Confira a entrevista com a missionária indiana Anna Mma Chacko, que trabalha no Projeto criado pela Lagoinha 

 

A Igreja Batista da Lagoinha sustenta um projeto na Índia, cuja missão é resgatar, reabilitar e treinar garotas indianas que são vítimas da prostituição infanto-juvenil. Seu nome: “Ashasthan”, que em português significa “Casa Esperança”. O Projeto foi criado em 1999 – depois de uma viagem do Pr. Márcio Valadão ao país, em que ele percebeu a triste realidade da vida de meninas cujos sonhos estavam sendo consumidos pelo tipo de vida à qual eram obrigadas a viver.

Os primeiros missionários chegaram ao Projeto no mesmo ano, e desde então já socorreram cerca de 500 garotas com idades entre 6 e 18 anos. Atualmente, 38 meninas estão sendo cuidadas, nas três casas do Projeto. Na casa, as meninas contam com as aulas de três professoras voluntárias, o amor de seis obreiras indianas, as ministrações de três missionários e o suporte de três voluntários. E todo o sustento do Projeto Ashasthan é enviado pela Lagoinha, por meio dos dízimos e ofertas que você tem depositado na casa do Senhor! A missionária Anna Mma Chacko, 44 anos, chegou dois anos após o início das atividades e compartilha com a igreja um pouco sobre o trabalho que vem desenvolvendo há dez anos a favor de suas meninas.

 

Atos Hoje: Fale sobre o seu papel no Projeto.

Anna Mma: Atualmente faço parte de uma liderança compartilhada, composta por três indianos e um brasileiro. Sou líder de uma das casas e tenho uma das antigas meninas como minha auxiliar. Evangelizo, dou discipulado, levo todas as meninas da casa ao médico, dou aulas de reforço e treinamento para serem líderes, caso desejem ficar na casa.

AH: Desde que chegou ao Projeto, como tem sido a receptividade da sociedade ao redor?

AM: Algumas pessoas aceitam, ficam felizes ao verem alguém interessado em ajudá-las. Mas alguns rejeitam por causa do passado delas e do local de onde vieram. Temos dificuldades até para alugar casas. Alguns proprietários acham que as meninas vão contaminar suas casas.

AH: Quais são os principais desafios que você enfrenta no dia a dia?

AM: Levá-las ao entendimento de que têm agora uma nova vida e ensiná-las um novo comportamento na sociedade têm sido grandes desafios. Mas a principal dificuldade é em relação à religião. É muito difícil na cultura indiana fazer uma pessoa entender que o cristianismo não é uma religião, mas um relacionamento com Deus. Como nosso Deus é invisível leva um tempo para que entendam que é espiritual – por causa dos ensinamentos que têm desde a infância dentro do hinduísmo e do islamismo. Preciso de muito amor, paciência e perseverança para ensinar que Jesus é o Deus único e verdadeiro e para que o temor do Senhor seja gerado no coração delas. Com a equipe, o desafio é a unidade, é trabalhar na mesma visão. Porque se sairmos um milímetro da visão, depois é muito difícil voltar. Haverá uma quebra, uma divisão.

AH: O que é mais edificante e animador?

AM: O amor de Deus! Quando vejo esse amor trabalhando na vida delas e trazendo mudança de comportamento, crescimento e quando as vejo vivendo essa nova vida em Deus.

AH: Como é o seu relacionamento com as meninas?

AM: Elas me veem como uma mãe substituta, algumas até me chamam de mãe! Temos um relacionamento bem próximo e elas sentem liberdade para abrir o coração comigo.

AH: Quando elas chegam ao Projeto o que primeiramente vocês trabalham?

AM: Mostramos o amor de Deus, porque elas chegam assustadas, tudo é estranho, depois levamos ao médico para os exames, precisamos saber seu estado de saúde, damos novas roupas, alimentação, e procuramos edificar a confiança, então falamos de Jesus, pregamos o evangelho, todos os dias se for preciso, para que elas entendam e possam aceitar o amor de Deus através de Jesus e de nossas vidas.

AH: Quais são os principais problemas que elas apresentam?

AM: A rebelião, a desobediência, o desejo de fugir e o desejo de arranjar namorado, são os principais problemas comportamentais. Na área de saúde temos muitos problemas de garotas com tuberculose e às vezes com AIDS. A última que tivemos com AIDS, deu o testemunho no DVD de 10 anos do DT, seu nome é Savita, ela foi curada em 2010. No último exame de sangue deu negativo. Louvamos a Deus por isso, hoje ela está com 17 anos e na faculdade fazendo o curso de Ciências Contábeis. Deixou o projeto para ingressar em outra organização e está bem, firme com Jesus.

AH: O que elas mais querem viver quando entendem sobre o amor de Jesus?

AM: Apenas desejam deixar para trás os sofrimentos do passado, quando se sentiam sozinhas. Em Jesus a esperança renasce e elas se sentem aceitas pela sociedade e sentem-se valorizadas como pessoas, como ser humano, passam a viver como quem sonha, como nova criatura! Então passam a viver o sonho de Deus para elas.

AH: Conte-nos um testemunho.

AM: Tudo começou quando estava fazendo um curso de missões. Orei durante três anos e o Senhor me chamou para cuidar de crianças órfãs e desprivilegiadas. Mas eu não tinha como fazer isso, então ao compartilhar a visão com um senhor da escola de missões, ele me falou de um povo brasileiro que fazia isso e precisava de ajuda por seis meses. Fui para o Projeto substituir a pastora Imaculada, que se recuperava de uma cirurgia. Quando ela voltou, eu falei em ir embora, mas ela pediu para ficar até que ela estivesse totalmente recuperada, então fiquei e entendi que se eu fosse embora não podia ajudar aquelas crianças. À medida que ia vendo as meninas crescendo, aprendendo, tendo a vida transformada, fui entendendo que eu era parte daquilo, que se tivesse ido embora, não poderia ser parte da resposta de Deus para a vida delas. Hoje eu louvo e agradeço a Deus, por ter perseverado, por ter me mantido fiel a visão e ao chamado Dele para minha vida.

AH: Deixe uma mensagem para a Lagoinha sobre o papel que a igreja tem para o sustento desse Projeto.

AM: Agradeço a Deus e a cada um de vocês que fazem parte desta igreja tão singular, por nos manter e sustentar ali, por todos esses anos. Por favor, não parem de orar e de nos ajudar. Talvez vocês não vejam os frutos aqui, mas verão no céu, com certeza, e se surpreenderão com o que irão ver. Só posso dizer MUITO OBRIGADA!

 

Jogo rápido com a Ana Mma!

Defina em uma palavra o que significa fazer missões:

Obediência.

O Projeto para você é:

Esperança.

Ver a transformação das meninas indianas significa:

Felicidade. Poder do amor de Deus.

 

 :: Stephanie Zanandrais

stephanie.zanandrais@lagoinha.com

Colaborou pastora Imaculada Alvino

Quer saber mais sobre o Projeto Ashastan? Ligue para a Secretaria de Missões: (31) 8793-1559 / 3429-9500, fale com Dorinha.