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Cristão e Política: Muralha contra tsunami

Foto: pixabay.com

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No Japão, na região de Kamaishi, foi construído um grande muro, que demorou três décadas para ficar pronto, a um custo de US$1,6 bilhões (mais de R$5 bilhões), para impedir desastres ocasionados por tsunamis, porém desmoronou justamente durante o tsunami de 2011 e deixou a cidade totalmente sem defesas.

Nas últimas semanas vimos diversas manobras políticas do atual Presidente da República, Michel Temer, para evitar que a denúncia sobre o crime de corrupção passiva, por supostamente ser o destinatário da mala com R$500 mil repassados pela JBS a Loures, fosse recebida na Câmara dos Deputados.

Apesar de nosso país estar passando por um período crítico financeiro, com o Real desvalorizado, fazendo com que o suado salário não chegue até o final do mês, inclusive, com uma dívida crescente tanto do Estado quanto do povo; tempo em que recursos para investimentos estruturais do nosso país são escassos, e a instabilidade política gera desconfiança nos possíveis investidores internacionais, é nesse momento que Michel Temer resolve raspar as reservas públicas para garantir sua permanência no poder. Espalhou R$ 529 milhões para emendas parlamentares (dinheiro para Deputados garantirem suas reeleições no próximo ano), realizou 25 trocas de deputados na Comissão de Constituição e Justiça, para garantir a aprovação do relatório contra sua denúncia e concedeu benefícios fiscais para a bancada ruralista, que acarretará na diminuição da arrecadação em bilhões de reais.

Sem julgar o mérito da culpa ou não do presidente, aqui o que se pretende é analisar a atitude de nosso representante maior, frente a uma possibilidade de perder seu posto. No lugar de enfrentar a tempestade, decide usar seu poder e o dinheiro do povo para conter os ventos e grandes ondas.

Como é fácil jogar uma pedra, mas como é difícil se render a Cristo. De certa forma, a todos nós são concedidos poder e influência. Talvez não sobre toda uma nação, como o de Temer, mas temos autoridade sobre nossa família, nossos funcionários, nossa célula, nosso salário. Temos responsabilidade sobre nosso próximo, nossas finanças, dívidas, clientes, fornecedores, até mesmo sobre nossos chefes.

Como está sendo nossa atitude frente às dificuldades que estamos enfrentando? Resolvemos usar nosso “poder” e autoridade para benefício próprio? Negligenciamos nosso chamado para satisfazer prazeres passageiros? Frente à tempestade, estamos usando todos os nossos recursos para simplesmente evitá-la?

Todavia, quando a tempestade vier, devemos sempre lembrar que nosso Mestre andou sobre as águas! Para que “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.16).

Melhor do que construir muros para evitar tsunamis, talvez devamos “construir nossas casas em lugares mais altos”.

:: Gil Souza [Grupo de Ação Política da Lagoinha]