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Não celebre o mal

Foto: unsplash.com

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No dia da morte do líder cubano Fidel Castro, houve festa em Miami. Semelhantemente, aqui no Brasil, muitos se alegraram com a doença e o falecimento da ex-primeira dama Marisa Letícia. Esse tipo de atitude demonstra frieza, crueldade e desejo de vingança.

Acima de qualquer divergência ideológica ou de outro tipo está o valor da pessoa humana. Respeito e solidariedade diante do luto é o mínimo que se espera de pessoas sensatas e principalmente dos cristãos. Vejamos o que a Bíblia nos ensina sobre esse tema:

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira”. (Pv 24.17-18)

Os edomitas, descendentes de Esaú, foram amaldiçoados porque alegraram-se quando os israelitas, descendentes de Jacó, foram dominados pela Babilônia. O antigo ressentimento transformou-se em mórbida alegria.

“Mas tu não devias olhar com prazer para o dia da desgraça de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia; nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; sim, tu não devias olhar satisfeito o seu mal, no dia da sua aflição; nem lançar mão dos seus bens, no dia da sua calamidade; nem parar nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem entregar os que lhe restassem, no dia da angústia”. (Ob 1.12-14)

Ainda que Deus mate o ímpio, isso não lhe traz prazer (Ez 18.23). Deus não é sádico. Nós também não devemos ser. Ainda que alguém seja culpado e mereça punição (Deus é quem sabe), nunca devemos comemorar seu infortúnio, sua desgraça ou sua morte. Numa situação assim, calar-se é a melhor atitude.

A alegria com o sofrimento alheio revela o mal em nosso caráter. Se não comemoramos, mas silenciosamente nos deliciamos com a má notícia, isso indica que o pecado ainda nos domina.

O fracasso do próximo deve servir como advertência para cada um de nós, pois também somos falhos e frágeis (Gl 6.1). “Aquele, pois, que cuida estar em pé olhe para que não caia” (1Co 10.12).

No tribunal de Cristo, somos todos réus. Um só é o Juiz universal e todos dependem da Sua misericórdia. Quanto ao mais, lembremo-nos das palavras de Paulo: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram” (Rm 12.15).

:: Pr. Anísio Renato de Andrade