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Além das marcas do bisturi

Ela tem 16 anos e mora em Barra do Garças, uma cidade do interior do Mato Grosso. Tem uma irmã de 10 anos e outro, de 17. Ela é líder da Rede de Jovens de sua igreja, e faz parte ainda do ministério de dança, de intercessão e do ministério de aspirantes, onde jovens que aspiram a um ministério pastoral tem a oportunidade de se desenvolver. Ela também é líder de uma “célula”, um pequeno grupo de pessoas que se reúne numa casa para, juntos, orarem, lerem a Bíblia, evangelizarem, além de estarem convivendo como família. Seu estilo de vida é comum, como acontece com a maioria dos adolescentes envolvidos na igreja. A não ser por um detalhe: por um erro médico, após uma cirurgia plástica, sua mãe falecera, e a partir daí, sua vida mudou completamente. Nesse depoimento, ela conta como tudo aconteceu, como superou a dor, e como foi resgatada pelo amor de Deus.

“Minha mãe sempre foi uma mulher que gostava de cuidar da sua beleza. Era rotina todos os sábados, pela manhã, irmos ao salão de beleza pintarmos as unhas e dar uma ajeitadinha no cabelo. Nós não éramos convertidas. Ela se preocupava tanto com sua beleza que assinava revistas de saúde, moda e boa forma física. Atraída por um anúncio de uma dessas revistas que oferecia condições e oportunidades para quem desejava uma cirurgia plástica, minha mãe resolveu agendar uma consulta. Após a consulta, a cirurgia fora marcada: seria no mês de março de 2000.

A cirurgia foi marcada para uma data posterior ao dia do meu aniversário, quando completaria 14 anos. Lembro-me muito bem que, durante a festa, conversando com uma amiga, minha mãe falara sobre a cirurgia. Carinhosamente, lembro também de ter dito a ela: ‘Mãe, a senhora é tão linda que não precisa fazer plástica. Não faça isso.’ De nada adiantou. Um dia depois de meu aniversário, ela foi para Goiânia. Antes de sair de casa, me deu um beijo, coisa que raramente acontecia. Confesso que estranhei, pois nunca tivemos um relacionamento mais íntimo, como amiga e até mesmo como mãe e filha. Achei estranho.

Ao chegar ao local onde seria realizada a cirurgia, minha mãe telefonou. Foi uma conversa boa, e a operação parecia ter sido um sucesso. Ela parecia estar bem. No dia seguinte, uma quarta-feira pela manhã, quando encontrava-me na escola, fui informada pelo meu pai que minha mãe estava passando mal e que tínhamos que ir à Goiânia o mais rápido possível. No mesmo instante comecei a chorar. Chorei durante toda a viagem, num percurso de cerca de 410 km até o local. Chegando lá, minha tia nos recebeu com a triste notícia de que minha mãe havia falecido. O motivo era erro médico. Chorei mais ainda. Jamais havia passado por algo parecido. Naquele momento, minha tristeza tornou-se maior ao saber que poderíamos, juntas, nos dar uma a outra em amor, carinho e companheirismo. O amor que ambas tinham uma pela outra, que parecia estar morto há muito tempo, estava, na verdade, mais vivo do que nunca. Arrependi-me imensamente por não ter dado o devido valor a minha mãe. Já de volta à minha cidade, fui consolada por vários amigos, inclusive por uma família vizinha, que era evangélica.

Com o passar dos dias, cada vez mais, sentia meu coração se apertando mais e mais. Essa família sempre me convidava para ir a igreja. Como estava desesperada em busca de algo que me consolasse, resolvi aceitar ao convite como o último recurso para o fim de minha tristeza. Isso se deu no mês de abril. Estava sedenta por algo que pudesse mudar a minha vida e dar-me uma nova razão de viver. Estava também a procura de algo que pudesse me consolar, já que minha mãe já havia partido.

Aquilo que procurava, acabei encontrando. Ou melhor, fui encontrada. Alguém nada menos que o próprio Deus veio ao meu encontro e me consolou, na pessoa de Seu Espírito Santo. Eu me encontrei face a face com Deus e Ele mudou a história da minha vida. Hoje lidero a Rede de Jovens de minha igreja, além de fazer parte do ministério de dança, intercessão e do ministério de aspirantes, onde jovens que aspiram a um ministério pastoral tem a oportunidade de se desenvolver. Também sou líder de célula. Tenho 16 anos e sou muito feliz, graças a Deus. Deus me deu uma nova ‘mãe’, uma mãe espiritual, que é a pastora Maria José Miranda, esposa do pastor Agmar Mariano da Silva, que também para mim é um ‘pai’. Fui acolhida por irmãos e irmãs da Igreja Batista da Paz, Ministério do Avivamento. Creio na promessa de que eu e minha casa serviremos ao Senhor. Isso é um bom exemplo que o Senhor é fiel, que suas misericórdias são sem fim e seu amor nos envolve. Aleluia!”

:: Por Deborah Teodoro de Oliveira
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