que sorri com quem sorri, que é testemunho vivo do amor do Pai. Se não amarmos primeiro, como Deus nos amou, vamos sempre apontar um defeito, vamos sempre achar que nossos pais não merecem ser honrados se de alguma forma não têm conseguido cumprir com as despesas da casa, se não nos colocaram na melhor escola, se nos privaram de ter uma família unida, se nos colocaram de castigo quando fizemos alguma coisa errada, enfim, que nossos pais nunca estão à altura de serem honrados como Deus nos aconselhou.

A Palavra diz “honra teu pai e tua mãe”. Não diz “honra teu pai e tua mãe se eles forem ricos, sábios, ou bons para você…”. A promessa do Senhor foi guardada para aqueles que amam e honram seus pais como eles são.

A receita está na Palavra de Deus. Pode parecer loucura honrar aqueles que aparentemente não são o pai e a mãe que pedimos a Deus; o pai e a mãe que estão nos dando problemas; que caminham de encontro aos mandamentos de Deus, que não ficam felizes com nada, que não consideramos ideais. Mas devemos honrá-los como são. O desejo do Senhor de que honremos nossos pais é o que edifica a nossa casa. É luz em meio às trevas dos nossos conflitos, das nossas inabilidades, das coisas que não compreendemos e daquilo que só o Senhor sabe de nós.

A família é a menina dos olhos de Deus. Ela que gera a Igreja, a Noiva de Cristo. Por isso, algo tão importante para o Pai deve ser cuidadosamente honrado, amado e cuidado. Lembro de um fato ocorrido em minha infância, em que minha irmã e eu nos “desdobramos” para salvar um pequeno e dócil passarinho. Era um dia de muito calor e por isso resolvemos banhá-lo numa bacia. Para a nossa cabeça ainda infantil estávamos fazendo o melhor para ele. Em instantes de descuido, ao sairmos do lado do passarinho ele caiu dentro da bacia e enfraquecido pelo tombo do voo se afogou.

A mesma atitude muitas vezes temos para com nossos pais. Com a sede de honrá-los e cuidar deles, acabamos fazendo aquilo que nós acreditamos que é para o bem. Mas nem sempre acertamos. Com um descuido mínimo podemos acabar afogando a nossa relação em uma bacia de expectativas, de pedidos, de cobranças, de frustrações, de mágoas e de ressentimentos.  Pensando um pouco melhor sobre isso, acho que uma forma simples de honrar nossos pais pode ser traduzida em pequenos gestos, em grandes atitudes, buscando sempre agradar a Deus.

O primeiro ministério, a primeira missão é no lar. Os pais são o primeiro amor dos filhos.  Em Timóteo, capítulo 5, versículo 4, está escrito: “Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus”. Quando pensamos se as nossas atitudes na convivência familiar honram nossos pais, é só respondermos a esta pergunta “se eu fizer isso vou agradar a Deus?” Precisamos buscar responder a essa pergunta de forma positiva, ainda que isso seja muito difícil.

Uma forma de honrá-los no dia a dia é amá-los como a nós mesmos. Mas é um amor que vive na dependência total de Deus, um amor que não importa com as adversidades, se nossos pais fizeram tudo certo ou se erraram conosco.

Um amor que coopera para que sejamos uma família aos moldes de Deus. Um amor que perdoa e que supera. Um amor que pede bênção, tão incomum na sociedade moderna, onde manifestações como essa e dar carinho aos pais em público é careta e ultrapassado. Um amor que escuta os pais mesmo quando eles ainda não conhecem a Verdade, um amor que serve, que soma, que acrescenta, que cuida.

Se você espera honrar o seu pai e sua mãe só quando eles forem legais com você; quando eles tiverem uma boa situação financeira para te dar tudo que espera; só quando eles não derem muita atenção para o irmão mais velho ou mais novo, sendo exclusivamente seus; quando eles não brigarem; quando eles pararem de fumar, de beber; só quando [...]. Infelizmente, se pensarmos assim não vamos conseguir honrar nossos pais e prolongar nossos dias. Porque Deus não impôs nenhuma condição para que façamos isso. Porque se Ele impusesse uma condição para nos honrar, para nos abençoar, para ter misericórdia de nós, com toda certeza estaríamos perdidos.

O amor de Cristo não é feito de condições, de “se”, de “porém”, de “quando”. O amor de Deus é feito de “ainda que nós o neguemos”, “além de tudo que façamos de errado”, “embora não sejamos perfeitos”, Ele nos ama e nos é fiel até o fim. Sejamos semelhantes ao Senhor, para que um dia tenhamos a alegria de dizer: “Eu e minha casa servimos ao Senhor”. Não adianta somente conquistarmos pessoas para Cristo em nações distantes. Se no dia do Juízo formos questionados por Deus: “Filho, onde está tua mãe e teu pai?”. O que responderemos? E se a resposta for: “Deus, eu não sei”. A Palavra diz, em 1 Timóteo, capítulo 5, versículo 8: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel”. Deus quer que sejamos presentes na vida de nossos pais, mesmo que eles não sejam ou ajam como gostaríamos.

:: Por Thalita Daher
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