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“Fui molestada, mas em Cristo venci”

Na semana da Mulher o Lagoinha.com apresenta a vocês o especial “Vencedoras”. Serão contadas histórias de cinco mulheres que venceram em diferentes áreas da vida e hoje relatam o testemunho para Glória de Deus.

“Não recordo muito bem a idade que comecei a ser molestada. Acredito que a agressão tenha iniciado quando tinha de 5 a 6 anos de idade. O agressor trabalhava como pedreiro e fazia uma pequena obra na minha casa. Meus pais trabalhavam como camelôs e, por isso, me deixavam sozinha. Foi então que começou o abuso. Geralmente os molestadores são pessoas do convívio familiar e, por esse motivo os pais nem suspeitam. Ele era uma pessoa que minha família confiava. Meu pai trabalhava com estátuas de gesso, e esse primeiro molestador quando não estava em casa fazendo o trabalho de pedreiro, auxiliava com os trabalhos artesanais que meu pai fazia para vender nas feiras. Pela proximidade, a agressão durou algum tempo.

Essa foi a primeira vez que fui molestada. E o estranho é que parece que é algo espiritual, porque esse caso foi apenas o início de uma longa história. Depois desse período ele foi embora. Recordo que sentia medo e repulsa, mas não compreendia muito bem o que estava acontecendo. Depois disso, havia próximo à minha casa um lugar onde um senhor consertava bicicletas. Nessa época tinha oito anos. Lembro que frequentava o pequeno comércio e o dono me dava balas e dinheiro. Ele me dizia: “Se você fizer isso, eu te dou isso”. Como eu queria a bala fazia o que ele me pedia.

No mesmo período passei a ser molestada por outro amigo da família. Em um dos dias da semana meus pais jogavam baralhos com amigos e conhecidos. E em meio ao grupo de jogadores, havia um deles que começou a ir à minha casa quando meus pais não estavam. Na época tinha aproximadamente 11 anos. Ele me pedia para sentar no colo e fazer ações parecidas com essas.

Como já estava entrando na adolescência comecei a sentir desejo o que piorou ainda mais a minha situação. Como já compreendia um pouco o que estava acontecendo, passei a me sentir culpada. Pensava assim: “O erro está em mim, porque sou eu que vou atrás”, “É essa vida que mereço”. O diabo sempre distorce as coisas, era uma criança, mas me sentia a culpada da história.

Depois desses três abusos, mudei para outro bairro. Quando minha família decidiu mudar já estava com 12 anos. Havia um sapateiro em frente a nossa nova casa. Em um belo dia, levei um sapato para consertar e a história se repetiu. Assim como o último ele fazia trocas comigo. Para me acariciar, ele dava dinheiro ou doces. Sentia muito nojo de mim e deles.

Hoje compreendo que estava me prostituindo. E minha vida passou a ser assim. Escolhia os homens com quem ficaria e a cada dia estava com uma pessoa diferente. Pensava comigo mesma: “Nenhum homem mandará em mim”. Usava o meu corpo para alcançar o que queria. Não queria me apegar a ninguém. Havia decidido que faria os homens sofrerem. Dentro de mim, era como se estivesse me vingando de tudo que havia sofrido durante a minha vida. Ninguém sabia o que estava acontecendo comigo, nem os meus melhores amigos. Guardava tudo para mim.

Mesmo em meio há tantos erros, não havia remorso no meu coração. Era como se houvesse colocado uma pedra em todos os sentimentos que me deixavam com a sensação de culpa. Geralmente os molestadores diziam para mim para não contar nada a ninguém, porque caso dissesse algo eles diriam que a culpa era minha. Então, a gente cresce debaixo de opressão, achando que somos os culpados. Por isso, havia decidido fingir que não havia nada acontecendo.

Aos 15 comecei a namorar um rapaz e o melhor amigo dele era namorado da minha prima. O namorado dela ficava insistindo para ficar comigo. Resisti no começo, mas com o tempo cedi e foi a primeira vez que tive relação sexual, porque nos últimos casos não havia tido relação. Não havia um motivo para trair meu namorado, mas por dentro queria fazê-lo sofrer. O sentimento de vingança sempre me perseguia. Então, o rapaz contou para minha prima e ela falou sobre a situação com toda a minha família.

