5 Comentários

Oremos pela Líbia

A Igreja e a Perseguição Religiosa

A Igreja

CristaosO cristianismo possui raízes antigas na Líbia. Os primeiros cristãos de Cirenaica (Líbia) datam do primeiro século da era cristã, como descrito no versículo do livro bíblico de Atos 2.10. Havia em Cirene muitos judeus, que formaram o núcleo da igreja cristã líbia em seus primeiros anos de vida. Mas a fraca evangelização inicial, em conjunto com o enfraquecimento causado pelo cisma donatista* , deixou o país à mercê do avanço islâmico no século VII. O cristianismo foi praticamente eliminado e, atualmente, há apenas alguns milhares de cristãos líbios, a maioria constituída de trabalhadores estrangeiros.

Os líbios são um dos grupos menos alcançados pelo evangelho. A maior parte dos líbios da etnia árabe não sabe em que os cristãos realmente creem. Por causa de suas fortes raízes muçulmanas, não considerariam a mensagem do evangelho como algo dirigido a eles.

*A seita donatista: assim como o Novacionismo, fundado pelo Antipapa Novaciano no século III,[2] os donatistas eram rigorosos e sustentavam que a Igreja não devia perdoar e admitir pecadores, e que os sacramentos, como o batismo, administrados pelos traditores (cristãos que negaram sua fé durante a perseguição de Diocleciano em 303-305 e posteriormente foram perdoados e readmitidos na Igreja), eram inválidos[1]. O Cisma Donatista foi uma divisão que ocorreu na igreja de Cartago devido a questões de sucessão em seu bispado. Aqueles que eram contrários à eleição de Ceciliano ao bispado de Cartago escolheram Donato de Casa Nigra como seu novo bispo, o que gerou um cisma na Igreja.

A Perseguição

A perseguição enfrentada pela igreja líbia não é fruto da modernidade ou pós-modernidade, sempre fez parte de sua história. De acordo com Atos 11.19-20, devido à forte perseguição que enfrentavam, os cristãos cireneus foram dispersos, levando o evangelho a Antioquia e aos gregos.

Atualmente nenhuma forma de evangelismo ou trabalho missionário é permitida. Apenas os estrangeiros podem se reunir, contudo são monitorados. Assim, os líbios não participam desses cultos por medo de ser vigiados, delatados, presos e até mesmo assassinados.

Ainda que a Líbia seja um Estado laico, seus líderes prestam grande respeito ao islamismo, conferindo-lhe papel ideológico na sociedade. O governo exige respeito às normas e tradições muçulmanas e a submissão de todas as leis à sharia (lei islâmica).

O governo proíbe a conversão de muçulmanos e, por isso, a atividade missionária. Ele também exige que todos os cidadãos sejam muçulmanos sunitas “por definição”. Há organizações secretas e redes de espiões que monitoram possíveis rebeldes e também os estrangeiros. Essa situação faz com que seja praticamente impossível evangelizar na Líbia. As pessoas raramente são perturbadas por causa de suas práticas religiosas, a menos que tais práticas sejam percebidas como tendo dimensão ou motivação política. O governo controla e restringe toda atividade política, monitorando também a literatura religiosa, inclusive a islâmica, publicada ou importada ao país.

A importação das Sagradas Escrituras em árabe ainda é estritamente controlada. É proibido evangelizar muçulmanos. Os muçulmanos que se convertem são sujeitos à pressão e ostracismo social. Muitos deles consideram a possibilidade de abandonar sua pátria. Em fevereiro de 2006, uma igreja e um convento católicos da cidade de Benghazi foram roubados e incendiados. O bispo e as freiras ficaram em Trípoli durante algumas semanas, até que os prédios fossem restaurados.

Resta saber se, após a queda do regime de Muamar Kadafi, os cristãos líbios terão ou não mais liberdade de cultuar a Deus e compartilhar de sua fé com outros líbios. O líder dos rebeldes líbios, Mustafa Jalil, disse em seu primeiro discurso para o povo líbio, após a queda do ditador Kadafi, que “a sharia (lei islâmica) deve ser a orientadora e principal base da legislação da Líbia de agora em diante”. Tal posicionamento demonstra que a situação dos cristãos pode não mudar em nada ou piorar.

Fotos: Internet

:: Portas Abertas