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Cristão e Política: Privatização – Salva-vidas ou canoa furada?

Foto: unsplash.com

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Recentemente o governo federal anunciou um pacote de privatizações, incluindo as Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa-MG), a Eletrobras e 14 aeroportos. Tal medida ganhou os holofotes da mídia e dividiu a opinião pública. Os governadores de diversos estados nordestinos enviaram uma carta de repúdio a Temer, afirmando principalmente que a privatização da Eletrobras impactará negativamente na sua subsidiária nordestina, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), pois “é medida que limita o uso múltiplo das águas. Com isso, põe em risco a segurança hídrica de numerosa população e ainda desestimula que levemos adiante estudos e planos para outros usos da água, no que podemos estar comprometendo o futuro de gerações”.

De outro lado, diversas pessoas acreditam que a privatização poderá gerar uma melhoria na qualidade dos serviços prestados, principalmente com os investimentos financeiros trazidos pelo setor privado.

Algumas das companhias públicas que adentraram no pacote de Temer se encontram sucateadas, com tecnologias obsoletas, e a privatização poderia trazer inovações e barateamento do custo dos serviços. Mas tudo isso está dentro do campo especulativo, pois o que realmente importa é a forma que se darão as privatizações, os termos de cada contrato e as obrigações geradas ao setor privado em contrapartida à sua assunção das empresas públicas.

Agora, algo que não devemos negar é a estranheza de certas companhias lucrativas e eficientes entrarem neste pacote. Um grande exemplo é o Aeroporto de Congonhas, que, além de prestar um serviço de qualidade, é referência nacional na eficiência aeroportuária e como empresa lucrativa.

Será um bom negócio para o povo vender uma empresa que dá lucro e é eficiente? Creio que não, mesmo levando em conta os possíveis investimentos a serem realizados como contrapartida.

É evidente que o déficit nas contas públicas é algo importante e que não dá pra fechar os olhos, porém a que custo vamos tapar esse rombo? Se uma costureira, que deve uma grande quantia ao banco, decide vender sua máquina de costura para pagar a dívida, como ela sobreviverá?

Vale deixar claro que não podemos demonizar o instituto da privatização. Quando bem feita, pode ser o divisor de águas para um país! Nós mesmos já passamos por isso, quando da privatização do setor de telecomunicações.

Se analisarmos a história de José do Egito sob a ótica da privatização, podemos chegar a algumas conclusões inusitadas. Vejamos: o governo, representado pelo Faraó, decide colocar a administração de todo o Egito nas mãos de um estrangeiro (como se fosse a privatização de um serviço público essencial – como a geração e distribuição de energia).

José decide fazer algo nunca feito: estocou alimentos para sete anos (como se fosse o emprego de novas tecnologias e métodos de gestão eficientes). Desta forma, o povo egípcio não passou fome no período de escassez de alimentos (ou de chuva, no nosso caso).

Este é um feliz exemplo de quando o governo decide terceirizar a administração de um serviço essencial. Mas é claro que José foi colocado por Deus naquele lugar, e, dessa mesma forma, devemos ficar atentos aos termos de todos os contratos de privatização, para ver no caso concreto os benefícios e prejuízos de uma decisão tão importante como esta.

Se José não fosse inspirado por Deus para cumprir seu propósito, poderia ter destruído uma nação inteira!

:: Gil Souza [GAP – Grupo de Ação Política IBL]