O tema do sábado na Bíblia é muito controverso e muitas vezes mal entendido. Espero que com essa meditação abaixo possamos tirar as dúvidas e entender o propósito. O sábado semanal precisa ser visto em todos os seus ângulos para que possamos entender seu propósito.
Primeiro ângulo: um memorial da criação perfeita de Deus. Este memorial lembra que quando Deus criou a terra e tudo que nela há, a criou perfeita e no perfeito descanso de Deus.
Segundo ângulo: O sábado aparece entre os 10 mandamentos que Deus deu a Moisés. Ele deveria ser guardado, seria um dia de descanso semanal com várias regras para que não fosse violado. Entre os 10 mandamentos surge esse mandamento que parece não ter nada a ver com os outros nove. Mas, como veremos mais a frente, de fato, ele é um mandamento fundamental entre os outros apesar de sua natureza diferente.
Estes dois ângulos ou pontos de vista, nos dão uma perspectiva clara do propósito do “shabbath”. Sem o entendimento deles poderemos nos perder em considerações vagas.
O Propósito do Sábado
Um texto importante para que entendamos os ângulos do sábado é o capítulo 31 de Êxodo onde o Senhor deixa bem claro porque ele foi estabelecido entre os 10 mandamentos. Nos versos 13 e 17 o Senhor está dizendo que o sábado é “sinal” entre Israel e ele em suas gerações.
O que é um sinal? A palavra hebraica “`ôt”que é traduzida por sinal significa: sinal, aviso, presságio, advertência, marca, memorial… como em português também. Um sinal serve para indicar alguma coisa, situação ou lugar. Agora podemos considerar o primeiro ângulo.
Primeiro Ângulo
O verso 17 de Êxodo 31 nos trás luz ao dizer: “Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento”. Este sinal é um memorial de que Deus fez “os céus e a terra em sete dias, descansou e tomou alento”. Quando Deus criou todas as coisas ele as criou perfeitas, ou seja, elas foram criadas para viverem dentro de um ambiente de descanso em Deus, em harmonia, mas, vindo o pecado, esse descanso do homem e até da natureza foi quebrado. Gênesis 3:17-19 registra as palavras do Senhor ao homem após a queda: “ E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”.
O Verdadeiro Descanso (Hebreus capítulos 3 e 4)
A esta altura é bom meditarmos nestes dois capítulos de Hebreus. A partir do verso 7 do capítulo 3 o autor da carta para argumentar a respeito do verdadeiro descanso em Deus, cita um salmo, que, entre outros, era cantado por ocasião do “shabbath” no templo, desde antes de Cristo e até hoje permanece como parte da liturgia do “shabbath” nas sinagogas. Portanto ao fazer menção do salmo 95, o autor sabia que a mente dos seus leitores seria levada imediatamente à referida celebração. Vejamos a parte do salmo citada em Hebreus:
“Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso” (Hb 3:7-11; Sl 95:7-11).
O autor sacro usa este salmo para exortar os irmãos a não caírem no mesmo erro fatal de Israel no deserto que, por causa da incredulidade e da consequente desobediência, não puderam entrar no descanso de Deus. A princípio, lendo o salmo, temos a impressão que o descanso ao qual o salmo se refere é a entrada na terra prometida, mas, o autor de Hebreus teve uma iluminação dessa escritura que o levou a entender que o verdadeiro descanso ao qual Deus se referia não era o oferecido por Josué com a entrada na terra prometida: “Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia”(Hb 4:8). Nosso amado escritor viu, no Espírito, que o descanso somente poderia ser alcançado se o problema que originou o cansaço fosse resolvido, a incredulidade, a mãe de todos os pecados. Foi quando o homem duvidou do caráter de Deus dando crédito à serpente que o cansaço foi introduzido na terra. Até então, tudo na criação estava existindo na harmonia do descanso de Deus. Todo trabalho de Deus, a partir da incredulidade, foi trazer sua criação de volta a esse descanso.
Quando Jesus veio ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. Mas, como esse descanso viria? Jesus disse que quando o Espírito Santo viesse que ele convenceria “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” e completa: “do pecado, porque não creem em mim” (Jo 16:8 e 9). O convencimento do Espírito traria o homem de volta a fé. Por isso, o autor de Hebreus exorta os irmãos a não voltarem ao cansaço da incredulidade: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3:12,13).
