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Sal fora do saleiro

Asaph Borba relata experiência vivida durante atividade evangelística no Carnaval de Salvador

Evangelismo em Salvador ( Foto: arquivo pessoal)

Evangelismo em Salvador ( Foto: arquivo pessoal)

“A noite quente e levemente úmida, deixava claro que estávamos em Salvador, capital baiana, que em pleno Carnaval se torna um dos lugares mais movimentados e visitados do Brasil. É também o berço da famosa Axé Music.

Nesse feriado o Brasil para. Assim, a maioria da cristandade disputa os locais de retiros, para estarem afastados dos burburinhos mundanos que atraem multidões para curtirem o frenesi carnal que enche as ruas de quase todas as cidades de norte a sul do país. O grupo não muito grande de irmãos se mobiliza para ir à rua, que simplesmente não era um lugar qualquer. Vão para a Praia de Ondina, o point soteropolitano de onde saem todos os trios elétricos, que são o atrativo principal da festa baiana. Diferente de Rio, São Paulo e Porto Alegre, que promovem escolas de sambas, o Carnaval de Salvador é centralizado nesses grandes e imponentes caminhões de som que trazem como atrações os grandes nomes da música local como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Cláudia Leite.

À medida que íamos nos aproximando já se podia sentir o clima de pecado e sedução. Quando entramos na rua principal os muitos trios já estavam estacionados. Cada um mais elaborado que o outro, com luxo e luzes por todos os lados. A multidão, que chegava aos milhares, se aglomerava em volta do trio de sua preferência, esperando a chegada do artista principal que só aparece depois da meia-noite. A igreja, entretanto, não quer o show, nem os artistas, e, sim, as pessoas. Nesse local, nossos irmãos instalaram um palco com luzes e som de qualidade. Músicos cristãos, como Adhemar de Campos, Sóstenes Mendes, Daniel de Souza e o baiano Pierre Onassis já estiveram ali trazendo sua mensagem.

Nesse domingo, entretanto, era o meu dia. Cheguei com meu filho André um pouco antes das 10h da noite. O carro esquivava-se vagarosamente por entre a multidão para chegar no palco localizado no centro da avenida. A localização já é um milagre por si. Ninguém consegue, há 17 anos, tirar os crentes dali. Antes de subirmos a carga espiritual já era sentida. Que ambiente pesado, pai, declarou meu filho André, já segurando seu violino. Depois de orarmos começamos a cantar e tocar com a banda bem ensaiada que me esperava com expectativa. De cima do palco a visão mudou. Erguei os vossos olhos e vede os campos prontos para a ceifa (João 4.35). As palavras de Jesus se fizeram presentes em meu coração enquanto via um dos irmãos orando em um canto por um folião.

Assim foram as duas horas que passei ali, cantando e proclamando a Palavra de Deus. Pude ver muita gente se aproximar por causa de uma música que lhe era conhecida. Presenciei pessoas deixando seus grupos e correndo para o ouvir nossa música. Chamou-me também a atenção, desde a entrada, que em todo canto se via placas grandes escritas em preto e amarelo textos da Palavra de Deus. Placas estas seguradas por orientais, que depois eu soube, serem japoneses da Liga de Distribuição da Bíblia (BDL). Vêm do oriente só para evangelizar no evento. Ficam ali enquanto tem gente, segurando os painéis bem feitos com a Palavra de Deus. Só alguns falam o português, mas creem no poder do Verbo Divino.

Os frutos são imediatos. Homens e mulheres são alcançados e evangelizados. Seus nomes e telefones são anotados. Muitos desviados do caminho voltam para Deus. Por ser uma grande maioria de outros estados e até de outras nações, a igreja tem estratégias para dar continuidade ao precioso contato. Sem desprezar os demais eventos, dos quatro que participamos, foi aqui que presenciamos com muita graça e intensidade a igreja como sal fora do saleiro.”

:: Asaph Borba