Meus familiares se reuniram para conversar comigo sobre o fato. Era como se eu estivesse em um tribunal sendo julgada pela minha casa. Então perguntei ao meu pai: “Você me perdoa pelo que eu fiz?” “ele respondeu: “Eu te perdoo, porque eu te amo”. Foi difícil para mim aceitar essa resposta, porque queria ser condenada pelos atos que havia cometido. Na minha concepção tinha que ser punida.

Conhecendo Jesus

Os dias se passaram e um amigo me fez um convite para ir a Igreja Batista da Lagoinha. Quando chegamos ao culto, comecei a ouvir os louvores. Senti meu coração queimar. Havia algo diferente no local e ao final da pregação fizeram o apelo e aceitei Jesus. Entreguei a minha vida a Cristo, mas era religiosa. Não tinha um relacionamento com o Espírito Santo, só vivia das experiências das outras pessoas.

Então comecei a namorar um rapaz da igreja. Ele havia nascido em lar cristão e nunca tinha tido relação sexual. Tenho consciência que o levei para o “mau caminho”. Tivemos um relacionamento totalmente errado e todas as vezes que tínhamos relação sexual, me achava um lixo. Sentia que estava sendo novamente usada. Namoramos e casamos quando completei 21 anos. Achava que estava tudo resolvido, mas não estava. Escondia todo o meu passado comigo e ninguém sabia da minha história.

Em uma determinada noite, comecei a assistir ao Congresso de Louvor do Diante do Trono e dessa vez fui sincera com Deus. Falei tudo que estava fazendo e como me sentia. A partir da minha oração, começou o tratamento de Deus em minha vida, porque tudo que havia vivido estava escondido em um lugar que nem mesmo eu sabia.

Ao falar sobre o meu passado para Deus, comecei a sentir muita dor no meu coração, mas fingia que estava tudo bem. Já tinha cinco anos de casada e não sabia como lidar com todos aqueles sentimentos. Foi então que, um dia comecei a sentir dores fortes na cabeça. Fui ao médico e quando ele olhou para mim, disse que eu estava com depressão. O doutor me passou uma série de remédios, mas rejeitei todos os medicamentos.

Passei a ter medo de dormir, e tomava banho repetidas vezes. Acabava de sair do banheiro e voltava para o banho. Era como se quisesse lavar a sujeira que havia dentro de mim. Veio à minha compreensão de que precisava urgentemente de Deus. SE Ele não pudesse me ajudar ninguém mais poderia, porque estava com as pessoas que amava, tinha uma igreja, um bom trabalho, mas ainda assim me sentia mal. Passei a ler a Bíblia e orar a Palavra. Lia livros da Joyce Meyer, ouvia ministrações da Ludmila Ferber e buscava o Senhor.

Durante esse período de busca, resolvi ir à Conferência do Espírito Santo da Lagoinha realizada em 2007. Decidi que não sairia da mesma maneira. Via que as pessoas estavam tão cheias de Deus. Fui para debaixo do banco e desabei em lágrimas. Pensei; “agora sou eu e Deus”. Então fui batizada com o Espírito Santo. Foi algo maravilhoso. Não conseguia falar nada em português. Sai dali consciente que Deus havia me ouvido.

Depois fiz o seminário teológico Carisma e comecei a receber de Deus e da Palavra que liberta. Decidi perdoar cada uma das pessoas que me molestaram. Hoje, recordo de tudo sem sentir mágoa de ninguém. O Senhor colocado perto de mim pessoas que passaram pela mesma situação e posso auxiliá-las na Palavra e no amor de Deus. Caminho junto com meu esposo no ministério e servimos ao Senhor como família. Posso dizer abertamente: “Fui molestada, mas venci em Cristo”.

::Maria da graça*

*Para proteger a identidade da entrevistada, substituímos o nome verdadeiro e as imagens  por uma identidade fictícia.

Texto: Érica Fernandes