Em Hebreus 4:3 nosso irmão, inspirado pelo Espírito, concluiu: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso” e logo em seguida mostra, novamente, a relação dessa afirmação ao sétimo dia no qual Deus descansou: “Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera” (v 4). Claramente o autor de Hebreus aponta que o propósito do sábado como sinal do descanso de Deus (Ex 31:17) foi concluído através da fé em Jesus Cristo. Então, se já chegamos ao lugar apontado pelo sinal, não precisamos mais do sinal. Agostinho disse: “Senhor, o nosso coração foi feito para ti, e ele anda inquieto enquanto não descansar em ti!”
Segundo Ângulo
Vejamos ainda o verso 13 de Êxodo 31: “Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica”. Aqui o Senhor está dizendo que o sábado é “sinal” entre Israel e ele em suas gerações de que Ele é o nosso santificador.
Esta parte do verso nos salta aos olhos para que entendamos que não há outra forma de sermos santificados, senão, pelo próprio Senhor. O legalismo não é capaz dessa façanha, a santificação. Somente numa relação pessoal com Deus é que poderemos alcançar esse objetivo preconizado pelo Senhor para os eleitos. O sábado, então, foi colocado entre os 10 mandamentos, também, com esse propósito, enfatizar o tema principal de toda a escritura: A dependência de Deus. De cabo a rabo na Bíblia esse é o tema mais enfatizado e ele é representado pelo sábado entre os 10 mandamentos. Isto não é maravilhoso?!
Para entendermos melhor o sábado como sinal é preciso entender o propósito da lei.
O Propósito da Lei
A lei não foi dada com o propósito de santificar, de aperfeiçoar o homem, ela foi dada para aviltar o pecado. Em Rm 7:12 e 13 o apóstolo Paulo diz: “Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno”. A lei fez com que o pecado se tornasse “sobremaneira maligno”. Ainda em Rm 3:19 e 20 Paulo afirma: “ Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Em outras palavras, a lei foi dada para que o desconforto entre Deus e o homem aumentasse e que debaixo da espada da lei o homem não visse outra saída senão Cristo. Em Gálatas 3:24 e 25 diz: “ De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio”.
A lei, então, não pode nos dar descanso, nem paz com Deus, pelo contrário, aumentou nossa inquietude. Essa inquietude é expressada por Paulo em Romanos 7:21-24: “Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” A lei, apesar de ser boa, não podia trazer descanso, pois, esse não era o propósito dela.
Ela foi dada para que aumentasse o desconforto e assim o homem corresse para o Senhor que santifica. Como já vimos, é exatamente para isso que o sábado aponta entre os 10 mandamentos. Paulo não está falando aqui de uma “lei cerimonial” apenas, ele está falando de algo moral como vemos no contexto do capítulo 7: “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás”. Aliás, o Novo Testamento não faz essa divisão entre lei cerimonial e lei moral. Toda a lei foi dada por Deus e qualquer quebra dela seria um ato moral, desobediência, até mesmo em se tratando do que muitos pensam ser apenas cerimonial. Qualquer mandamento cerimonial quebrado era pecado e resultava em punição.
Considerando, então, a ineficácia da lei de Deus para nos santificar, pois a lei do pecado era mais poderosa que a lei escrita, que em si mesma é morta (2Co 3:6-8), Deus teve que providenciar uma outra lei que nos desse condição de vencer a lei do pecado. Em Romanos 8:2-4 Paulo descreve essa lei: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, visto que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. É para essa lei que o sábado aponta, porque somente o Espírito, somente Deus pode nos santificar.
O Sábado como sombra
O autor de Hebreus diz: “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem”. Em Col 2:16 e 17 o apóstolo Paulo afirma que o sábado é uma dessas coisas na lei que são sombras: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Sábados aqui não se refere aos sábados das festas judaicas, mas somente ao sábado semanal, Por que?
1°. Porque o contexto está falando da lei que rege a nossa moral, que nos endividava com Deus, isso inclui os 10 mandamentos. Os versos 13 -14 atestam isso: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz” (preste atenção nos negritos do texto que eu coloquei para ressaltar as ideias). Ora, como se afirma que o sábado é uma lei moral, então é disso que trata o contexto.
2°. Porque essa forma de escrever usada pelo apóstolo neste texto é uma forma repetida muitas vezes no VT e se refere aos 3 grupos de celebrações do judaísmo, ou seja: “dia de festa” é igual a festas anuais, “lua nova” é igual a celebrações mensais, e “sábados” a celebrações semanais ( veja os textos: 1 Crônicas 23:30-31; 2 Crônicas 2:4¬; 2 Crônicas 8:13; 2 Crônicas 31:3; Neemias 10:33; Ezequiel 45:17; Oséias 2:11). Então, o sábado das festas anuais já estão incluídos no “dia de festa” sendo desnecessário repeti-los. Conclusão óbvia, é que com a expressão “sábados”, o apóstolo, como no VT está se referindo aos sábados semanais. O sábado então é um sinal, um preságio, uma sombra, uma profecia que apontava para algumas coisas:
Primeiro: Para o fato de que é o Senhor que nos santifica.
