Nenhum Comentário

Reforma Protestante: sua contribuição para a economia

Foto: unsplash.com

Foto: unsplash.com

A restauração do princípio da autoridade bíblica foi um dos pilares da Reforma Protestante, que, neste ano, completou 500 anos de história. Durante séculos, as pessoas comuns não tinham acesso à Palavra de Deus. O analfabetismo era a realidade da maioria esmagadora de toda a sociedade da época. Enquanto isso, os sacerdotes, aqueles que tinham acesso à Bíblia, distorciam a mensagem da graça, ensinando as pessoas que a salvação estava condicionada às obras. Além de trabalhar em excesso para sobreviver, ainda precisavam se esmerar para comprar a salvação. Como se não bastasse, eram submetidas aos castigos “purificadores” do clero para “escapar” do fogo do inferno. Por estas razões, o acúmulo de riquezas e o lucro eram condenados pela igreja da época. Os fiéis não acumulavam bens, já que a salvação estaria sob grande risco. Por outro lado, a igreja detinha grande poder econômico e amplo patrimônio institucional.

A Reforma veio romper com esse modelo. A salvação pela graça e não por obras abalou as estruturas de manipulação que a igreja exercia naquele momento. Não há dinheiro que compre a vida eterna. Não é o mérito humano que determina a salvação, mas somente a graça de Deus. Ele é criador e soberano sobre todas as coisas. Deus nos criou para glorificar o nome Dele por meio do nosso trabalho (Gn 2.15). Ele comissionou o homem para cuidar e cultivar a terra. Quando trabalhamos e geramos recursos, fazemos isso para glorificar o nome de Deus. Encontra-se aí o caráter sustentável do desenvolvimento econômico. A exploração da terra não deve ser feita até que haja a exaustão de recursos. É preciso cuidar e cultivar.

Os reformadores enfatizaram a importância do apreço ao trabalho e a necessidade de poupar (Pv 6.6-11). Esses princípios influenciaram grandemente a economia a partir de então. O comércio passou a ser mais ativo, a produção de bens cresceu em regiões influenciadas pela Reforma e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas melhorou. O crescimento econômico foi visível.

Todavia, em muitos casos, o acúmulo de riquezas ocorreu por meio da exploração do trabalho e da prática de juros abusivos. Os reformadores condenaram essas práticas. Calvino chegou a defender que o empréstimo aos pobres deveria ser isento de qualquer encargo. Dessa forma, novos negócios poderiam florescer, gerando mais riqueza e desenvolvimento. Aqueles que acumulavam riquezas apresentavam importante responsabilidade social. Eles deveriam contribuir para que outros percorressem o mesmo caminho, sendo generosos e sem se esquecer do pobre e do desamparado.

Atualmente, empresas dos mais diversos segmentos têm empregado recursos para transformação social. Esse é um legado da Reforma para a área econômica. Nos anos de 1904-1905, Max Weber, sociólogo alemão, publicou a obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Nela, o autor mostrou que os empreendimentos comerciais da época eram, em grande parte, administrados por protestantes e não por católicos. Para os protestantes reformados, o trabalho passou a ser visto como vocação divina e não como um simples meio de subsistência. Esse era o grande diferencial de ambos os grupos. Essa visão de mundo foi tão impactante que influenciou os EUA em sua gênese e também alguns países em formação na Europa.

O que podemos aprender com esse legado da Reforma nos dias hoje? É necessário entender que o trabalho é uma dádiva do Criador ao homem. O trabalho do cristão é um culto prestado a Deus. Ele nos ensina a trabalhar com seriedade, não desperdiçar, poupar para eventuais necessidades e abençoar os desamparados. Para os empresários, é importante considerar a responsabilidade social trazida pelo acúmulo de riquezas; investir em pessoas para que elas cresçam e promovam mais fartura. Esta lógica traz desenvolvimento econômico e social.

Por sua vez, o governo não pode, de forma alguma, absorver a maior parte da geração de recursos do país para sustentar uma máquina gigantesca e ineficiente. Cabe ao governo oferecer um ambiente propício para o desenvolvimento de novos negócios e maior geração de empregos. O desenvolvimento econômico e a justiça social virão apenas quando trabalhadores, empresários e governos trabalharem harmoniosamente, a partir dos princípios sustentáveis da Palavra de Deus. Essa é a lição que a Reforma traz para a economia nos dias de hoje!

Converse sobre esse assunto com a Viviane Petinelli, ligue: (31) 99236-0696.

:: Carlos Said Pires