Dinâmica: Divida a Célula em dois grupos (um de defesa e outro de oposição ao namoro na adolescência) e faça debates. O objetivo é fazer com que os adolescentes entendam os motivos de não namorar nesta fase da vida, e ainda o que é bom para a caminhada cristã. Não pretende-se com isso mostrar algo como apenas uma regra da Rede de Adolescentes, mas os ensinamentos do Senhor a respeito desse assunto. É importante que o líder saiba explicar bem esse aparente impedimento, a fim de que os adolescentes não saiam com mais dúvidas. O líder também precisa ser o mediador do debate, levando os adolescentes a discutirem o assunto de forma saudável.

Introdução: Vivemos num mundo em que os adolescentes “ficam”, namoram e não estão “nem aí”. Muitos ou quase todos não respeitam a opinião dos pais. Bem, já que quase todos adolescentes são assim, começam a surgir várias perguntas e questionamentos. Por que não namorar? É pecado namorar na adolescência? Por que não posso namorar a pessoa que eu amo? Algumas igrejas não falam nada contra namoro na adolescência, e aí? Por que não pode já que tenho a bênção dos pais e em praticamente todo o mundo os adolescentes namoram?

Desenvolvimento: Diante de tantas perguntas e questionamentos, precisamos entender algumas coisas importantes sobre o namoro. Vejamos:

O que é o namoro? O namoro é uma instituição de relacionamento interpessoal não moderna, que tem como função a experimentação sentimental entre duas pessoas pela troca de conhecimentos e uma vivência com um grau de comprometimento inferior ao do matrimônio. A maioria utiliza o namoro como pré-condição para o estabelecimento de um noivado ou casamento. (Fonte: wikipedia.org)

O que a Bíblia fala sobre o namoro? A Bíblia não fala nada sobre o namoro. Principalmente, porque o namoro é um costume ocidental. O que se tem de informação sobre namoro está na tradição hebraica. Segundo ela, se não fosse possível que seus pais escolhessem o cônjuge de seu filho, o que era preferencial, e fosse necessário que ele mesmo fizesse a escolha, a ele só seria lícito comprometer-se em noivado com a moça, ou seja, prometer-se a ela por meio dos pais da moça. A conversa não podia ser direta com a “pretendida”, mas sim com os pais dela. Nesse compromisso, qualquer envolvimento sexual ou afetivo com outra mulher, que não a noiva, já implicava em traição. Mas também não era permitido qualquer contato sexual em nenhuma intensidade com a noiva. Em alguns casos nem sequer o desenvolvimento de uma amizade, pois até esta deveria acontecer apenas no casamento. (Fonte: wikipedia.org)

Como era o namoro? Antigamente não existia o namoro e sim a “corte”. O rapaz cortejava a moça. Isso era feito da seguinte forma: era estipulado um horário para o rapaz visitar a moça. Essa visita acontecia numa sala de visitas bem iluminada e o casal permanecia a 50 centímetros de distância no sofá, a mãe da jovem ficava vigilante na sala, fazendo “tricô”. Quando davam nove horas, a mãe começava a tossir impacientemente para que o pretendente percebesse que era hora de ir embora. O namoro mais moderno, no qual os casais saiam sem a companhia de uma terceira pessoa, surgiu por volta da década de 20, nos centros urbanos. A partir daí ele foi se tornando mais liberal até chegar aos dias atuais, quando foi substituído pelo “ficar” (um encontro casual em que duas pessoas trocam certas intimidades durante determinado momento e depois não se veem mais). Fonte: www.brasilescola.com

Por que não na adolescência? O primeiro argumento que quero destacar é que a adolescência é caracterizada pela instabilidade – altos e baixos, amores e ódio, admiração e desprezo –, e também pela mudança no conhecimento do corpo – os hormônios estão à flor da pele, “pulando” –. Tudo isso é muito difícil de dominar. Sendo assim, firmar um relacionamento com compromisso (namoro) que não implique em defraudação (gerar no outro um sentimento que você não pode suprir) é impossível. O namoro na adolescência não é um conhecimento de alma, mas sim o conhecimento do corpo, o que não é muito diferente de ficar, já que o casal não tem o objetivo de ter um relacionamento em santidade, e sim de conhecer o corpo do outro. Apesar de alguns dizerem ter esse primeiro objetivo, com o tempo do namoro essa ideia  vai por “água a baixo.”

O segundo argumento importante é que o namoro cristão deve ser um compromisso sério estabelecido pelo casal, o qual vise o respeito à pessoa e à família, o conhecimento da alma – saber quem é a pessoa, quais são os seus sonhos, planos e projetos –, tendo como objetivo o casamento.  O namoro cristão deve ser um momento de conhecerem a alma um do outro tanto quanto puderem, uma fase em que ambos sejam verdadeiramente transparentes. Portanto, o namoro cristão deve ser um relacionamento em santidade.

