Fidelidade conjugal: manancial recluso, fonte selada

“Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada”. (Ct 4.12.)

 

O casamento nasceu no céu, e não na terra; nasceu no coração de Deus, e não no coração do homem. Deus é o idealizador, o arquiteto, o edificador, o protetor e o galardoador do casamento. O casamento foi a primeira instituição divina. O casamento é anterior ao Estado e à própria Igreja. O casamento, embora não seja um sacramento, é uma aliança de amor e um compromisso de fidelidade, onde Deus se apresenta como a suprema testemunha.

O mesmo Deus que instituiu o casamento estabeleceu princípios claros para conduzi-lo à felicidade. Os mandamentos de Deus não são penosos. Eles não foram dados para nos tirar a liberdade nem para nos roubar a alegria. Só somos livres na medida em que obedecemos a Deus. Um pianista só arranca do piano acordes sonoros quando toca de acordo com as notas musicais. Quando cumprimos as leis de Deus, somos livres, e não escravos. Agostinho disse que, quanto mais escravos de Cristo nós somos, mais livres nos sentimos. Quando obedecemos aos princípios de Deus, trilhamos as veredas da liberdade e encontramos a verdadeira felicidade.

A infidelidade conjugal é traição, apostasia do amor, quebra da aliança, ingratidão consumada, violência indescritível contra o cônjuge. A Bíblia nos ensina alguns princípios essenciais sobre a fidelidade conjugal:

A fidelidade conjugal é um caminho estabelecido pelo próprio Deus (G 2.24) Deus instituiu o casamento com leis claras e balizas definidas.

Em primeiro lugar, o casamento é heterossexual. Deus criou um homem e uma mulher. A união homossexual é uma aberração e uma abominação aos olhos de Deus. Em segundo lugar, o casamento é monogâmico. Deus não criou várias mulheres para um só homem (poligenia), nem vários homens para uma só mulher (poliandria). No coração do homem, não há espaço para amar mais de uma mulher. Salomão tinha mil mulheres e, dentre elas, não encontrou nenhuma, porque no seu coração só havia espaço para amar uma mulher.

Em terceiro lugar, o casamento é monossomático. Os dois (homem e mulher), por meio do casamento, tornam-se uma só carne. O sexo antes e fora do casamento é perversão do amor, mas, no casamento, uma ordenança (1Co 7.3-5). O sexo fora do casamento é um sinal de decadência moral, mas, no casamento, é seguro, santo e puro. A Bíblia diz que digno de honra entre todos seja o matrimônio e o leito sem mácula (Hb 13.4). O sexo no casamento é uma fonte de prazer, além de ser o instrumento estabelecido por Deus para a procriação da raça (Pv 5.15-19).

Finalmente, o casamento é indissolúvel. As Escrituras dizem: “O que Deus uniu, não o separe o homem” (Mt 19.6). Nenhum ser humano tem competência para anular uma relação conjugal. O casamento, aos olhos de Deus, é indissolúvel. Por isso, Deus odeia o divórcio (Ml 2.14). Esses parâmetros revelam que a fidelidade conjugal, muito antes de ser uma convenção social, é um princípio vital e imutável do próprio Deus.

 

A fidelidade conjugal é um caminho traçado antecipadamente pelos cônjuges (Ct 6.3)

 

O amor fiel é declarado intimamente e demonstrado publicamente. Todo casal precisa dize: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. A fidelidade conjugal é uma decisão que toma com consciência, com liberdade, com antecedência, movido pelo amor. Não se pode deixar para decidir sobre essa magna questão quando se está sendo tentado pela sedução. Ninguém é forte o suficiente para lidar com as paixões. A Bíblia nos manda resistir ao diabo, mas nos ordena a fugir das paixões da carne. Ser forte é fugir como José do Egito fugiu. Ele fugiu porque aquela era uma questão já decidida em seu coração. Um cônjuge fiel evita os lugares escorregadios da sedução, foge dos ambientes lodosos e insidiosos para os pés e tapa os ouvidos para as vozes melífluas e tentadoras que convidam para o pecado. A fidelidade não acontece sem vigilância. A fidelidade não é produto do acaso, mas de uma renúncia constante aos apelos da sedução e um investimento constante na vida do cônjuge. O casamento não precisa nem pode ser um campo seco e sem vida. Ele precisa ser um jardim engrinaldado de flores, um pomar luxuriante de frutos excelentes, um manancial de vida exuberante. Amar é cultivar o romantismo, investir no cônjuge, buscar a felicidade dele e fazer do casamento não o cenário cinzento de uma vida monótona e marcada pela rotina, mas um lugar de vida plena, radiante e cheia de sublimes conquistas.

