Nenhum Comentário

Dia do Amigo: O que a Bíblia diz sobre amizade?

Foto: unsplash.com

Foto: unsplash.com

Enquanto esteve na terra, Jesus disse uma coisa que, particularmente, me emociona. Ele nos chamou de amigos. “Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, Eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai Eu lhes tornei conhecido” (João 15.15). Se, hoje, você tem conhecido Deus como Pai, é porque Jesus revelou ao seu coração essa paternidade, pois te considera um amigo.

As pessoas do mundo – e, até mesmo, vários que se dizem crentes – não considera Deus como Pai, porque não têm em sua identidade tal filiação. Esse é um privilégio concedido apenas aos mais íntimos de Jesus, aqueles os quais Ele chama de amigos. Para compreendermos melhor a grandeza que isso significa, neste Dia do Amigo, os convido a mergulhar nesse e em outros exemplos bíblicos.

Intimidade

A primeira coisa à qual quero chamar-lhe atenção é que amigo não é apenas um conhecido. Podemos ajudar alguém e, ainda assim, não ser amigo dele. Podemos trabalhar por décadas ao lado de uma pessoa e, ainda assim, não tê-la como amiga. Podemos até viver sob o mesmo teto com outro ser humano e, ainda assim, não considerá-lo como amigo. Não basta ter contato para ser amigo de alguém; é preciso ter intimidade.

Jesus costumava realizar sinais de maravilhas e curas no meio da multidão. Também O vemos ensinando o povo acerca das Escrituras. No entanto, Ele chama apenas os Seus discípulos de amigos. Jesus não estava no meio da multidão quando proferiu as palavras registradas em João 15.15. Os discípulos andaram cerca de três anos com Jesus, estavam com Ele o tempo todo. Com os discípulos, Jesus dividiu ainda mais do que o poder de Deus e conhecimento teológico. Com os discípulos, Jesus construiu uma relação íntima. Só se tem intimidade com quem se tem amizade. Nem mesmo uma relação de sangue sempre culmina em intimidade. Quantos filhos não têm, por exemplo, os pais como amigos?

“Eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai Eu lhes tornei conhecido” (João 15.15). Amizade real é aquela na qual não cabe segredos. E é justamente esse tipo de relacionamento que Jesus constrói com aqueles que decidem andar lado a lado com Ele, assim como os discípulos andaram.

Fidelidade
Outra reflexão que podemos fazer é que amigo de verdade é fiel, não importa o que aconteça. Inclusive, um dos significados que pode ser encontrado para a palavra “amigo” no dicionário é “que inspira confiança”. Amigo é, portanto, alguém em quem se pode confiar, aquele que não irá, então, te abandonar, porque é fiel a você. Na Bíblia, vemos que Noemi encontrou uma amiga assim, e o nome dela era Rute.

Quando o marido e os filhos de Noemi morreram, ela, que morava em Moabe, decidiu voltar para Judá, a sua terra natal (Rute 1.6). Noemi, então, orientou as noras a voltarem para as suas famílias. Uma delas, Rute, porém, não quis se separar da sogra, Noemi. “Rute, porém, respondeu: ‘Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti!’” (Rute 1.16,17).

Nem mesmo uma situação de adversidade faz um amigo abandonar aquele a quem considera verdadeiramente. “O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” (Provérbios 17.17). E, por falar em amor, esse é justamente o outro aspecto sobre amizade sobre o qual refletiremos a seguir.

Entrega
Além de intimidade e fidelidade, o amor define se aquela é ou não uma amizade verdadeira. Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos amigos” (João 15.13). Jônatas, filho de Saul, fez exatamente isso por Davi, a quem tinha como melhor amigo. “E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o melhor amigo de Davi. Jônatas tirou o manto que estava vestindo e deu-o a Davi, junto com sua túnica, e até sua espada, seu arco e seu cinturão” (1 Samuel 18.3,4).

O trecho bíblico relata o estabelecimento de uma aliança de Jônatas com Davi. E, naquela época e no contexto em questão, dar a túnica para alguém era o mesmo que dizer: “Estou dando a minha vida a você” ou “entrego a mim mesmo a você”. Não existe maior nível de entrega ou prova de amor do que dar a própria vida em favor de alguém. Jônatas entregou tudo a Davi, porque entregou quem ele era: o herdeiro do trono. Jônatas tinha o direito legal de tornar-se rei após o seu pai, Saul. Porém, por causa da aliança que Jônatas fez, Davi teve legalidade para assumir o reinado.

E Jônatas sabia exatamente o que estava fazendo ao usar as suas túnicas como um dos símbolos dessa aliança e fez o que fez porque amava Davi. “(…) a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma” (1 Samuel 18.1b). Dessa forma, podemos entender que amizade verdadeira exige entrega, isto é, se doar àquele a quem ama.

Foi isso que Cristo fez por nós. Agora, é a vez da gente fazer o mesmo por Cristo. Ele disse que somos Seus amigos. A pergunta hoje, porém, é: E nós? Somos amigos Dele? Espero que sim. Espero que Cristo possa contar conosco da mesma forma que podemos contar com Ele todo o tempo. E espero que possamos ouvir de Cristo o mesmo que, um dia, os discípulos ouviram: “Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, Eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai Eu lhes tornei conhecido” (João 15.15).

:: THAIS OLIVEIRA