“Mas como namorar na adolescência visando o casamento? Não tenho condição financeira para isso, nem sei o que vou ser da vida direito? Como pensar em casamento se nem sei qual profissão vou seguir? Se não sei o que vou fazer da vida, para quê vou assumir um compromisso tão sério que é o namoro cristão?”  E mais, se o objetivo do namoro cristão é o casamento, e não uma experiência que, “se der certo deu, se não, fazer o que?” Não dá para acreditar que um adolescente normal possa aguentar namorar tanto tempo sem pecar (colocar a mão onde não deve, ir para cama, gravidez precoce). Imagine dois adolescentes que começam namorar com 13 anos, com quantos vão se casar?

Terceiro argumento é que você está em uma fase de transição! Na transição você está passando de um momento para outro e em meio a essa turbulência é difícil se dedicar ao outro. Não é tão complicado conciliar os estudos, família, igreja e ministérios? Imagine encaixar na sua agenda um namoro? Muitos afirmam que têm condição de namorar e fazer tudo igual aos seus amigos solteiros, porém conhecemos diversas experiências de que isso não acontece. O período da adolescência é precioso e é a base para uma fase adulta estável e tranquila. Quando se preocupa com namoro, normalmente o casal se isola, perde o tempo de estar com os amigos, jogar futebol, praticar esportes e ter amizades saudáveis. Existem muitos casos de pessoas que se casaram após longo tempo de namoro na adolescência, e, após terem se casado, quiseram curtir a vida que não tiveram na adolescência, trazendo, assim, vários problemas para o casamento.

O quarto argumento para não namorar na adolescência é que o namoro estimula muito cedo a intimidade. Normalmente o casal quer ficar sozinho. E, como muitos adolescentes e alguns nem isso fazem, tornam-se frequentes esses encontros a sós, e aí acabam tendo oportunidade de ser estimulados ao sexo pela TV, pelos “amigos” ou “amigas”, ficam com a mente vazia, e, como consequência disso, tendo mais momentos juntos. Alguns já começam a enganar os pais e acabam tendo relacionamento sexual antes de casarem. Pecam contra Deus. O sexo é só para o casamento! Quando Deus fez o homem e a mulher, diz em Gênesis2.4 a17 e18 a25, no verso 24, que na união do casal, os dois viram uma só carne. Portanto, a união sexual não é só uma união de corpo, mas também de alma. Então, quando alguém tem uma relação sexual com outro, suas almas ficam ligadas. Isso acaba acarretando sérios problemas emocionais. Além disso, existe o risco das doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce, que tem um alto índice entre os adolescentes. Essa gravidez pode acabar gerando o aborto ou sendo uma gravidez indesejada, causar problemas emocionais à criança etc. Você mesmo pode montar uma lista de complicações que pode acontecer.

O quinto argumento está em 1 Coríntios 13.4 a10. Esse texto apresenta várias definições sobre o que é verdadeiramente amar. Quero destacar algumas. “O amor é paciente, tudo suporta, tudo crê, tudo espera, não arde em ciúme, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus próprios interesses, o amor jamais acaba.” Depois dessa série de definições que Paulo dá sobre o amor, discuta com sua Célula se namorar na adolescência é verdadeiramente amar ou só meramente paixão (acaba rápido). “O amor não é um sentimento (paixão) e sim, em primeiro lugar, um compromisso.”

O sexto argumento está em Eclesiastes 3.1-20. O texto diz que há tempo para todas as coisas, e não há nada melhor do que desfrutar de algo no tempo ideal. Até a lei determina uma idade para o indivíduo exercer certas atividades como exército, emprego fixo, responder pelos próprios atos, pois até então o indivíduo é considerado menor e existe alguém que é responsável por ele. Na adolescência você ainda não é responsável legalmente pelos seus atos! Muitas vezes queremos antecipar as coisas na nossa vida. Espere o tempo certo e desfrute o melhor de Deus para sua vida.

Outra coisa importante sobre namoro de adolescente é que alguns adolescentes se apaixonam por um ímpio (não crente), e começam um relacionamento e acham que isso não tem nada haver ou que a pessoa vai converter. Em 2 Coríntios 6.14 diz: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” Além disso, existem vários textos no Antigo Testamento que mostram Deus condenando a união do povo de Israel com o povo cananeu.

Conclusão: Depois de termos estudado sobre namoro qual é a conclusão que você, adolescente, chegou? Discuta com a sua Célula. Nosso desejo é que todos vocês tenham entendido bem o que estudamos, que o namoro na adolescência não é proibido pela Rede de Adolescente, mas porque vocês têm um compromisso com Deus, de entrega dessa fase da vida a Ele, este deve ser o tempo para que vocês desfrutem bastante de suas amizades, de seus estudos, de seu ministério e de sua comunhão com Deus. Lembrem-se: Namoro de adolescente não presta!

 

:: Pr. Bruno Bacelar