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Erro religioso

“Jesus, porém, lhes respondeu: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29)

Um típico caso de erro em assunto de vida espiritual é o narrado em Mateus 22.23-33. Os saduceus, membros de um grupo religioso de alta influência política entre os antigos israelitas, não criam na ressurreição. A capciosa pergunta feita a Jesus tinha como propósito testá-Lo, desacreditá-Lo ou brincar com Ele.

O erro dos saduceus foi pensar na vida do Além em termos terrenos, e na eternidade em termos de plenitude e de novas e superiores relações que vão transcender numa intensidade infinita as relações físcas do tempo.

Não vamos comentar o fato de ressurreição dos corpos, mas a declaração de Jesus Cristo, que é de atualidade e pertinência sem igual, “Jesus, porém, lhes respondeu: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22. 29), e que nos aponta a fonte de descrença, ceticismo, desconfiança e erro religioso: a falta de conhecimento das escrituras e a falta de experiência espiritual.

O Desconhecimento das Escrituras

Sem a Palavra de Deus, as pessoas humanas estão nas trevas: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho” ( Sl 119.105, cf. Jr 10.23). O teólogo suiço Karl Barth afirmou com muita propriedade:

“Na Bíblia sempre encontramos aquilo que procuramos: coisas grandiosas e divina, se coisas divinas e grandiosas queremos encontrar; aspectos importantes e históricos, se o que nos interessa é o que é histórico e importante… Os que têm fome nela encontrarão com que se saciar… Existe na Bíblia um mundo novo: o de Deus”. Sem entendimento das Escrituras, cai-se na apostasia nas suas mais variadas manifestações:

· Religião Formalista. “Agora, porém que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gl 4.9).

No caso dos gálatas, era o formalismo da religião judaica. É o caso do Cristianismo superficial de tanta gente:

· Pecado e Indiferença. “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12).

Por que haveria alguém de abrir a Bíblia e lê-la? Simples curiosidade, curiosidade intelectual, interesse de saber em que consiste a fé evangélica, interesse no significado do ser humano são respostas possíveis. Nós buscamos a Bíblia para que Deus nos fale;

· Perda de Entusiasmo Espiritual. “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4).

O Livro de Apocalipse fala “no primeiro amor”. Que é? A esperança e a segurança da fé, a comunhão dos salvos na Igreja de Cristo, o espírito de evangelismo que deve caracterizar o testemunho. A perda de entusiasmo espiritual leva à queda na fé. É até possível que se seja leitor regular da Bíblia e falhe em ver as novas lições que Deus quer ensinar através dela.

Um psicanalista evangélico suiço, Oskar Pfister, acentua, “dize-me o que encontras na Bíblia e eu te direi quem és”. Afinal, a Escritura Sagrada tem por objetivo iluminar o espírito (Sl 119.130), produzir a fé (Jo 20.30, 31), e alimentar a vida espiritual (Mt 4.4). O caráter único da Bíblia está resumido em João 20.31: “Estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”.

Sim; “Errais não conhecendo as Escrituras”. É interessante o ensino prático da Bíblia e como influi na vida de uma nação. Pimentel de Carvalho nos assegura que o Livro Santo:

(1) ensina os pais a instruirem seus filhos (Pr 22.6); (2) ensina os empregados a trabalhar honestamente (1Tm 6.1); (3) ensina os industriais e comerciantes a pagar devidamente os impostos exigidos pela lei ( Rm 13.1,4,6,7); (4) ensina o povo em geral a honrar e obedecer às autoridades (Rm 13.1,2); (5) ensina a todos a colaborar com o governo, orando pelos governantes a fim de que Deus lhes dê uma administração sábia e segura (1Tm 2.1-3).

O Desconhecimento do poder de Deus

Quem não conhece o poder de Deus sempre limita as Suas promessas. Abraão recebeu de Deus a promessa de ser pai de uma grande nação e ser abençoado e engrandecido. No entanto, ao ir para o Egito, temeu pela vida e disse que Sara, sua mulher, era tão somente sua irmã (Gn 12.12, 13). Sara, incluida na mesma promessa, depois de dez anos de espera pelo cumprimento da promessa de ter um filho, tomou uma providência humana demais de ter um filho através de Agar (Gn 16.3). Moisés, ao ser convocado para a missão de capitão do povo hebreu, começou a colocar desculpas diante do Senhor: “Quem sou eu, para que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3.11). O Senhor assegura Sua proteção, a Moisés: “Não me crerão, nem ouvirão a minha voz, pois dirão: O Senhor não te apareceu”( Ex 4.1); e ainda: “Ah, Senhor! Eu não sou eloqüente, nem o fui dantes, nem ainda depois que falaste ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua” (Ex 4.10); e pela quarta vez: “Ah, Senhor! Envia, peço-te, por mão daquele a quem tu hás de enviar” ( Ex 4.13).

“Errais não conhecendo o poder de Deus!” A criação do universo é manifestação do poder de Deus (Jo 38.4-10); é poder de Deus Sua providência e domínio sobre todas as coisas (1Cr 29. 11, 12); é poder divino a salvação do ser humano; é poder de Deus a disciplina e o castigo (Dt 11.2); os milagres e sinais realizados por Jesus Cristo são expressão do poder divino (Lc 5.17); a ressurreição de Cristo é poder de Deus (At 2.24); o evangelho é poder de Deus:

“Porque não me envergonho do evangelho, pois, é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. (Rm 1.16).

Se é preciso conhecer o poder de Deus, e o evangelho é o poder de Deus, logo, é preciso conhecer o evangelho, que é a mensagem de que Jesus Cristo pode responder aos mais profundos anseios de nossa alma.

:: Por Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião em Salvador, BA.