Segundo: Para a criação perfeita de Deus que foi concebida no descanso de Deus.
Terceiro: Para o Corpo de Cristo do qual é sombra.
Por que o sábado é sombra do corpo de Cristo? Porque somente no corpo de Cristo a fé, a revelação, se completa. O autor de Hebreus no capítulo 11 falando dos heróis da fé do Velho Testamento afirma: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”(v 13) e nos versos 39 – 40 completa: “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados”. Somente no corpo de Cristo encontramos a realidade que projeta as sombras encontradas na lei, é somente lá que encontramos o descanso e a santificação. Quando Paulo fala do corpo, não fala de uma instituição humana, mas da verdadeira igreja de Jesus composta pelos que creem.
O autor de Hebreus diz: “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem”. Em Col 2:16 e 17 o apóstolo Paulo afirma que o sábado é uma dessas coisas na lei que são sombras: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Sábados aqui não se refere aos sábados das festas judaicas, mas somente ao sábado semanal, Por que?
1°. Porque o contexto está falando da lei que rege a nossa moral, que nos endividava com Deus, isso inclui os 10 mandamentos. Os versos 13 -14 atestam isso: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz” (preste atenção nos negritos do texto que eu coloquei para ressaltar as ideias). Ora, como se afirma que o sábado é uma lei moral, então é disso que trata o contexto.
2°. Porque essa forma de escrever usada pelo apóstolo neste texto é uma forma repetida muitas vezes no VT e se refere aos 3 grupos de celebrações do judaísmo, ou seja: “dia de festa” é igual a festas anuais, “lua nova” é igual a celebrações mensais, e “sábados” a celebrações semanais ( veja os textos: 1 Crônicas 23:30-31; 2 Crônicas 2:4¬; 2 Crônicas 8:13; 2 Crônicas 31:3; Neemias 10:33; Ezequiel 45:17; Oséias 2:11). Então, o sábado das festas anuais já estão incluídos no “dia de festa” sendo desnecessário repeti-los. Conclusão óbvia, é que com a expressão “sábados”, o apóstolo, como no VT está se referindo aos sábados semanais. O sábado então é um sinal, um preságio, uma sombra, uma profecia que apontava para algumas coisas:
Primeiro: Para o fato de que é o Senhor que nos santifica.
Segundo: Para a criação perfeita de Deus que foi concebida no descanso de Deus.
Terceiro: Para o Corpo de Cristo do qual é sombra.
Por que o sábado é sombra do corpo de Cristo? Porque somente no corpo de Cristo a fé, a revelação, se completa. O autor de Hebreus no capítulo 11 falando dos heróis da fé do Velho Testamento afirma: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”(v 13) e nos versos 39 – 40 completa: “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados”. Somente no corpo de Cristo encontramos a realidade que projeta as sombras encontradas na lei, é somente lá que encontramos o descanso e a santificação.
Quando Paulo fala do corpo, não fala de uma instituição humana, mas da verdadeira igreja de Jesus composta pelos que creem. Se alcançamos o corpo de Cristo, não precisamos mais ficar com a sombra (Col 2:16 e 17). A sombra sempre existirá, mas, não é com ela que eu me relaciono mais, pois, não é dela que vem minha vida, mas do corpo. Guardar o sábado hoje, depois que Cristo se revelou, é o mesmo que nos dirigirmos a um determinado lugar e encontramos no caminho uma placa indicativa ( um sinal de trânsito), corrermos para a placa, nos abraçarmos com ela e interrompermos a busca do nosso destino final. Ou ao vermos nossa esposa e deixarmos de correr para abraçá-la nos entretendo com a sua sombra.
É por esses motivos acima que a igreja não guardava o sábado.
