Gasto, não nego, pago quando puder
Observando o comportamento de algumas pessoas, poderíamos tranquilamente parafrasear o “penso, logo existo” de Descartes para “consumo, logo existo”. Na sociedade contemporânea, infelizmente, as pessoas são vistas, avaliadas e medidas por aquilo que possuem, ostentam ou podem adquirir. Por esse motivo, muitos compram compulsivamente, a fim de não perder o status ou ficar de fora da última moda.
Diversas pessoas têm ingressado num círculo vicioso de compras e nem percebem que estão se enrolando em dívidas e parcelamentos a perder de vista com uma única finalidade: ter algo novo para usar e mostrar. A secretária P.F.S., de 25 anos, diz que as pessoas à sua volta exageram quando dizem que ela é consumista. “Não me acho consumista, mas aproveito as oportunidades que aparecem. Por exemplo, estava precisando de um sapato, fui ao shopping e havia uma promoção. Comprei quatro pares. Não que eu precisasse dos quatro, mas estavam em promoção e a vendedora era boa e me convenceu! (risos).”
Promoções e liquidações podem levar uma pessoa à falência financeira se ela perder o controle. Não é porque algo está em promoção que deve ser comprado. E quem garante que o preço seja de fato promocional? É preciso perguntar-se antes: “Preciso realmente disso?” Ou apenas vou comprar por causa da promoção? A assistente administrativa Leonice Oliveira, de 35 anos, compra somente aquilo que realmente acha necessário. “Não gosto de fazer prestações, prefiro guardar dinheiro e comprar à vista. Assim, posso negociar e conseguir um desconto. Gasto menos do que ganho, e não compro por impulso.”
A dona de casa Ana Paula Piza aprendeu com uma amiga um excelente jeito de não comprar aquilo que não é necessário: “Eu quero ou eu preciso? Se a resposta for eu quero, não compro.”
A necessidade, a diversão, a influência da moda, a importância, o apelo mercadológico são bons argumentos para comprar, mas há quem consuma pelo simples prazer de comprar, de adquirir alguma coisa, independentemente de precisar ou não. É algo compulsivo e descontrolado e isso é consumismo e pode virar doença.
“O consumismo se torna uma doença quando o comprador não consegue controlar seus impulsos pela compra. Ele compra compulsivamente. É um vício, como o desejo de alguma droga. Ele se satisfaz no momento da compra, mas é comum logo depois sentir arrependimento, culpa ou vergonha”, comenta o Psicólogo Clínico e Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP, Fábio Passos.
O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas que, juntas, levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem pela necessidade de suprir a indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa autoestima ou a perturbação emocional. E isso pode levar à oneomania, que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro. Chamada a “doença da dívida”, ela está cada vez mais frequente. Pesquisas apontam que chega a 3% os compradores compulsivos com esta patologia.
Os oneomaníacos têm o consumo como vício, assim como um alcoólatra que necessita da bebida, e pode atingir qualquer pessoa, independentemente de classe social, condição econômica e formação intelectual. Enquanto está comprando, a pessoa sente prazer e um alívio dos sintomas, mas, passado um tempo, tudo volta rapidamente.
Normalmente, essas pessoas são viciadas em consumo descontrolado e estão sempre devendo. Alguns especialistas consideram a oneomania obsessiva compulsiva. Se o comprador com oneomania for uma pessoa de muito recurso financeiro e puder gastar muito dinheiro, será mais difícil identificar a doença, pois ela acumulará produtos e mais produtos sem maiores problemas, ainda que nunca os utilize. Esse, aliás, é outro modo de identificar essa doença: verificar o excesso da compra de produtos, que jamais são usados.
A organização financeira é essencial para o controle dessa doença. Fazer um orçamento mensal ajuda muito. Saber quanto se ganha, onde e quanto se gasta é a chave para o controle, assim como procurar ajuda quando reconhecer que é um consumidor compulsivo.
COMO FUGIR DO CONSUMISMO
- Evite passear em centros de compras;
- Caso precise comprar algo, vá com alguém que te ajude a manter esse objetivo;
- Avalie antes de ir às lojas se você precisa realmente do produto;
- Em casos em que se perceba uma falta de controle ou princípio de endividamento, procure ajuda.
SINAIS DE COMPULSÃO
- Quando está triste ou frustrado sempre busca comprar algo;
- Acaba gastando mais dinheiro e mais tempo do que planejado;
- Tem problemas familiares e desgaste em relações sociais por conta dos gastos excessivos;
- Sempre se arrepende logo após as compras e se sente frustrado com isso;
- Tem preocupação excessiva em comprar;
- Tem dívidas que superam o valor que pode pagar;
- Sempre está procurando maneiras de conseguir dinheiro para cobrir o rombo da conta bancária;
- Toma empréstimos para cobrir os gastos.
DICAS PARA ORGANIZAR SUAS FINANÇAS E PAGAR AS DÍVIDAS
- Estabeleça prioridades no pagamento de suas dívidas;
- Evite passar perto das lojas que chamam mais a sua atenção, e sair com cartão de crédito ou cheque. Vá com dinheiro contado;
- Tente ter mais cuidado com as despesas. Anote tudo o que gasta, faça um orçamento no papel. Você terá mais consciência e, consequentemente, poderá controlar mais a sua compulsão por gastar;
- Se você precisa ter um cartão de crédito, então tenha apenas um com limite de até R$ 2 mil. Isso considerando que você vai pagar à vista. Nunca parcele uma fatura de cartão de crédito.
- Cuidado com o cheque especial e o cartão de crédito, porque são as modalidades mais caras do mercado. Se houver uma taxa de juros de 10% sobre uma quantia de R$ 1 mil, você vai entregar os R$ 100 por mês ao banco. Por ano, pode chegar até 300%. Se você estiver com R$ 1mil negativo no cheque especial, vai pagar mais de R$ 2 mil ao banco só de juros.
:: Comuna – Texto publicado na revista Comuna
Aprenda mais sobre esse assunto. Ligue: (31) 8793-1010 – Pr. Ronaldo Moreira.




