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Cristão e Política: O Evangelho e a exposição da injustiça

Foto: pixabay.com

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O capítulo 16 do livro de Atos é conhecido por narrar uma das histórias mais fascinantes do Novo Testamento.  Dois prisioneiros muito feridos e em um local totalmente precário, por volta da meia noite, começam a orar e a cantar louvores a Deus. Esse fato por si só já seria incomum, mas, como se não bastasse, algo mais extraordinário ocorreria. Um terremoto veio sobre aquele local abalando a estrutura da prisão, que veio a desmoronar, deixando todos os prisioneiros livres para fazer o que quisessem.

Poderoso e sobrenatural são algumas das palavras que podemos utilizar para descrever esse momento. Mas o que está por detrás dessa história? Por que aqueles homens que louvavam estavam presos e o que aconteceu depois do desmoronamento da prisão? Essas respostas são fundamentais para aprendermos mais sobre a essência do poder transformador do Evangelho.

Paulo e Silas estavam na cidade de Filipos ensinando o Evangelho de Jesus Cristo. Passados alguns dias, Paulo percebeu que havia uma mulher naquela cidade possuída por um espírito de adivinhação que dava grande lucro a um grupo de pessoas. O lucro destes era proveniente da opressão de uma mulher. Quem eram essas pessoas que lucravam?

A Bíblia não fala exatamente quem eram, mas certamente eram pessoas que gozavam de prestígio com o povo e as autoridades daquela cidade. Isso percebemos nos versículos 19 ao 22, onde ocorreu uma grande mobilização na cidade para prender Paulo e Silas depois que expulsaram o espírito adivinhador. Podemos imaginar que talvez até mesmo algumas daquelas autoridades faziam parte do grupo que lucrava com aquela mulher, pois prontamente atenderam ao pedido daqueles homens sem mesmo analisarem o que estava acontecendo, açoitando Paulo e Silas e os prendendo.

Assim, eles foram presos sem qualquer oportunidade de defesa. A justificativa para a prisão de acordo com o versículo 26 foi a de que “perturbavam a cidade, propagando costumes que não poderiam receber, nem praticar, porque eram romanos”.

O Evangelho não se conforma com a realidade social, política e econômica de uma nação, mas, pelo contrário, o Evangelho denuncia as injustiças e propõe um fundamento de justiça em todas as esferas sociais.

Ao desmoronar aquela prisão, uma mensagem clara foi apresentada ao mundo. O Evangelho não é refém de qualquer sistema político, social e econômico. O Evangelho é a verdade de Deus que salva pessoas, transforma famílias, cidades e nações. Os que estavam presos não eram apenas Paulo e Silas, mas, também, a mensagem de confronto que o Evangelho provoca.

A história não terminou quando a prisão desmoronou, mas segue com a conversão do carcereiro. A obra transformadora do Evangelho ainda não havia sido terminada.

Rapidamente as autoridades ficaram sabendo do ocorrido naquela noite e mandaram logo pela manhã oficiais de justiça para colocarem Paulo e Silas em liberdade. Entretanto a resposta que os oficiais obtiveram de Paulo surpreendeu a todos:“Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos recolheram ao cárcere, sendo nós cidadãos romanos; querem agora, às ocultas, lançar-nos fora? Não será assim; pelo contrário, venham eles e pessoalmente, nos ponham em liberdade” (v. 37). Quantos homens e mulheres sofreram a mesma injustiça que Paulo e Silas? As autoridades daquele local estavam comprometidas com um sistema que favorecia certa classe social em detrimento da justiça.

Paulo, depois do sobrenatural desmoronamento da prisão, poderia ter ido embora, mas a obra transformadora do Evangelho não seria completa até que a podridão do sistema político e jurídico fossem expostos. A reação das autoridades foi relatada no versículo 38: “Os oficiais de justiça comunicaram isso aos pretores; e estes ficaram possuídos de temor, quando souberam que se tratava de cidadãos romanos”. Certamente, depois desse fato, aquelas autoridades pensariam duas vezes antes de cometerem o mesmo erro. Havia um propósito para aquela cadeia desmoronar; a luz do Evangelho precisava expor a podridão dos sistemas político, social e econômico.  Não podemos pensar nessa história sem considerar o contexto no qual ela ocorreu.

Como Igreja, não podemos buscar apenas o desmoronamento da prisão, apenas o sobrenatural, se não entendermos a obra completa de transformação do Evangelho. Trazemos conosco justiça, paz e alegria. Não podemos nos conformar com a podridão política da nossa nação. A mensagem de Jesus Cristo precisa alcançar todas as esferas da nossa sociedade.

No próximo dia 19 de agosto, das 14h às 18h, na Lagoinha Mineirão, o Grupo de Ação Política (GAP), da Lagoinha, promoverá um treinamento em combate à corrupção. Essa será uma grande oportunidade de aprendermos ferramentas eficazes para transformação da realidade do nosso país. Contamos com a sua participação! Mais informações, entre em contato com Carlos Said Pires: (31) 98799-4729.

O Brasil precisa de você!

:: Carlos Said Pires [GAP – Grupo de Ação Política]