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Cruz, o caminho de Jesus, do discípulo e da Igreja

Foto: unsplash.com

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Todos concordamos com o mesmo discurso: somos discípulos de Jesus (ou pelo menos deveríamos ser). Então, por que raios buscamos outro destino que não tem nada a ver com a Cruz? Porque, sim, foi para Cruz que Cristo caminhou. O evangelho de Marcos tem como premissa revelar a identidade de Cristo, ocultada pelo mistério messiânico. E isso perpassa questões doutrinárias e teológicas, é de cunho existencial. Uma resposta que só pode ser encontrada no convívio com Jesus. Enquanto se caminha com Ele. E que, uma vez achada, tem o potencial de transformar uma vida radicalmente. É no caminho para Jerusalém, o caminho da Cruz, que Cristo encontra e chama Seus discípulos. Deles são exigidas renúncia e confiança, já que Jesus faz questão de sempre ir à frente.

A Cruz não é só o caminho de Jesus, mas também do discípulo e, claro, o da Igreja. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” (Mc 8.34).

Para o evangelista Marcos é muito simples compreender que o discípulo, de fato, segue Jesus num caminho específico: aquele que leva a Jerusalém, onde o Filho do Homem será entregue.

E é nesse caminho, no convívio cotidiano, que Jesus se dá a conhecer àqueles que são Seus seguidores. E é porque Ele revela quem é que o caminho se transforma no espaço de um grande e importante questionamento feito pelo Mestre: “E vós, quem dizeis que sou?” (Mc 8.27). Essa pergunta conduz às respostas que são a base da revelação para a crença em Jesus. E não só isso, Marcos quer que, simultaneamente às revelações de Cristo, os discípulos descubram seus medos, suas incompreensões, suas fragilidades, suas contradições e suas resistências diante de uma proposta que os desnuda. A proposta da Cruz era o cumprimento do propósito de Jesus. Segui-Lo nessa trajetória é encontrar nosso propósito existencial, pelo qual vale a pena morrer.

Seguir Jesus no caminho supõe deixar-se conduzir por Ele, desfazer-se da lógica e da perspectiva dos homens e acolher a lógica e a perspectiva de Deus. Para os homens, pode parecer um absurdo. Uma lógica sem lógica. Mas, para Marcos, é a única lógica possível, a dos paradoxos: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho a salvará” (Mc 8.35), “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!” (Mc 9.35).

*Baseado em “TAL MESTRE, TAL DISCÍPULO: O discipulado no Evangelho de Marcos” (Juan Pablo García Martínez / Solange Maria do Carmo).

:: ERIVELTON SCHMIDT