 

A fidelidade conjugal é um caminho seguro para um casamento saudável (Ct 4.12,15)

 

Não há casamento seguro, saudável e feliz onde não existe fidelidade conjugal. A infidelidade é uma das formas mais dolorosas de traição. Trair o cônjuge é apunhalá-lo pelas costas. Trair o cônjuge é pisar com escárnio os votos assumidos. Trair o cônjuge é pecar contra Deus, que instituiu o casamento. É pecar contra o cônjuge, com quem um dia se fez uma aliança de amor. É pecar contra a família, que se sente envergonhada e agredida. É pecar contra os filhos, que se sentem inseguros e aturdidos pela loucura dos pais. É pecar contra si mesmo, pois quem comete adultério peca contra o próprio corpo. A fidelidade é o caminho mais seguro para uma vida emocional equilibrada e uma vida conjugal saudável. Ser fiel é o compromisso de viver um para o outro. É buscar a felicidade do cônjuge, mais do que a satisfação de caprichos pessoais.

 

A fidelidade conjugal é um caminho para a proteção dos cônjuges dos terríveis inimigos (Ml 2.14-16)

 

A aventura amorosa fora do casamento é um atentado terrorista contra o casamento e contra a família. Flertar com o pecado e abrir os portões do coração para aventuras extraconjugais são um risco fatal. O pecado do adultério, embora pareça doce ao paladar, é amargo ao estômago. Alguém já disse que as maçãs do diabo são bonitas, mas todas têm bicho. O romance fora do casamento é como uma fagulha que incendeia e destrói a vida, o casamento e a família. Por mais que o mundo pós-moderno incentive e encare com normalidade a infidelidade conjugal, ela sempre traz em sua bagagem uma herança inglória. Muitas lágrimas, muitos soluços, muitos traumas, muita dor, muita perda têm sido a desditosa recompensa daqueles que sucumbem à sedução do sexo fora do casamento. A Bíblia diz que quem zomba do pecado é louco. “O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal cousa” (Pv 6.32). A infidelidade conjugal está se tornando cada vez mais comum e aceita pela sociedade. A paixão e a volúpia estão tomando o lugar do verdadeiro amor. A palavra empenhada e a aliança firmada estão sendo abandonadas com descaso. O casamento está sendo bombardeado com arsenal pesado. É tempo de alçarmos a nossa voz e dizer que a fidelidade conjugal é o único meio de fazer do casamento um manancial recluso e uma fonte selada.

 

A fidelidade conjugal é um caminho para se cultivar um amor sincero e profundo (Ct 4.12)

 

Quem ama, confia. Quem ama, respeita. Quem ama, devota-se à pessoa amada. O cônjuge precisa ser um manancial recluso e uma fonte selada (Ct 4.12). A mulher precisa proclamar com segurança: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu” (Ct 6.3). Não há amor verdadeiro onde não há sentimento do “pertencimento”. Onde não há fidelidade, em vez de crescer o amor, floresce a mágoa. Onde há traição, em vez de alegria, reina o choro. A infidelidade conjugal é o solo onde cresce a erva daninha da amargura. A infidelidade conjugal é a principal causa de divórcios traumáticos. Ela é a grande causadora de famílias destroçadas e filhos traumatizados. A infidelidade conjugal é um engodo, uma farsa e um embuste. Ela promete aventura e termina com vergonha e opróbrio. Ela promete felicidade e deixa os seus protagonistas em frangalhos nos corredores da morte. Somente o temor do Senhor, o compromisso da fidelidade e o amor altruísta podem livrar os cônjuges da sedução, das propostas fáceis, das ofertas tentadoras e do fracasso do adultério. O pecado é uma fraude. Ele oferece um momento de prazer e uma vida de tormento. A cama do adultério pode ser macia e cheia de encantos, mas deixa espinhos no coração, peso na consciência e tormentos na alma.

 

A fidelidade conjugal é o caminho para uma velhice ditosa (Sl 128.3-6)

 

Muitos casais que começaram bem a jornada da vida conjugal caíram no pântano lodacento do adultério. Embora alguns sejam perdoados pelos cônjuges, não conseguem tirar as farpas do coração, nem as cicatrizes da alma. Muitos casais que serviram de referencial e modelo para os mais jovens estão hoje cobertos de opróbrio, porque deixaram de vigiar e tropeçaram nas próprias balizas que lhes indicavam o caminho. Muitos homens e mulheres envelhecem com amargura porque nunca conseguiram apagar da memória a dor lancinante da traição. Muitos homens e mulheres perderam a autoridade de ensinar e exortar os filhos na área do sexo, porque se sentem desqualificados pelos seus fracassos nessa área. Depois que o rei Davi adulterou com Bate-Seba, nunca mais conseguiu corrigir seus filhos. A culpa latente no seu coração o impediu de exercer com plenitude o seu ministério paternal. A fidelidade conjugal é o melhor preventivo contra o veneno que tenta asfixiar o casamento; é o melhor escudo contra os torpedos que são lançados contra a família. Somente um casal fiel saboreia os doces frutos de um amor sem reservas e lega aos filhos um exemplo digno de ser imitado. A santidade no casamento é o melhor ingrediente para uma família unida.

 

Pr. Hernandes Dias Lopes

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