Alguém pode argumentar que o sinal era perpétuo e isto é verdade, mas era perpétuo para os filhos de Israel e não para a igreja. A igreja não é o Israel de Deus. Sempre em o Novo Testamento a Igreja foi tratada como algo separado de Israel. Somente acontece unidade entre um judeu e um gentio quando os dois se convertem a Cristo: “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:26 e 27). O apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas 4:8-11 trata a guarda de dias, meses, tempos e anos como rudimentos fracos e pobres: “Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são; mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco” (Note que o apóstolo uma aqui, o mesmo formato de Cl 2:16, de modo inverso). Quando pagãos os gálatas guardavam esses rudimentos, observando seus dias sagrados pagãos, quando conheceram a Cristo, porém, abandonaram essa prática, mas, todo o contexto da carta mostra que Paulo aqui está combatendo os judaizantes que tentavam impingir aos crentes gentios os costumes judeus, inclusive o costume da guarda de dias que o apóstolo chama de rudimentos fracos e pobres. Esses rudimentos cumpriram um propósito, mas, agora, em Cristo, eles não são mais necessários.
Por que Jesus guardou o sábado então?
“Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu”. Essa foi a resposta de Jesus a João Batista quando João o questionou sobre quem deveria batizar quem. Estas palavras tem tudo a ver com o que Jesus disse em Mateus 5:17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. A palavra grega traduzida por “cumprir” (grego: pleroo), não se refere somente a obedecer, mas, tem o sentido de completar o propósito. Jesus completou o proposito da lei, não apenas obedecendo cada detalhe, mas, também, completando o seu propósito (Veja alguns textos onde essa palavra grega é usada (Mt 12:17; 21:4; Lc 9:31; 21:22).
Por esse motivo, o apóstolo Paulo escreveu em Romanos 3:20 e 21: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas”. A justiça de Deus se manifestou “sem lei” mas, “testemunhada pela lei e pelos profetas”. Esse testemunho da lei aconteceu porque tudo que a lei fazia ou dizia para apontar Jesus se cumpriu nele. Então, era necessário que Jesus guardasse o sábado até que toda a lei se cumprisse. Isto nos dá uma nova dimensão do que significam as palavras de Jesus: “O Filho do Homem é senhor do sábado” (Lucas 6:5).
Outros poderiam argumentar que em o Novo Testamento aparece muitas vezes a palavra sábado e por isso ele deve ser guardado, mas, se observarmos, o sábado semanal somente era guardado por judeus ou prosélitos, nunca pela igreja nem pelos discípulos de Jesus após o surgimento da Igreja a partir do dia de pentecoste. A igreja somente passou a existir após se tornar habitação, templo do Espírito, no pentecoste. Após essa data, não vemos uma referência si quer dos membros do corpo de Cristo, cristãos de origem israelita, nem tampouco de origem gentílica guardando o sábado. Nem também uma referência si quer a esse mandamento é encontrada depois disso, senão, para combater a guarda do sábado ou de qualquer outro dia, sendo tratada essa prática como “rudimentos fracos e pobres”. Apesar de termos muitos cristãos de origem gentílica, não habituados à guarda do sábado, nem assim, encontramos um só exortação a essa prática, apesar de encontrarmos exortação à prática de todos os outros mandamentos do decálogo.
O apóstolo Paulo guardava o sábado?
Não há como provar isso somente baseado no fato de que Paulo pregava aos judeus no sábado. Essa era uma estratégia evangelística do apóstolo porque o evangelho deveria ser pregado sempre primeiro para os judeus e em seguida para os gentios (Atos 1:8). Onde ele teria um auditório de judeus para pregar? Na sinagoga, no sábado. Ali não era uma reunião do corpo de Cristo, mas uma reunião judaica no modelo da velha aliança que Paulo usava para pregar o evangelho.
A única vez que a Bíblia mostra uma reunião da igreja, e que fala o dia da semana, foi no primeiro dia da semana: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (At 20:7). Deve-se entender que o dia do Judeu começa às 18h00 quando se encerra o sábado, então, os judeus entendiam que se estivessem reunidos a partir das 18h00 do que consideramos sábado, já teriam entrado no primeiro dia da semana.
Não há, no Novo Testamento, uma ordem para se mudar o dia de guarda porque guardar dia é “rudimento fraco e pobre” como já vimos. Mas, para celebrar a ressurreição de Jesus, a igreja passou a se reunir no primeiro dia da semana como comprova a história contada pelos que conviveram com os apóstolos, tornando-se mais tarde um dia de guarda, apesar do ensino de Paulo contrário a isso.
