Nenhum Comentário

Sem Viajar na Maionese

“E aí véi? Colé? Tudo em cima? Pô! Pirô o cabeção! Tipo assim! É o bicho! Irado mano! Muito doido! Vamo vê as parada! O qué que rola! Falô! Saca? Lindo na parada! Num rola! Só na manha! Fi! Pode creuza! Cê fraga! Quemô o filme! Colé cara! Nó, cê tá zuano! Vô bate um gancho! Quis idéa, mano! As mina ali! Trocá umas idéa! Que paia!!!!!!”

Você conseguiu entender todas as gírias que estão acima? É complicado, não é? Imagine conversar com uma pessoa que só fala assim? Para os gramáticos e estudiosos do nosso português isso pode doer o ouvido quando pronunciado.

Mas não é de hoje que a Língua Portuguesa vem sendo invadida por diversas formas de linguagens cifradas, pertencentes a determinados grupos. As gírias já fazem parte do vocabulário de muitas pessoas. E, algumas vezes, encontram espaço até mesmo no meio evangélico.
Ano entra, ano sai e as gírias se modificam de acordo com os padrões ditados pelo mundo através da moda, música, dança, novelas, filmes, veículos de comunicação e outros diversos meios de propagação. Verificamos que de tempo em tempo surgem novas expressões no cotidiano da sociedade. Elas nascem em grupos ou tribos fechadas, crescem com o auxílio de várias pessoas e dos meios de comunicação e morrem ou renascem na voz do povo.

O grupo Mamonas Assassinas, por exemplo, no auge do sucesso, levou vários jovens à “curtirem” as letras de suas músicas cheias de “besteirol” e gírias do tipo: “… seus cabelo é “DA HORA” (legal), “…você é meu “CHUCHUZINHO” (querida). E ainda se davam ao luxo de pronunciarem palavras em inglês como: “Oh! Yes!”. Uma outra expressão que ficou muito marcada foi a do jogador de futebol Edmundo, mais conhecido como “Animal” (o ser de instinto muito forte). O locutor Osmar Santos foi o primeiro a denominá-lo desse modo e a partir daí não parou mais. Aliás, atualmente, tudo que se refere a pessoas de índole violenta, acabam recebendo o nome de “animal”, o que pode trazer maldição para a vida de quem recebe o pseudônimo.

“Ficá de molho; chamá a galera; captá a mensagem; tá de antena ligada ou, então, ele não é nenhuma Brastemp!”, já se tornaram expressões familiarizadas e usadas pelo povo. Os jovens e adolescentes aprendem nas escolas a se comunicarem através das gírias. Malandros de ruas e morros gostam de sair com o “pisante” novo (tênis novo). Com os surfistas o vocabulário vem das praias. E a mídia? A mídia é a maior responsável pela divulgação dos vocábulos por toda a sociedade. O filme “Batman” quando estreou nos anos 90 fez com que várias pessoas incorporassem em sua linguagem a “Bat hora, o Bat canal e o Bat lugar”, fazendo assim uma ‘batida’ de novas expressões. Até os verbos foram transformados pelos artistas famosos. Renato Aragão, o “Didi” dos “Os Trapalhões”, disse: “Aí vareia”. E pegou mesmo. Até hoje se ouvem pessoas pronunciar “vareia” ao invés de varia. Outra exemplificação vem de uma atriz mineira, Gorete Milagres, fazendo o papel de “Filomena”. Durante um bom tempo ouviu-se dizer: “Ô! Coitado!” Até alguns evangélicos brincavam, ou falavam sério usando a expressão.

Mas o cristão, como deve proceder?

Como foram colocadas neste texto, as gírias surgem, se espalham, viram linguagens comuns, somem ou ressurgem. É difícil, por exemplo, para um jovem estudante que está na fase da sua adolescência, não usar algumas palavras desse tipo. É complicado até para os pais aceitarem ou enxergarem como normal.

Às vezes as pessoas brincam com essas palavras e nem imaginam que algumas podem trazer maldições para sua vida: “E aí, bicho!” Mas que bicho é esse? “Seu animal!” Lembre-se: você é um ser criado a imagem e semelhança de Deus.

Ao nos convertemos, um dos primeiros sinais de mudança na nossa vida está na fala. Imagine um pastor conversando com alguém e dizendo palavrões, gírias e expressões o tempo todo. Para quem gosta será normal, mas outras pessoas desconfiarão de sua conversão e de seu ministério. Há determinados crentes que usam uma linguagem tão pesada que não conseguimos identificá-los como parte do corpo de Cristo. Existe uma marca registrada em nós, que é a semelhança com o nosso Deus. Por isso devemos vigiar no que falamos.

Em certas ocasiões, até sem querer, pronunciamos alguns vocábulos. Ou, então, precisamos adequar a nossa fala dependendo do grupo de pessoas que estamos lidando. Por exemplo, com um grupo de roqueiros não vamos ficar pregando para eles com palavras difíceis, pois eles não irão assimilar o que estamos querendo transmitir. Com os meninos de rua é a mesma coisa, eles falam muitas gírias. Para que eles entendam o evangelho, nosso linguajar terá que ser adequado de uma forma que eles compreendam.

Paulo em Tito 2:7, diz: “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo legalidade nenhuma que dizer a nosso respeito.” No livro de Tiago, capítulo 3, verso 10 encontramos: “De uma só boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim.”

Que através deste artigo você possa ser despertado a compreender o propósito do Senhor para sua vida. Somos povo exclusivo de Deus. Somos sal da terra e luz do mundo. Precisamos mostrar nossa diferença e não nos igualar ao mundanismo. Não há como impedir o avanço dessas expressões. Cabe a cada um de nós, então, refletir, discernir e procurar evitar pronunciá-las, principalmente quando as mesmas vêm até de novelas e emissoras de televisão que não professam o nome do Senhor.

Obs.: Que algo fique bem claro, dependendo do estado, lugar ou país, algumas expressões e gírias não são consideradas como tal. Para algumas culturas, o que é gíria para nós, para eles é normal pronunciar.

:: Por Ana Paula Costa