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“Tocava em uma banda conhecida de pagode e larguei tudo”

leandro todando

“Aos 14 anos comecei a tocar violão e, mesmo sendo principiante, passei a ser violonista de pagode em bares, restaurantes e casas de show. Adquiri experiência e comecei a tocar em grupos conhecidos da minha antiga cidade, Rezende, Rio de Janeiro. A banda Sambaí que existe até hoje foi o grupo que tive a minha última experiência como músico secular.

Na época não era cristão e detestava crente. A minha repulsa era tamanha por evangélicos que geralmente conto que se um passasse do lado da rua em que o eu estava, mudava para o outro lado. No entanto, meus familiares começaram a se converter a Jesus Cristo. Primeiro foi um tio que morava conosco, depois minha irmã e por fim o meu irmão. Todas as vezes que minha irmã colocava um CD do Diante do Trono para tocar, eu retirava a música e colocava pagode.

Recordo que no dia 23 de abril de 2006, perguntei a minha irmã se haveria culto na igreja dela. Então, ela me respondeu que teria congresso de jovens. Para minha surpresa, disse a ela que chamaria minha namorada para irmos juntos a reunião. Quando disse para Aline, minha namorada, que iríamos ao culto, ela se assustou: ‘O que? Você vai a um culto de crente?’, questionou.

Nem eu mesmo compreendia por que havia pedido para ir à igreja, já que detestava crente. Mas hoje vejo que foi um desejo despertado pelo Espírito Santo por meio das orações dos meus familiares. Durante o percurso ao local do congresso me dei conta da loucura que havia feito, mas decidi ir para honrar minha palavra. Lembro-me como se fosse hoje daquele dia. Havia uma espécie de palco e uma grande faixa escrita assim: ‘Jovem, achegai-vos a Deus e Ele vos achegará a vós outros’.

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Leandro junto a esposa, Aline e a filha, Ana Bella

Não prestei atenção na ministração da palavra, mas ao final, quando o pastor fez o apelo, comecei a chorar copiosamente. Não compreendia o motivo de tantas lágrimas, ninguém havia feito nada comigo e ainda assim chorava sem parar. A minha irmã, que estava ao meu lado, colocou a mão sobre o meu ombro e disse: ‘É Deus que está lhe chamando’. Então, o choro se intensificou ainda mais, fiquei como criança.

Quando me dei conta, já estava à frente do altar sentindo o poder de Deus de uma forma maravilhosa. Minha mente não compreendia, mas no meu corpo sentia como se fosse um ‘redemoinho’ subindo e descendo dos pés a cabeça. Em meio ao pranto, olhei para o lado e vi minha namorada, atual esposa, tomando a mesma decisão que a minha. Naquela mesma noite fui batizado com o Espírito Santo.

Deixando a velha vida

Um pouco mais tarde, quando grande parte dos participantes já havia deixado o lugar, eu continuava no congresso, sentindo a presença intensa de Deus. O pastor que ministrou naquela noite desceu do púlpito e me entregou muitas profecias. Parte delas está se cumprindo hoje no meu ministério. Disse para ele que não sentia mais vontade de tocar na banda de pagode. Naquela época tinha um show marcado para o outro dia em uma festa muito conhecida da cidade.  Para minha surpresa, o pastor disse que eu deveria ir tocar com eles.  Então, deu um nó na minha cabeça: ‘Um pastor me pedindo para tocar com uma banda do mundo?, mas depois entendi que Deus queria fazer algo’.

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Tenho consciência que na vida de algumas pessoas o processo de conversão é mais gradativo, mas comigo tudo mudou de uma noite para a outra.  Era uma pessoa totalmente voltada para as coisas do mundo, e no dia seguinte, a minha conversão havia me tornado um novo homem. Naquela mesma noite, fiz uma oração, em minha casa. Não sabia como falar direito com Deus, mas disse: ‘Deus, se você realmente tem alguma coisa para minha vida, como os crentes têm dito que você tem uma ‘obra’ na minha vida, não quero viver 99%, quero viver 100% do que o Senhor tem para mim’.

Então, no dia seguinte fui tocar com a banda, até por que tinha que dar a notícia da minha saída para os outros integrantes. Sempre fui uma pessoa muito brincalhona, mas naquele momento estava muito pensativo, recordava tudo o que Deus havia feito em minha vida. A minha mudança de comportamento gerou vários questionamentos dos outros membros da banda. ‘Leandro, o que está acontecendo?’, ‘Você brigou com a namorada?’, perguntavam.

Orei a Deus: ‘Toque no coração deles para que possam receber a notícia da melhor forma possível’. No momento do show, quando entramos no palco foi algo totalmente diferente. A minha visão a respeito de tudo aquilo havia mudado. Era como se eu enxergasse as pessoas com outros olhos, lembro de mulheres com copos de cerveja nas mãos, de homens gritando e me perguntei o que as pessoas estavam procurando ali e senti nojo daquele lugar.

Ao final da apresentação, todos continuaram a perguntar sobre a minha mudança de comportamento. Respondi a eles que não sabia muito bem o que estava acontecendo, mas tinha convicção de que a minha vida pertencia a Jesus. ‘Não sei se vocês entenderão, até por que nem eu estou compreendendo, mas não tocarei mais, estou saindo da banda’, disse.  Depois da minha fala um grande silêncio tomou o lugar. O líder da banda, que é espírita, olhou para mim e ponderou: ‘Prefiro perder você para Jesus a outra banda. Foi a melhor decisão que você tomou na vida’. ‘E a partir de então começou uma nova caminhada, tudo mudou em todas as áreas da minha vida”’

Leandro Almeida

Atualmente Leandro é pastor da Mocidade, professor do Carisma, escritor de livros e líder, junto a sua esposa Aline, do Ministério “Moças e Rapazes” e “Do Olhar ao altar” da Igreja Batista da Lagoinha.

Texto: Érica Fernandes

Fotos: Jean Assis, Diego Couto e Arquivo Pessoal