Veja esse testemunho histórico daqueles que conviveram com os apóstolos ou que vieram logo depois:
A Epístola de Barnabé (cerca de 100 dC) – “Portanto, também nós mantemos o oitavo dia com alegria, o dia também em que Jesus ressuscitou dos mortos. “
A Epístola de Inácio de Antioquia, discípulo de João (viveu de 35-110 dC) – “Não vos enganeis com estranhas doutrinas, nem com as fábulas antigas, que não são proveitosas. Porque, se nós ainda vivemos segundo a Lei Judaica, nós reconhecemos que não temos recebido Graça… Portanto, aqueles que foram educados na antiga ordem das coisas vieram à posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo na observância do Dia do Senhor, em que também a nossa vida surgiu novamente por Ele e por Sua morte. “
Justino Mártir (cerca de 140 dC) – “E no dia chamado domingo todos os que vivem nas cidades ou no campo se reúnem em um só lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos. … Mas o Domingo é o dia em que todos têm uma assembleia em comum, porque é primeiro dia da semana em que Deus … fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador no mesmo dia ressuscitou dos mortos. ”
Bardesanes, Edessa (180 dC) – “No primeiro da semana, nós nos reunimos juntos, em assembleia. ”
Clemente de Alexandria (194 dC) – “Ele, em cumprimento do preceito, segundo o evangelho, mantém o Dia do Senhor … glorificando ao Senhor pela Sua ressurreição. ”
Tertuliano (200 dC) – “Nós tornamos solene o dia depois do sábado, em contradição com aqueles que chamam este dia o seu sábado.”
Irineu (cerca 155-202 dC) – “O mistério da ressurreição do Senhor não pode ser comemorado em qualquer dia senão no Dia do Senhor, e somente nele devemos observar o descanso da festa de Páscoa “.
Cipriano (250 dC) – “O oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, é o Dia do Senhor “.
Anatólio (AD 270) – “Nossa preocupação com a ressurreição do Senhor, que teve lugar no Dia do Senhor nos levará a celebrá-lo.”
Pedro, Bispo de Alexandria (306 dC) – “Mas o Dia do Senhor, nós celebramos como um dia de alegria, porque nele, Ele [o Senhor] ressuscitou”.
Duas fortes razões para a igreja se reunir no domingo:
1. Jesus ressuscitou no domingo
2. O Espírito Santo foi dado à igreja no primeiro dia da semana. Atos 2:1: “Ao cumprir-se o
dia de Pentecostes…”. Ora, o dia de pentecostes se cumpria exatamente 50 dias após o termino do sábado da páscoa, então, no calendário judeu caia sempre no domingo.
Espero que tenha conseguido ser claro o suficiente a respeito desse assunto para ajudar a todos que ainda se acham confusos a respeito desse assunto.









Cara Vanessa,
No texto acima não estou procurando argumentar que o sábado deve ser o dia de guarda e sim que ele foi estabelecido como tal na lei apenas para servir de sinal até que o objetivo final fosse alcançado. O objetivo final é nos lembrar que o Senhor é o nosso santificador e não a lei e que o verdadeiro descanso é a fé em Jesus como lemos em Hebreus 4:3. Não há na Igreja hoje um dia específico de guarda, para nós todos os dias são santos.
Qualquer dúvida pode entrar em contato comigo pelo e-mail:luzindo@gmail.com .
Um abraço
Paulo Cezar
Todos os argumentos em favor do sábado são bíblicos.
O único argumento bíblico em favor de nos reunirmos no domingo e a ressurreição de Jesus. A partir disso, homens sugeriram a troca do dia de guarda.
Fiquei confusa.
É isso msm?
Muito bom. Mas achei o texto um pouco prolixo. Deveria ir mais direto ao ponto, pois pode confundir. Mas parabéns pela iniciativa. Gostaria de receber mais textos.
Só queria informar que o texto se repete na parte: “O Sábado como sombra”, na frase: “….Quando Paulo fala do corpo, não fala de uma instituição humana, mas da verdadeira igreja de Jesus composta pelos que crêem.” até:”…Somente no corpo de Cristo encontramos a realidade que projeta as sombras encontradas na lei, é somente lá que encontramos o descanso e a santificação.”. Antes de dá inicio : “…Se alcançarmos o corpo de Cristo, não precisamos mais ficar com a sombra (Col 2:16 e 17).”
Fui tremendamente ministrada, e esclarecida ao ler esse texto.
Essa questão do sábado discutidas por alguns segmentos religiosos que ainda o guarda, às vezes, torna-se um absurdo, porque tira Jesus do centro da remissão dos pecados e coloca-o s de novo em obras mortas que de nada aproveitaram.Começei a ver um filme no youtube sobre esse tema, em que os Estados Unidos determinavam o dia dominical, como o dia a ser guardado. Então, para eles eram o início do fim, com base em profecias humanas que não se encontram nas sagradas escrituras.