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Povos indígenas do Brasil: passado, presente e futuro

Foto: Internet

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Museus são fascinantes. Além de preservarem as grandes obras de arte da humanidade e colocá-las em exposição para servir de inspiração para as gerações posteriores, também são excelentes para preservar e ensinar nossa história. As vestes imperiais usadas por Dom Pedro I, a caneta com a qual a princesa Isabel assinou a Lei Áurea (da abolição da escravatura), o sabre usado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, as joias da família imperial, as ferramentas de trabalho do Tiradentes. Todas essas são relíquias do nosso passado que estão preservadas e expostas em museus. Sabe o que não está nessa lista? Os povos indígenas do Brasil.

Sim, eles fazem parte de nossa história. Muito antes de Pedro Álvares Cabral chegar aqui com as suas caravelas, diversos povos habitavam as nossas terras. Seus relacionamentos, nem sempre amigáveis, com os europeus que vieram para cá determinaram muito do curso da nossa história. As culturas indígenas influenciaram a formação da identidade e da cultura brasileira e até hoje a sua influência é notória. Porém, os indígenas do Brasil não são relíquias do passado.

Hoje, existem mais de 600 mil indígenas, de 340 etnias distintas, habitando em solo brasileiro¹. Ainda que a nossa sociedade não dê o devido valor a esses povos, o seu Criador os ama. Deus os amou de tal maneira que enviou o seu próprio Filho para morrer por eles. Cristo os ama tanto que se recusa a voltar até que eles também tenham sido alcançados pela mensagem do Evangelho.

“E este Evangelho do Reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14 – grifo do autor). Embora normalmente pensemos em nações como divisões políticas e geográficas, a palavra grega usada por Mateus aqui (ethnos) é muito mais abrangente. Poderia ser traduzida também como “povo, tribo ou raça”². O fim não virá enquanto todas as etnias do mundo, inclusive as 340 etnias indígenas brasileiras, não ouvirem a mensagem do Evangelho. Cristo não voltará enquanto a Igreja não cumprir a sua missão aqui na terra.

Enquanto Igreja de Cristo no Brasil precisamos aproveitar o dia de hoje (9 de agosto), no qual celebramos o Dia Internacional dos Povos Indígenas, para nos lembrarmos de que eles são alvos do amor de Deus e parte do nosso desafio missionário. A maior parte deles, infelizmente, ainda pode ser listado entre os povos não alcançados pelo Evangelho³. Precisamos orar, pedindo ao Senhor da seara que levante mais trabalhadores para levar as boas novas aos indígenas (Mateus 9.38). Precisamos nos posicionar e decidir obedecer à ordem que Ele mesmo nos deu e que, depois de dois milênios, ainda não foi cumprida (Mateus 28.194).

A boa notícia é que, ainda que o desafio seja grande e muitos tenham se esquecido deles, Deus não se esqueceu. Ele tem agido no meio dos povos indígenas. Prova disso é o CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) que a cada ano se reúne em lugares diferentes do Brasil e tem crescido de forma impressionante5. Deus tem usado líderes indígenas, capacitados pelo Espírito Santo, para levar o Evangelho para os seus parentes e para outras etnias diferentes. Seminários voltados especificamente para a capacitação de obreiros indígenas estão surgindo. Mais de 500 líderes indígenas já passaram por treinamentos assim6.

Temos certeza de que Deus está agindo entre eles – não somente por causa dos números e dos testemunhos, mas porque sabemos que no último dia haverá “uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro, trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos” (Apocalipse 7.9 – grifo do autor). Os povos indígenas do Brasil não fazem parte somente do nosso passado e presente. Eles estarão ao nosso lado, por toda eternidade, diante do trono de Deus, louvando Àquele que é digno de receber toda a adoração de todos os povos da terra. A Ele seja a Glória para sempre. Maranata!

Notas:

1 – Informações extraídas do Relatório Indígenas do Brasil 2010, do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras. Disponível no site: http://www.indigena.org.br/

2 – STRONG, James, Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible. In: E-sword: para sistema operacional Windows. Disponível em: http:www.e-sword.net

3 – Não é fácil definir quais povos podem ser classificados como alcançados, principalmente por não haver um consenso sobre a classificação. Partindo de uma das definições mais aceitas, que povos alcançados são aqueles que possuem uma igreja forte o suficiente para terminar de evangelizar o seu próprio povo, apenas 51 das 340 etnias indígenas poderiam ser consideradas alcançadas, pois somente 51 possuem igrejas indígenas com liderança própria, segundo o Relatório do DAI-AMTB (citado no item 1).

4 – “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações…”(grifo do autor). Mateus usa novamente a palavra ethnos.

5 – 1.690 indígenas evangélicos participaram do CONPLEI em 2006/2007 e 2.350 em 2008/2009, segundo o Relatório do DAI-AMTB (citado no item 1).

6 – Segundo o Relatório do DAI-AMTB (citado no item 1).

:: Bráulio Brandão